Rejeitem a proposta EUA–França–Reino Unido de “força de estabilização” que apenas consolidará a ocupação, o apartheid e o genocídio em Gaza
Ao Conselho de Segurança da ONU
Excelentíssimo(a) Senhor(a),
Apelamos urgentemente a Vossa Excelência, como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para que rejeite a iminente resolução apresentada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, que pretende “estabilizar” a atual ocupação e o genocídio em Gaza por meio de uma força multinacional aprovada pela ONU — uma iniciativa destinada, na prática, a sustentar o chamado plano de paz de Donald Trump.
O plano de 20 pontos de Trump jamais foi uma proposta de paz. Trata-se de uma troca de reféns e um cessar-fogo temporário, vinculado a um programa de rendição de Gaza que retira poder das vítimas do genocídio, protege os perpetradores e ignora a ocupação e a limpeza étnica que estão na raiz da crise. Na realidade, o plano de Trump viabiliza a ocupação permanente, reduz a soberania palestina a uma mera aspiração e coloca o próprio Trump no comando do desenvolvimento econômico — abrindo caminho para enriquecer a si mesmo e seus aliados do setor imobiliário com seu modelo predatório de “Riviera de Gaza”.
Como esperado, o plano de Trump mantém a privação genocida de alimentos, abrigo, combustível e assistência médica. Profissionais de saúde e jornalistas continuam proibidos de entrar em Gaza, sem perspectiva de mudança. E, refletindo o conhecido desprezo de Israel por acordos de paz, as primeiras ações dos soldados israelenses nas horas iniciais do cessar-fogo foram incendiar casas, estoques de alimentos e a única estação de tratamento de esgoto restante na Cidade de Gaza. Esses ataques foram depois celebrados nas redes sociais como “toques finais” e “uma última lembrança”.
Usando a dificuldade — totalmente previsível — de localizar reféns falecidos sob os escombros como pretexto, Israel reduziu pela metade a ajuda prometida, permitindo a entrada de ainda menos caminhões de alimentos no primeiro dia — uma mera “gota no oceano” diante das necessidades humanitárias desesperadoras. Além disso, Trump ameaça com violência caso o Hamas não renuncie unilateralmente ao seu direito de autodefesa (garantido pelo Artigo 51 da Carta da ONU), sem qualquer garantia de segurança para o povo palestino. Vale lembrar o que ocorreu quando a OLP concordou em depor unilateralmente as armas no Líbano, resultando nos massacres de cerca de 3.500 mulheres, crianças e idosos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila.
O Conselho de Segurança não deve “estabilizar” o regime de terror de Trump e Netanyahu por meio de uma “força de estabilização” com mandato da ONU. Tal medida serviria apenas para controlar Gaza e sua resistência em nome de Israel, dos Estados Unidos e de seus aliados.
Instamos Vossa Excelência, em vez disso, a apoiar a proposta da Colômbia — defendida pela sociedade civil palestina e global — de uma força de proteção com mandato “Unidos pela Paz”, que teria como foco exclusivo proteger civis palestinos, garantir a entrada de ajuda humanitária, recolher provas de crimes israelenses e apoiar a reconstrução. A cumplicidade ocidental com a impunidade israelense não pode continuar.
Agradecemos pela atenção e pela ação oportuna diante desta questão urgente.
Convidamos Vossa Excelência a agir com rapidez e em conformidade com os princípios da humanidade e do direito internacional.
Com o mais alto respeito e a maior urgência,
- PNGO
- Lifeline for Palestine
- Friends of the Hague
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Signatários de nossa listagem por Organizações, Coletivos, Movimentos e Meios de Comunicação em 20.10.25 às 09:40 min:
1. Movimento Mulheres pela Paz na Palestina (Brasil)
2. Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária desde o Sul Global (Brasil)
3. UPAL – Unión Palestina de América Latina – UPAL (Colômbia)
4. Asociasón Salvadoreña Palestina (El Salvador)
5. Comitê Chileno de Solidaridad con Palestina (Chile)
6. Rede Comunitária Palestina nos Estados Unidos da América (EUA)
7. Colectividad Palestina de Bolívia (Bolívia)
8. Fundación Cultural Colombo Palestina (Colômbia)
9. Asociacion Cultural Colombo Árabe Cartagena de Indias (Colômbia)
10. Global Coalition Against the Occupation of Palestine(Turquia)
11. Observatorio de Derechos Humanos de los Pueblos (México)
12. Red Academicad De Soleridad Mexico Con Palestina – CUSPPA (México)
13. Abya Yala Soberana – Pueblos originarios en América Latina (Guatemala)
14. Rede Global Somos Gaza, Somos Palestina (Brasil)
15. Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino Khader Othman (Brasil)
16. Observatório da Cidadania Dom José Alves da Costa, Corumbá, MS (Brasil)
17. Pacto Pela Cidadania, Corumbá, MS (Brasil)
18. Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino Jadallah Safa, Corumbá, MS (Brasil)
19. Comitê Corumbá Pela Paz, Corumbá, MS (Brasil)
20. Organização de Cidadania, Cultura e Ambiente – OCCA, Corumbá, MS (Brasil)
21. Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário – FORUMCOLARD, Corumbá/Ladário, MS (Brasil)
22. Centro de Estudos e Desenvolvimento Cultural, Corumbá, MS (Brasil)
23. Sociedade dos Amigos da Cultura, Corumbá, MS (Brasil)
24. Comissão Pró-Cultura de Corumbá – CPCC, Corumbá, MS (Brasil)
25. Grupo Argos de Teatro, Ladário, MS (Brasil)
26. Blog Oykosmiguel, Mídia Alternativa da Amazônia (Brasil)
27. Canal Tribuna Multipolar (Portugal)
28. Comitê da Palestina Democrática do Brasil (Brasil)
29. Centro Cultural Árabe Palestino Brasileiro de São Paulo (Brasil)
30. Centro Cultural Árabe Palestino de Porto Alegre, RS (Brasil)
31. Centro Cultural Árabe Palestino do Mato Grosso do Sul (Brasil)
32. Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro (Brasil)
33. Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino de Criciúma, SC (Brasil)
34. Comitê Paraibano de Solidariedade ao Povo Palestino, Compapal, PB (Brasil)
35. Sociedade Árabe Palestino Brasileira em Corumbá, MS (Brasil)
36. Sociedade Árabe Palestina de Brasília, DF (Brasil)
37. Sociedade Árabe Palestina de Santa Maria, RS (Brasil)
38. Razan Al-Najjar Collective (Brasil/Paquistão)
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Imagem: Mahmud Hams (AFP)
