A emboscada: as eleições presidenciais de 2026 sob o cerco imperialista de Trump

Por Julia Almeida Vasconcelos da Silva, no blog da Boitempo

Quando olhamos e analisamos o passado através da história, é possível que fique absolutamente nítido o fio invisível que encadeia determinados acontecimentos. Evidentemente, não há entre eles mera relação de causa e efeito, pois sempre temos inúmeras variáveis, sobretudo quando se trata de política, que envolve a ação humana mobilizada pelo afeto e, portanto, imprevisibilidade. Alguns “e se…” permanecem no ar e poderiam ter alterado a história. Mas, à guisa das indefinições, temos inexoravelmente a base material desses movimentos. Às vezes, essa materialidade se expressa tão somente em pequenas fissuras ou imperceptíveis abalos sísmicos em rígidas rochas; em outras, o movimento das grandes placas tectônicas e seus abalos são inquestionáveis. Estamos experimentando um desses grandes acontecimentos, e seus desdobramentos serão significativos para as eleições de 2026 e as disputas políticas do próximo período.

Trump declarou na quinta-feira, 28 de maio, que as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) seriam classificadas como terroristas, expandindo significativamente as ferramentas para combatê-las. O seu enquadramento como Foreign Terrorist Organization – FTO (Organizações Terroristas Estrangeiras) e também como Specially Designated Global Terrorist – SDGT (Terroristas Globais Especialmente Designados) permite aos EUA aplicar parte do aparato jurídico e financeiro do combate ao terrorismo contra essas organizações, sob o argumento de risco direto à segurança nacional do país.

Essa é a mesma designação que Trump utilizou para fechar o cerco a outros países na América Latina, sobretudo na sua intervenção na Venezuela. Foi exatamente após o enquadramento do dito “Cartel de los Soles” como organização terrorista e as acusações de envolvimento de Maduro com o grupo (hoje comprovadamente mentirosas) que Trump organizou primeiro o cerco marítimo e, depois, o sequestro do presidente após uma operação direta no território venezuelano.

Portanto, após esses últimos acontecimentos, não restam dúvidas de que as eleições de 2026 no Brasil estarão no centro de uma disputa tanto do ponto de vista dos interesses do bloco da extrema direita atual quanto do controle do imperialismo na região. Os EUA manejam esses dois elementos que, apesar de serem indissociáveis numa análise de fundo, possuem dinâmicas muitas vezes contraditórias, tendo em vista inclusive as próprias tensões das burguesias no capitalismo e a relação entre “império” e periferia.

É imprescindível entendermos as tensões que estas duas forças, extrema direita e imperialismo, exercem no contexto atual para identificarmos tanto seus pontos de convergência total (talvez uma tempestade perfeita, para o nosso azar) quanto suas possibilidades de atuação contraditória, que podem permitir às forças progressistas brasileiras ganhar tempo e vencer as próximas eleições.

O Imperialismo como permanência histórica do capitalismo global

No prefácio às edições alemã e francesa de Imperialismo, estágio superior do capitalismo, Lênin argumenta que é uma ilusão imaginar o capitalismo como compatível com a democracia, a pequena propriedade privada e a livre concorrência. A própria dinâmica concorrencial tende à concentração econômica e à formação de monopólios, aprofundando a exploração dos trabalhadores e a subordinação dos países periféricos. Nesse processo, a expansão do capital projeta para fora de suas fronteiras as disputas por mercados, recursos e áreas de influência, produzindo tendências permanentes ao colonialismo e à guerra.

Dentro do prisma da Nova Ordem Internacional, construída através dos organismos multilaterais desde o pós-guerra, mas atingindo seu ápice com o fim da URSS e a supremacia inconteste dos EUA no globo, a ordem liberal emanada desses organismos conseguiu manter uma dominação ideológica segundo a qual o Direito Internacional garantia as regras do jogo que serviam para manter as coisas exatamente dentro da Ordem.

