Bases Militares dos EUA na América Latina. Por Elaine Tavares

Em IELA

Os Estados Unidos seguem trabalhando fortemente na sua estratégia de dominar completamente a América Latina, mantendo-a sob seu tacão. Recentemente o presidente Donald Trump reuniu presidente “amigos” em um encontro para constituir o que ele chamou de Escudo das Américas, mas que, na verdade, é a busca por um escudo para “a” América – no caso, eles.

A proposta do governo dos EUA é garantir a instalação de mais bases militares no continente. Recentemente o congresso do Paraguai reativou um acordo que permite a entrada de militares estadunidense no país para trabalhos de “cooperação”. Os militares terão imunidades semelhantes aos diplomatas e, na prática, é sim a instalação de uma base militar dentro do Paraguai.

No Equador, o presidente Noboa tentou empurrar goela abaixo a retomada pelos gringos da Base de Manta, mas foi impedido pela vontade popular que, numa consulta nacional rejeitou a presença militar estrangeira no país. Ainda assim, segue buscando atuar em conjunto com os estados Unidos, agora sob o pretexto de atacar o narcotráfico.

Na Argentina, o presidente Javier Milei, que já ofereceu até os jovens argentinos para lutar contra o Irã, também está sendo discutido a instalação de bases estadunidenses na região de Ushuaia e Terra do Fogo. Em outubro do ano passado foi autorizada a presença de militares dos EUA no território para realização de exercícios conjuntos.

Não se sabe ao certo quantas bases militares estadunidenses existem na América Latina, mas o número deve se aproximar dos 80. A Base Naval de Guatánamo em Cuba é a mais antiga e bastante simbólica por estar incrustrada na ilha socialista. No Caribe estão espalhadas várias bases com especial atenção para as de Aruba, Curaçao e Porto Rico.

Honduras registra a Base Aérea de Soto Cano, um ponto bastante estratégico para o controle de toda a região da América Central. Panamá, apesar de ter recuperado o controle do canal, ainda cede espaços para militares estadunidenses.

Na Colômbia são mais de nove bases militares, com a desculpa de atuar contra o narcotráfico. O Peru, ainda que não tenha bases, cede diversos pontos do território para operações de inteligência estadunidense. No Uruguai não há bases militares, mas em 2023 o Senado fortaleceu a cooperação em segurança e defesa, incluindo o retorno ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).

O Chile oficialmente não tem base, mas há denúncias de que o Forte Aguayo, inaugurado em 2012, recebeu financiamento estadunidense para abrigar o centro de treinamento para os soldados da ONU, chamados de capacetes azuis. Esse fato levantou várias denúncias de que o Forte seria sim, uma base militar estadunidense, visto que eles têm o controle.

A Bolívia não tem mais nenhuma base estadunidense desde que Evo Morales fechou a Base de Chimoré como medida de soberania. Agora, com o novo presidente , não se sabe o que vai passar. No México não há, a Constituição do país proíbe qualquer base estrangeira no país.

Resta o Brasil, que também não tem base estadunidense em seu território, sendo que esse tema sempre foi motivo de rechaço por parte da população. Ainda assim, o país mantém boas relações com os militares estadunidenses, consolidando acordos de cooperação focados em intercâmbio de tecnologias e lançamentos espaciais na Base de Alcântara. Em vários mapas sobre bases na América Latina, Alcântara aparece como sendo uma delas.

Como dá para perceber, o continente latino-americano está praticamente tomado por bases dos EUA, o que deveria colocar o povo em barbas de molho. Basta ver o que acontece hoje na região do Oriente Médio. Com os Estados Unidos deflagrando ataques sobre o Irã, o Irã tem revidado destruindo suas bases militares nos países vizinhos.

Entregando território nacional para bases estadunidenses os governos dos países da América Latina estão não apenas servindo como serviçais do imperialismo, mas também colocando suas populações em perigo. Afinal, numa eventual guerra, todos estes espaços estarão sujeitos a ataques.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove − 1 =