Operação federal apreende matéria-prima e encurrala garimpo na Terra Sararé

Agentes que fazem parte da megaoperação realizam monitoramento e apreensão de materiais irregulares

No MPI

“Sem combustível, o garimpo não funciona! ” A afirmação é do coordenador da Operação de Desintrusão da Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, promovida pelo Governo do Brasil. Nesta segunda-feira (6), a megaoperação federal completou duas semanas e o coordenador Nilton Tubino informou que a desestruturação dos insumos que são usados na atividade garimpeira é uma das ações mais importantes para inviabilizar a continuidade da ação ilegal dos garimpeiros.

Os números expressos em novo relatório mostram que a megaoperação, em apenas duas semanas, já faz frente aos criminosos. Foram inutilizados 80 quilos de explosivos, 20 mil litros de diesel e 4 mil litros de gasolina. “Gerador e motor só funciona com combustível. Sem isso, o garimpo não se viabiliza. O nosso foco é seguir ampliando fiscalizações e repressões para aumentar o prejuízo à atividade ilícita, inviabilizar e retirar os invasores persistentes”, afirmou Tubino.

Além das apreensões dentro da Terra Indígena, as equipes da força-tarefa atuam em toda região, estendendo o raio de atuação para identificar possíveis ‘redes de apoio’, como é o caso de postos de gasolina autuados por irregularidades.

Na última semana, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lacrou um posto de combustível localizado no município de Cárceres/MT por indícios de irregularidades na aquisição e venda de combustível. Além de o estabelecimento ter sido interditado, os agentes retiraram dois reservatórios de combustíveis desta unidade, com capacidade para armazenar 70 mil litros em cada um, com intuito de suspender a atividade e evitar reincidências de fraudes.

Antes, um outro posto de combustíveis, localizado no município de Pontes e Lacerda, nomeado como “Posto Tio Sam”, também foi autuado. Segundo relatório da Agência, foram identificadas movimentações atípicas na aquisição de combustíveis, com volume superior ao que consta em notas fiscais e, ainda, o funcionamento sem a devida autorização da ANP. O documento diz: “Sua localização estratégica e estrutura observada indicam forte potencial de utilização como ponto de apoio logístico para abastecimento de garimpo ilegal”.

Outro dado relevante no fechamento destes dois postos foi a identificação de sócios sendo também responsáveis pela revenda irregular em ponto estratégico na rodovia BR 070, km 663. Conforme dados da ANP, este local, razão social Auto Posto J. F. Ltda, não registra aquisição de combustíveis desde o ano de 2023, sendo mais um indício de destinação às atividades de garimpo ilegal.

Desde que foi deflagrada, a megaoperação realizou 310 ações, que incluem fiscalizações, operações aéreas, terrestres, fluviais. O prejuízo estimado até o momento aos garimpeiros chega a R$36,9 milhões, com a inutilização de 64 acampamentos, 220 motores de garimpo, 92 geradores, 38 motocicletas, 69 maquinários leves, entre outros.

A megaoperação do Governo do Brasil é promovida com a integração do trabalho de órgãos como a Casa Civil, que coordena a desintrusão, o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o Ministério da Defesa, a Abin, a AGU, o Ibama, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional e o Censipam, entre outros órgãos.

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