Acreditava-se que as condições para um tipo de intervenção mais direta dos EUA eram uma ameaça longínqua, que a soberania era uma realidade mais sólida e que a geopolítica inibia de forma contundente essas movimentações. O fim da URSS e uma certa noção de supremacia ianque inconteste permitiram essa leitura. Em verdade, diversos manejos não tão pontuais foram sendo desconsiderados, como a permanência da política da guerra, em especial no Oriente Médio, onde a disputa do petróleo manteve sua centralidade (como nos casos do Iraque e do Afeganistão, além do apoio às guerras de Israel e à colonização da Palestina).

No continente americano, a prioridade da América Latina para a política imperialista norte-americana é incontestável e resulta das disputas em torno da soberania dos países do continente ao longo de todo o século XX. Seja pela política do Big Stick (“grande porrete”), seja pela formulação mais sofisticada da Doutrina Monroe, a ideia da “América para os americanos” (isto é, para os estadunidenses) esteve no centro da consolidação dos EUA como principal potência capitalista do pós-guerra.

As políticas de desestabilização, boicote e desmantelamento de qualquer projeto que buscasse construir soberania nacional e retirar países de uma posição periférica na ordem internacional foram uma constante da atuação dos EUA. As ditaduras militares latino-americanas constituíram a expressão mais acabada dessa lógica: com apoio estadunidense, foram depostas forças políticas que lutavam pelo socialismo ou mesmo por projetos desenvolvimentistas que buscavam alcançar maior autonomia tecnológica e alterar sua inserção subordinada no capitalismo global. Em outras palavras, até mesmo tentativas de consolidação de burguesias nacionais, sem ruptura direta com a ordem capitalista, eram percebidas como ameaça. Isso porque o capitalismo internacional depende da existência de periferias e de relações desiguais de desenvolvimento. A financeirização e a transnacionalização das burguesias nacionais foram elementos centrais para a manutenção dessa ordem sob a hegemonia dos países centrais.

Na América Latina, após o fim das ditaduras militares, houve um relativo recuo das formas mais explícitas de intervenção dos EUA no continente. Os novos ventos pareciam indicar uma mudança de prumo, uma nova forma de navegação. Mesmo que, já nos anos 2000, o cerco à Venezuela e as tentativas de desestabilização de seu governo e a manutenção do bloqueio a Cuba demonstravam a permanência da política imperialista.O imperialismo, enquanto tendência histórica, sempre constituiu uma das expressões mais violentas do capital, ainda que frequentemente tenha se apresentado sob as bandeiras da liberdade, do livre mercado e da democracia. O elemento novo introduzido pela extrema direita contemporânea (e particularmente por Trump) parece ser menos uma ruptura com essa lógica do que o abandono progressivo de suas mediações ideológicas. A violência deixa de ser apenas um instrumento oculto da dominação para se afirmar cada vez mais como política explícita.

O cerco imperialista de Trump no contexto da ascensão da extrema direita

Estamos diante de uma dessas grandes inflexões históricas em que múltiplos processos se condensam e aceleram transformações políticas profundas. O futuro permanece em aberto, pois a ação humana em concreto ainda está em desenlace (e em disputa). Ainda assim, é possível identificar tendências estruturais. O capitalismo atravessa não apenas mudanças em seu padrão de acumulação, mas também um processo de reorganização de sua forma política. Nesse contexto, a ascensão da extrema direita aparece como uma resposta às transformações das últimas décadas e como instrumento de ampliação das fronteiras, “sem limitações”,de acumulação do capital. Na disputa entre as classes, ela representa uma forma de dominação com menos mediações e menor disposição para concessões aos trabalhadores. O aprofundamento da política imperialista de Trump e os desafios colocados à reeleição de Lula devem ser compreendidos nesse mesmo movimento histórico.

