Niterói reinterpreta passado colonial em ato ‘Veredito Ancestral’ com participação de Aílton Krenak

‘Encontros com Arariboia’ inicia série de eventos sobre presença dos povos indígenas na cidade

No Brasil de Fato

Fundada pelo Cacique Arariboia em 22 de novembro de 1573, a cidade de Niterói (RJ) inicia nos dias 20 a 22 de março uma série de homenagens aos povos indígenas que construíram a cidade. O Encontro com Arariboia movimentará Niterói (RJ) com uma série de debates, intervenções, atividades artísticas, uma feira cultural e uma pedalada com bicicletas pela cidade. Toda programação é gratuita e aberta ao público em geral.

O encontro começa na sexta (20), às 17h, com o “Veredito Ancestral”, um grande ato histórico na faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Reunidos em uma arena de tribunal, os participantes vão julgar os acontecimentos da batalha de Uruçumirim, no século 16, que envolveu forças dos colonizadores portugueses, franceses e diferentes povos indígenas.

Os convidados indígenas passarão a limpo os acontecimentos históricos e as ações do colonialismo neste território que se transformaria no que chamamos hoje de Brasil. Com roteiro da advogada indígena Fernanda Kaingáng (RS), participam do tribunal nomes como o escritor Ailton Krenak (MG), o líder Marcos Terena (MS), a ativista Yakuy Tupinambá (BA) e o representante do Ministério dos Povos Indígenas Karkaju Pataxó (BA), assim como diversas lideranças e ativistas indígenas da região, como Martinha Guajajara, Cacica Jurema Nunes, Carolina Potiguara e Seu Chico (liderança caiçara).

A Batalha de Uruçumirim, travada em 20 de janeiro de 1567 na região do atual Outeiro da Glória, marcou o confronto final entre forças portuguesas e francesas que ocupavam essa região, envolvendo também povos indígenas que formavam a Confederação dos Tamoios e outros povos Tupi, como os temiminó. Entre os representantes temiminó está o Cacique Arariboia, que chegou a se aliar aos portugueses para expulsar os franceses da região naquele período. Como resultado, recebeu terras e fundou a vila de São Lourenço dos Índios, posteriormente convertida na cidade de Niterói. O combate resultou na derrota das forças francesas. Com isso, os colonizadores portugueses garantiram a continuidade do núcleo urbano fundado em 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

“Se temos hoje tantos nomes indígenas em nossos lugares, bairros e cidades, devemos a Cacique Arariboia que lutou por isso. A praça com seu nome no centro de Niterói traz a memória a importância de um líder indígena para a fundação e proteção da cidade do Rio de Janeiro”, disse ao Brasil Fato o escritor Rafael Freitas da Silva, autor do livro Arariboia: O indígena que mudou a História do Brasil.

Segundo uma das curadoras, Daiara Tukano, essa região é “um lugar sagrado” para os povos indígenas. “Antes de qualquer Ibéria e antes de qualquer América, este território é indígena. Nós somos filhos da floresta, do rio, da pedra, da terra”, destaca. De acordo com Daiara, a Baía da Guanabara é atravessada por duas imagens fortes: “A primeira é a das caravelas chegando, uma fronteira que não nos reconheceu como humanos. A segunda é a da cobra grande, que, segundo nossa cosmologia, parou aqui pela primeira vez”.

As comemorações seguem sábado e domingo no Centro Eco Cultural Sueli Pontes com rodas de conversa, atrações culturais, exposição e feira. No sábado (21), haverá apresentação do Coral Guarani de Maricá, do rapper Wescritor e homenagem ao antropólogo niteroiense Roberto DaMatta. No domingo (22), a atração principal é a edição especial do Pedal Cultural com concentração às 8h.

Encontro com Arariboia
Debates, intervenções, atividades artísticas e feira cultural

Quando: 20 a 22 de março (sexta a domingo)

Locais: Faculdade de Direito da UFF e Centro Eco Cultural Sueli Pontes
Pedal Cultural saindo da Praça Arariboia

Programação completa e inscrições: bit.ly/inscricaoarariboia
Entrada gratuita

Editado por: Juliana Passos

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