Produção lançada em julho reúne histórias de três quilombos do Baixo Amazonas e apresenta a arqueologia como ferramenta de fortalecimento da identidade e da resistência
Por Tapajós de Fato
O lançamento do mini documentário “Arqueologia Sankofa: Meu Quilombo, Saberes Ancestrais”, realizado em julho durante a programação da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB Norte), na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), marcou mais um passo na valorização da memória e da história dos quilombos da região do Baixo Amazonas, em Santarém.
A produção apresenta as histórias, memórias e vivências das comunidades quilombolas de Murumurutuba, João Pereira e Saracura, mostrando como a arqueologia, construída a partir da visão dos próprios moradores e dos mais velhos, contribui para fortalecer a identidade, a preservação da memória e a relação com o território.
O documentário é resultado do projeto “Arqueologia Sankofa: Meu Quilombo, Saberes Ancestrais”, iniciativa que promove formação patrimonial em comunidades quilombolas e busca ampliar o protagonismo dessas populações na construção de sua própria história. O projeto também pretende produzir materiais didáticos para as comunidades a partir de pesquisas arqueológicas e históricas desenvolvidas no território.
O nome Sankofa faz referência a um símbolo da cultura Akan, de Gana, que significa “voltar e buscar”, ensinando que é preciso olhar para o passado para construir o futuro. Esse princípio orienta todo o trabalho desenvolvido pelo projeto desde 2017, unindo pesquisa científica, tradição oral e participação comunitária.
A iniciativa nasceu da inquietação da arqueóloga e quilombola Rafaela Pinto, que, ao ingressar no curso de Arqueologia da Ufopa, percebeu a escassez de estudos sobre os quilombos de Santarém. A partir dessa constatação, iniciou pesquisas baseadas na oralidade, na memória dos mais velhos e nos vestígios arqueológicos presentes nos territórios, trabalho que mais tarde passou a contar também com a participação da pesquisadora quilombola Elaine Pinto e do pesquisador Tarcísio Vandekoken.
Patrocinado pela Lei Aldir Blanc, por meio do programa INÃ, da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Governo do Pará, Ministério da Cultura e Governo Federal, o mini documentário tem produção da Formiga de Fogo Filmes e reforça o protagonismo quilombola na produção de conhecimento e amplia o debate sobre patrimônio, memória e identidade no oeste do Pará.
Assista o documentário.