As mudanças estruturais da acumulação do capitalismo nos últimos anos, com uma nova revolução tecnológica através da era digital e, hoje, da IA, alteram inclusive a forma de propaganda, comunicação e organização social através das redes sociais. Nesse contexto, os mecanismos tradicionais de conciliação passaram a enfrentar limites cada vez mais evidentes.

Ocorre que, assim como na política interna dos Estados nacionais, as mediações se tornam cada vez mais difíceis de sustentar no plano internacional. A derrota da URSS e do chamado socialismo real alterou profundamente a correlação de forças global. A luta de classes acumulou derrotas importantes, sobretudo no Ocidente. Com o aprofundamento do neoliberalismo nas últimas décadas, o processo de desindustrialização e dessindicalização, a precarização do trabalho e o enfraquecimento dos sistemas de proteção social produziram sociedades mais desiguais e tensionadas. A convergência de crises (econômica, ambiental, política) acelera processos de reformulação da política, inaugurando um novo período em especial a partir de 2008.

A adoção de uma política externa mais agressiva tem sido uma das marcas centrais do segundo governo Trump, processo que alguns analistas classificam como uma espécie de Doutrina Monroe 2.0. Para além da radicalização discursiva característica da extrema direita, observa-se um aprofundamento das práticas de pressão econômica, diplomática e geopolítica dos EUA. As eleições brasileiras de 2026 ocorrerão nesse contexto. O tarifaço, as pressões sobre temas estratégicos da economia nacional e as manifestações recorrentes acerca da política externa brasileira já fazem parte do ambiente em que a disputa eleitoral será travada.

Há, porém, um aspecto particularmente relevante desse processo. Os EUA, principais promotores da ordem liberal internacional ao longo das últimas décadas, passaram a conduzir o desgaste dessas instituições de maneira cada vez mais explícita. Evidentemente, a história norte-americana sempre ofereceu razões para questionar a imagem de “maior democracia do mundo”: o encarceramento em massa, a segregação racial, a violência contra movimentos sociais, a perseguição a lideranças políticas e a discriminação contra imigrantes revelam limites históricos dessa narrativa. Ainda assim, o fenômeno atual possui características próprias e vai além da simples exposição dessas contradições.

Não se trata apenas das contradições inerentes à democracia liberal, que se apresenta como imparcial ao mesmo tempo em que organiza e protege os interesses das classes dominantes. O que observamos agora é um questionamento crescente dos próprios mecanismos de mediação que sustentaram essa forma de dominação. A crise não atinge apenas o conteúdo da ordem liberal, mas também suas formas tradicionais de legitimação.

A própria natureza da dominação burguesa passa por um processo de transformação. Diferentemente do nazifascismo da década de 1930, essa inflexão ocorre a partir do centro do sistema capitalista mundial e é impulsionada pela principal potência econômica do planeta. Por isso, trata-se de um fenômeno que não pode ser explicado apenas pelas particularidades de Trump ou da extrema direita norte-americana. Ele revela tendências mais profundas do capitalismo contemporâneo. A tendência autocrática tende, portanto, a se aprofundar nos próximos anos. Afinal, como sabia Lênin, capitalismo não tem nada a ver com a liberdade, nem mesmo a de mercado.

A emboscada de Trump e as eleições de 2026 no Brasil

De forma sucinta, sem a pretensão de esgotar dois temas centrais da análise contemporânea — a natureza da extrema direita e o novo momento do imperialismo norte-americano —, buscamos construir até aqui uma compreensão mínima de como essas duas tendências se articulam e integram um mesmo fenômeno histórico.

