Estudantes de Direito lançam cartilha “Amazônia sem Racismo” para enfrentar discriminação em Santarém

Iniciativa da Universidade da Amazônia (UNAMA) reúne acadêmicos e especialistas para debater práticas antirracistas e direitos das populações tradicionais

Por Tapajós de Fato

Acadêmicos do curso de Direito da Universidade da Amazônia (UNAMA), em Santarém, lançaram a cartilha educativa “Amazônia sem Racismo: Cartilha de Combate à Discriminação Racial e Promoção dos Direitos Humanos”. 

A iniciativa integra o projeto de extensão “Vivências Amazônidas” e busca fortalecer o debate sobre igualdade racial e práticas antidiscriminatórias na região.

A ação reúne estudantes e especialistas com o objetivo de articular o conhecimento jurídico à realidade amazônica, marcada pela presença de populações indígenas, negras e quilombolas. 

Segundo a coordenadora de Pedagogia da Universidade da Amazônia (UNAMA), Eysimar Vieira, a proposta amplia a formação acadêmica ao dialogar com questões sociais concretas. “É mais um projeto de responsabilidade social que busca, além de trazer o conhecimento para os nossos acadêmicos, discutir uma temática latente no meio social. Falar de discriminação é uma coisa, mas entender o que ela representa dentro dos conhecimentos histórico, cultural e social em que estamos envolvidos é fundamental”, afirmou.

O lançamento contou com palestra da jurista e pesquisadora socioambiental Railana Neres, assessora jurídica do Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). Para ela, a universidade tem papel estratégico na formação de profissionais comprometidos com a redução das desigualdades. “É impossível esgotar o Direito Antidiscriminatório em uma noite, mas queremos plantar sementes de curiosidade para que esses futuros juristas e educadores pesquisem marcos legais e saibam como implementar práticas antirracistas no dia a dia. Precisamos de profissionais sensíveis a essas pautas para ocupar espaços de decisão e formular políticas específicas para populações que, embora sejam maioria demográfica, ainda são minorias em direitos”, destacou.

A cartilha foi elaborada integralmente por estudantes do curso, que analisaram a legislação nacional e as especificidades do território amazônico. O acadêmico Johnny Costa, do sétimo semestre, destacou a importância de dar visibilidade a temas ainda pouco debatidos. “Nosso projeto busca trazer a realidade amazônica e seu lado jurídico, que possui peculiaridades únicas. A cartilha surgiu para dar visibilidade a temas que muitas vezes sofrem um processo de invisibilização em nível nacional”, afirmou.

O presidente da Liga Acadêmica de Direito Civil e Processo Civil (LADIPC), Jobert Cunha, ressaltou a importância do conhecimento jurídico para a defesa de direitos. “Vimos casos recentes de luta de comunidades indígenas e quilombolas na nossa região, como no caso da Cargill e questões de regularização fundiária. Eles lutaram porque tinham conhecimento. Se eu buscar esse saber na universidade, estarei mais preparado para atuar como jurista”, disse.

Para a acadêmica Eduarda Froes, do terceiro semestre, o projeto amplia o olhar sobre a diversidade amazônica. “O que mais me chama a atenção é que o projeto não abrange apenas um grupo, mas toda a população amazônida, incluindo indígenas e negros. Ele traz a importância do estudo focado na nossa região”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × um =