Resistência indígena é o tema da série “Com Cocar ou Sem Cocar”, da Fatoflix

Por Tatiana Carlotti, no fórum21

Para começarmos o ano renovando o compromisso com as vozes da resistência indígena, Fatoflix indica a série “Com Cocar ou Sem Cocar”, conduzida pelo educador social, militante indígena, escritor Givanildo Manoel da Silva, indígena Fulniô e Kariri-Tabajara.

Iniciando sua militância política nos anos 1980, Giva foi fundador de diversas iniciativas, como o Tribunal Popular (2008–2018) e articulador da campanha “Somos Todos Guarani-Kaiowá” e da Rede de Apoio a Defensoras/es de Direitos Humanos. Foi também presidente do Conselho de Política Cultural de João Pessoa (2025-2027).

Nesta série de entrevistas, ele resgata memórias ancestrais e as lutas dos povos indígenas de Pindorama, entrevistando ativistas e lideranças como a cantora e musicista Clara Potiguara, Nito Kariri, Nalva Kariri, Bira, Luana da Silva e o Cacique Aníbal.

Cada episódio apresenta trajetórias marcadas pela resistência ao apagamento histórico, pela defesa do território, da espiritualidade e da comunicação indígena, mostrando que, com cocar ou sem cocar, a identidade originária segue viva, criativa e em constante luta por memória, justiça e futuro.

Caminho de volta

Giva estará em São Paulo, onde ministrará o curso “O Caminho de volta: a cidade como território de luta e memória indígena”, nos dias 10 e 11 de fevereiro, das 15h às 18h, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP (Dr. Plínio Barreto, 285, 4° andar). As inscrições podem ser feitas pelo site do SESC – sescsp.org.br/cpf

O curso aborda o etnocídio e o apagamento histórico dos povos indígenas no Brasil, evidenciando seu impacto nas cidades e a formação identitária de crianças e jovens indígenas.

Na apresentação do curso, ele destaca que os povos indígenas enfrentam, historicamente, um processo contínuo e violento de silenciamento. “O etnocídio, entendido como a destruição sistemática das identidades culturais, permanece como a prática mais persistente exercida contra os povos originários desde 1500”, diz o texto.

Esse ataque constante não apenas produz apagamentos, mas naturaliza a invisibilização das memórias ancestrais e das violências estruturais, como genocídio, escravização, estupros, desterritorialização e estereotipação.

Segundo o IBGE, o Brasil abriga hoje 1,7 milhão de indígenas, 0,83% da população, distribuídos em 391 etnias e falantes de 295 línguas. Destes, 54% vivem em áreas urbanas, presentes em 86,8% dos municípios.

A ideia do curso, aponta o texto, é propor a conscientização e o enfrentamento ao etnocídio e ao apagamento histórico dos povos indígenas. As inscrições podem ser feitas no site do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.

Clique aqui e confira a série Com Cocar ou Sem Cocar, conduzida por Giva, na Fatoflix.

Foto: O educador e militante Giva conduz entrevistas com lideranças e ativistas da luta indígena da série de seis episódios na Fatoflix.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Também trabalha em Ópera Mundi e atuou por oito anos nos veículos progressistas Carta Maior (2014-2021) e Blog Zé Dirceu (2006-2013). Tem doutorado em Semiótica (USP) e mestrado em Crítica Literária (PUC-SP).

 

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