Mulheres Sem Terra realizam Jornada Nacional de Lutas em defesa da Reforma Agrária e contra as violências

Com o lema: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, a Jornada deste ano acontece de 8 a 12 de março com ações em acampamentos e assentamentos do MST em todo país

Por Erica Rodrigues*, da Página do MST

Em 2026, a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra acontece entre os dias 8 e 12 de março, com atividades nos acampamentos e assentamentos de todo o país. O lema, “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, sintetiza a importância da luta das mulheres Sem Terra, diante do Projeto da Reforma Agrária Popular.

Lizandra Guedes, coordenadora nacional do setor de Gênero do MST, explica que o caráter da Jornada será de formação, organização e denúncia. Com a realizações de “ações simbólicas que possibilitem o diálogo com a sociedade brasileira sobre a necessidade da Reforma Agrária Popular como pauta central”.

Este ano, a Jornada das Mulheres Sem Terra tem como foco a denúncia da paralisação da Reforma Agrária pelo Estado brasileiro, que, ao invés de garantir os direitos das trabalhadoras e trabalhadores à terra e condições de nela produzirem alimentos para alimentar a população, apoia o agronegócio, com investimentos em financiamentos para a produção de commodities. Modelo este que implica em mais crimes ambientais, concentração de terras, além de aprofundar a violência no campo brasileiro, as desigualdades sociais, a fome e a pobreza no campo e na cidade.

E como tem sido comum em todos os anos, no próximo dia 8 de março, as camponesas também se somam a um conjunto de atividades unitárias com as mulheres trabalhadoras de movimentos sociais e sindicais em várias cidade do país.

Segundo Lizandra, a construção dessa Jornada de Lutas das Mulheres é orientada por três frentes de luta: “a urgente necessidade de enfrentamento às violências nas mais variadas formas, entendendo que a sociedade emancipada pela qual se luta exige territórios livres de exploração e opressão; a luta pela terra como motor da organização, que massifica e materializa o projeto de vida digna que quer para o campo. Já na terceira frente aponta a necessidade de organização permanente para o fortalecimento dos territórios e a soberania dos povos, “nos assentamentos, acampamentos, cooperativas, associações, escolas, coletivos de mulheres, jovens, pessoas LGBTI+, grupos culturais, como elemento determinante”, enfatiza a dirigente.

A Jornada também pauta a luta internacional contra as violências às mulheres e ataques de país imperialistas à soberania dos povos. “Nossa Jornada não poderia deixar de mencionar a luta e solidariedade internacional, as mulheres Sem Terra também defendem a soberania popular dos povos do mundo, exigindo o fim do sequestro do presidente da Venezuela Nicolas Maduro e Cília Flores, e o fim do bloqueio criminoso a Cuba, reafirmando que a luta por justiça social no campo brasileiro se conecta com as lutas de todos os povos da América Latina e do mundo”, denuncia Margarida da Silva, da coordenação nacional do MST.

Contexto de luta das Mulheres do MST

A luta das mulheres faz parte da origem e história do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Desde as primeiras ocupações, há mais de quatro décadas, a participação das mulheres foi fundamental para a construção do Programa de Reforma Agrária Popular e para a resistência no campo. E o 8 de março, para as Sem Terra, nunca foi apenas uma data celebrativa, mas sim um marco de denúncia e mobilização em torno da luta das camponesas por direitos.

É nesse contexto que surge a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra: um potente processo de construção coletiva que transforma os territórios em espaços de formação, organização e luta, no combate às diversas formas de opressões existentes, e no enfrentamento ao capital no campo, materializado no agronegócio, reafirmando o protagonismo das mulheres na construção de um projeto popular para o Brasil.

As pautas históricas que mobilizam as camponesas seguem atuais e urgentes. A luta é pela defesa da Reforma Agrária Popular, com a desapropriação de terras públicas ou que não cumprem sua função social, pelo acesso a políticas públicas como crédito, assistência técnica, comercialização e pela garantia de políticas para a produção de alimentos saudáveis, mas também pelo fim das violências, em particular contra mulheres e meninas.

As camponesas também denunciam as violências estruturais do sistema capitalista, patriarcal e racista em que vivemos, que tem se aprofundado no último período e se manifestando através dos alarmantes índices de feminicídio, da discriminação, da LGBTfobia, que mata ou fere corpos e subjetividades. O projeto de Reforma Agrária Popular que o MST defende é mais do que uma alternativa concreta para esses problemas, mas um caminho rumo à emancipação humana.

Neste momento de importantes lutas, que renovam a ousadia de projetar o amanhã, o MST convoca todas as mulheres do campo e da cidade para somarem forças nesta Jornada.

Defendendo a Reforma Agrária Popular como caminho para a superação da crise climática e ambiental, para acabar com a fome, através da produção de comida de verdade e para a construção de um país livre das violências!

*Do coletivo operativo do setor de Gênero do MST pelo Nordeste.

**Editado por Solange Engelmann

Ocupação área da Suzano em Aracruz (ES), na Jornada de lutas das Mulheres em 2025, Foto: MST

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