Lideranças indígenas pedem apoio da Ufes para análise da água do Rio Comboios, contaminado pelo desastre de Mariana

Tatiana Moura, UFES

Lideranças indígenas das aldeias Comboios e Córrego do Ouro, localizadas em Aracruz, se reuniram nesta sexta-feira, 16, com o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, para pedir o apoio da Universidade no levantamento de dados e realização de pesquisas de análise da água do Rio Comboios e os impactos do contato da água com o corpo humano. O pedido se dá em decorrência da contaminação do rio após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015.

A Aldeia Comboios está situada às margens do rio que dá nome à terra indígena e abriga 443 pessoas divididas em 133 famílias. A agricultura familiar, a pesca e o artesanato são práticas que garantem não só a subsistência como também preservam a expressão cultural. A Aldeia Córrego do Ouro é outra comunidade dentro do mesmo território, com aproximadamente 225 hectares, habitada por aproximadamente 485 pessoas divididas em 267 famílias.

De acordo com as lideranças, atualmente os dois povoados sofrem com o desabastecimento de água tratada, sendo abastecidos com água mineral, conforme estabelecido no Acordo de Mariana. Elas afirmam, ainda, que no período da cheia, devido às enchentes, o rio sofre interferências das águas contaminadas que vêm do Rio Doce por meio do Canal Caboclo Bernardo, o que faz com que habitantes das aldeias, principalmente crianças, desenvolvam diarreia, alergias e coceiras de pele.

O reitor da Ufes acolheu a demanda apresentada pelas lideranças e afirmou que diversos projetos estão sendo encaminhados para atender às necessidades das comunidades indígenas da região.

“Temos projetos nas áreas de meio ambiente e saúde que, nos próximos meses, estarão estruturados. Além disso, há outras propostas para todas as comunidades de povos originários que foram atingidos pelo desastre. Serão projetos multidisciplinares, tanto de extensão quanto de pesquisa, envolvendo outros órgãos da administração pública como a Fundação Oswaldo Cruz e os ministérios da Saúde, do Meio Ambiente e da Pesca. Utilizaremos recursos de arrecadação própria e da repactuação”, detalha.

Otimismo

O cacique da Aldeia Córrego do Ouro, Gilmar Pereira, se emociona ao falar sobre uma das principais tristezas que a poluição das águas causa: o afastamento entre as crianças e o rio. “Não podemos mais usar a prática de ensinar elas a nadar, também não podemos mais pescar. A cada ano, os rejeitos ao invés de saírem, acumulam-se mais, temos muita preocupação com a contaminação por metais pesados, mas a Universidade abriu as portas para nós e estamos muito satisfeitos com a recepção”, comemora.

Quem também está otimista é o cacique da Aldeia Comboios, Alair Severo. “Como o rejeito do minério chegou às aldeias, as comunidades estão muito preocupadas com os problemas que estão acontecendo, principalmente com as crianças e os idosos, como doenças de pele, coisas que a gente nunca viu na vida. Através desses estudos, a gente vai buscar alternativas para tratar os problemas e vamos ter soluções”, defende.

A reunião contou com a presença do pró-reitor de Extensão, Ednilson Felipe; do chefe de gabinete da Reitoria, Gustavo Cardoso; da diretora de Relações Interinstitucionais, Ana Beatriz Fonseca; do professor do Departamento de Ciências Fisiológicas José Geraldo Mill; do professor do Departamento de Oceanografia Fabian Sá; e de outros representantes indígenas, além dos caciques Severo e Pereira (foto ao lado).

Edição: Thereza Marinho

Imagem: Tatiana Moura e Prefeitura Municipal de Aracruz

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