O Decreto 12.600/2025 completaria um ano neste 28 de agosto. As ameaças e a defesa do Tapajós continuam
Desde a publicação do Decreto 12.600, em agosto de 2025, diferentes medidas adotadas por órgãos públicos avançaram sobre o Rio Tapajós sem garantir direitos fundamentais dos povos indígenas e comunidades tradicionais. O decreto, que incluiu as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, sob o argumento de modernizar a navegação por meio da concessão das hidrovias, foi acompanhado de sucessivas violações de direitos.
Em paralelo, povos indígenas — em especial, do Baixo Tapajós —, organizações sociais, mandatos populares, universidades e outros atores têm buscado resistir ao avanço da mercantilização dos rios.
Este dossiê reúne os principais marcos dessa trajetória e mostra que a disputa nunca foi apenas sobre um decreto, mas sobre um modelo de desenvolvimento que insiste em ignorar a vida, os povos, territórios e direitos.
As imagens dessa resistência também ganharam o mundo. Registros das mobilizações dos povos do Tapajós circularam amplamente durante a COP30, e a fotografia das lideranças diante do terminal da Cargill, em Santarém, tornou-se um símbolo da resistência dos povos em defesa do rio e de seus territórios. Por isso, este é também um dossiê visual: para preservar a memória de uma luta que foi às ruas, ocupou espaços públicos e fez o Tapajós ser visto e ouvido para além da Amazônia.
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O que este dossiê revela
Ao acompanhar os acontecimentos desde antes da publicação do Decreto 12.600/2025 até julho de 2026, é possível identificar um padrão: sucessivas tentativas de avançar com obras de dragagem e de concessão da hidrovia, mesmo diante da ausência de consulta prévia, do enfraquecimento do licenciamento ambiental e de alertas emitidos pelo Ministério Público Federal.
Ao mesmo tempo, o período foi marcado por uma forte mobilização dos povos do Tapajós, que ocuparam espaços públicos, denunciaram violações e conquistaram uma importante vitória: a revogação do decreto. Mesmo assim, novas medidas voltaram a ameaçar o rio poucos meses depois.
Esta memória visual fala de um tempo presente, de uma luta e de violações cotidianas que não devem ser esquecidas. É também o registro de uma resistência que continua e que inspira povos e comunidades em diferentes territórios do Brasil.