Os interesses do imperialismo norte-americano são mais complexos do que uma simples identificação política com a extrema direita. O elemento decisivo continua sendo a preservação de seus interesses econômicos, estratégicos e geopolíticos no Brasil. Por isso, o alinhamento entre Trump e a família Bolsonaro não ocorrerá automaticamente em razão da afinidade ideológica. As posições assumidas por Lula no campo progressista latino-americano, assim como as disputas em torno de temas estratégicos (como terras raras, petróleo e instrumentos de soberania financeira, entre eles o PIX), fazem parte dessa equação. Embora a família Bolsonaro permaneça como parceira preferencial de Trump no Brasil, a correlação de forças atual não necessariamente permite uma aposta exclusiva nessa aliança.

A relação de Trump com a família Bolsonaro ilustra bem essa dinâmica. Ao mesmo tempo em que oferece apoio político, também impõe limites e demonstra, reiteradamente, qual é o grau de subordinação que espera de seus aliados na América Latina. Sua retórica de restauração da grandeza norte-americana pressupõe uma ordem internacional mais hierárquica e menos baseada em mediações. Nesse sentido, lideranças como Bukele, Milei e Noboa ocupam posições de alinhamento que pressupõem o reconhecimento dessa liderança. Quando considera necessário, Trump faz demonstrações públicas de força para reafirmar essa hierarquia, como ocorreu na Venezuela e pode voltar a ocorrer em outros países da região.

Além disso, os interesses dos EUA na periferia do sistema internacional continuam vinculados à contenção de projetos que ampliem margens de soberania nacional. No entanto, o cenário internacional atual impõe limites à atuação norte-americana. A presença da China, o papel da Rússia e a posição estratégica ocupada pelo Brasil nos BRICS tornam mais custosa qualquer forma de intervenção aberta e sem justificativas políticas. O cinismo é uma ferramenta indispensável para Trump no caso brasileiro, e é assim que ele tem agido.

Não parece haver, neste momento, condições para uma estratégia de confronto total por parte dos EUA. Ainda assim, os acontecimentos recentes aumentam significativamente a pressão sobre o Brasil. O recado implícito é que a margem de negociação com Washington passa a ocupar papel cada vez mais relevante na dinâmica política dos próximos meses. Independentemente de como essa pressão venha a se manifestar, ela muda o tabuleiro do jogo para a disputa eleitoral de 2026 e altera parte das condições em que ela será travada.

É nesse sentido que a declaração de Trump sobre enquadrar PCC e CV como organizações terroristas amplia a lógica e o arcabouço da política da Guerra às Drogas. A noção do “narcoterrorismo” auxilia o novo momento de intervenção de Trump na América Latina, juntamente com a política anti-imigratória. Mesmo antes do anúncio, os sinais já estavam presentes. As deportações em massa, a escalada da perseguição a imigrantes, as ameaças a Cuba, a criação da CALC sob o argumento do combate ao narcoterrorismo e as recentes demonstrações de força na política externa apontam para uma estratégia mais ampla. Não se trata de mero blefe ou retórica eleitoral. Trata-se de uma tentativa de recuperar, pela força e pela pressão direta, a capacidade de liderança dos EUA em um cenário internacional cada vez mais acirrado. Ainda que suas chances de êxito sejam limitadas, essa estratégia pode ampliar sua margem de manobra e ganhar tempo diante da disputa global em curso.

A rigor, esse tipo de enquadramento não autoriza intervenções diretas em território estrangeiro, uma vez que isso violaria frontalmente o direito internacional. No entanto, a experiência recente da Venezuela demonstra que a existência de limites jurídicos formais não impede necessariamente ações unilaterais por parte dos EUA. Décadas de deslegitimação política do governo venezuelano criaram condições para iniciativas que não sofreram consequências relevantes no sistema internacional, mesmo diante de controvérsias e fragilidades dos argumentos utilizados para justificá-las.

Formalmente, esse novo enquadramento amplia os instrumentos de inteligência, monitoramento financeiro, cooperação policial e colaboração militar disponíveis aos EUA. Também pode abrir espaço para novas formas de pressão econômica e diplomática sobre indivíduos, organizações e governos considerados estratégicos. Na prática, Trump coloca uma arma apontada para Lula em meio à disputa eleitoral pela sua reeleição. Isso não é à toa. Já estamos sob intervenção imperialista direta: é a partir dessa lente que devemos interpretar e debater as eleições de 2026, que se desenvolvem sob a influência crescente da ofensiva imperialista conduzida por Trump. A questão deixa de ser se haverá intervenção e passa a ser quais formas ela assumirá.

Conclusão

Para as eleições de 2026, o governo Lula busca ampliar sua base de apoio por meio de medidas como o fim da escala 6×1, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e outras iniciativas voltadas à recuperação de sua popularidade e capacidade de mobilização social.

O problema, contudo, é mais profundo. O capitalismo atravessa um período de transformação estrutural e isso ajuda a explicar por que mecanismos políticos que antes produziam resultados relativamente previsíveis já não funcionam da mesma maneira. Melhorias em indicadores econômicos continuam relevantes, mas parecem insuficientes para produzir os mesmos efeitos políticos de outros períodos. Explicações centradas apenas na comunicação, nas redes sociais, na inflação ou na recuperação da renda capturam apenas parte do problema. Há mudanças mais profundas em curso que alteram as formas de construção de legitimidade política e de organização do consenso social.

O ponto é que a luta de classes está em ebulição, mesmo em um contexto de menor organização da classe trabalhadora e de enfraquecimento das redes coletivas de solidariedade. A forma de mediação construída pela democracia liberal atravessa uma crise crescente. Seus mecanismos perdem eficácia tanto no plano ideológico e institucional quanto diante de uma dinâmica econômica que pressiona permanentemente pela abertura de novas fronteiras de acumulação.

O governo Lula 3 enfrentou desafios muito distintos dos primeiros dois mandatos. Apostar na mesma receita seria um erro. A reeleição de Lula agora estará no epicentro de um processo grande de transformação — não é meramente conjuntural; não voltaremos ao mesmo lugar do mesmo jeito. A disputa pela reeleição ocorre em meio a mudanças estruturais que ultrapassam a conjuntura imediata e apontam para uma reorganização mais ampla da política e da economia mundial.

No famoso mito grego, Sísifo consegue enganar a morte, mas é condenado por Zeus a empurrar eternamente uma enorme pedra até o topo de uma montanha. Sempre que se aproxima do cume, a pedra rola novamente para baixo, obrigando-o a reiniciar seu esforço. Ao longo da história, essa alegoria recebeu inúmeras interpretações. No contexto deste texto, ela remete à busca recorrente por soluções para crises que permanecem circunscritas aos limites do próprio capitalismo. Repetidamente, quando a sociedade parece alcançar um novo patamar, as estruturas de dominação se reorganizam e recolocam antigos impasses sob novas formas. A proximidade do topo produz a sensação de êxito, mas a pedra continua destinada a retornar ao ponto de partida. Diferentemente de Camus, não creio ser possível encontrar Sísifo feliz, porque compreender o absurdo não nos liberta. A questão não é do plano das ideias. Em algum momento, será necessário romper a pedra, fazer greve contra Zeus ou, no nosso caso, inventar outra estratégia coletiva capaz de interromper o ciclo.

Referências

LENIN, Vladimir Ilich. Imperialismo: estágio superior do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2021.

LUXEMBURGO, Rosa. A acumulação do capital: contribuição ao estudo econômico do imperialismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2024.

MATTEI, Clara E. A ordem do capital: como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo. São Paulo: Boitempo, 2023.

LÖWY, Michael. Crise ecológica, crise capitalista, crise de civilização: a alternativa ecossocialista. Caderno CRH, Salvador, v. 26, 67, p. 79-86, Jan./Abr.2013.

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Julia Almeida Vasconcelos da Silva é doutoranda em direito pela USP, advogada e pesquisadora no CAAF/Unifesp. Autora do livro A militarização da política no Brasil contemporâneo (Alameda, 2023).

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