Espaço na Feira reúne experiências de Economia Solidária que aproximam campo e cidade
Por Ádrya Sophia Terto Souza, Michael Nascimento Borges, Maurício Pereira Monteiro e Matheus Melo de Albuquerque, da cobertura colaborativa da 25ª Feira da Reforma Agrária, no MST
A 25ª edição da Feira da Reforma Agrária em Maceió (AL) se apresenta como um espaço de comercialização, troca de experiências e valorização da produção realizada por agricultores, artesãos e trabalhadores envolvidos em iniciativas coletivas. Mais do que aproximar produtores e consumidores, a Feira possibilita o contato com diferentes formas de organização do trabalho e de geração de renda.
Entre essas iniciativas estão as ações da Economia Popular e Solidária, que possui uma relação direta com a agricultura familiar e camponesa. De acordo com Weldja Marques, agente territorial de Economia Popular e Solidária, essa forma de organização vai além da ideia de que a economia solidária está restrita ao artesanato produzido e comercializado nos espaços urbanos. Ela envolve relações de cooperação e solidariedade presentes em diferentes etapas da produção.
“Produzimos e também nos organizamos de forma cooperada”, explica Weldja,destacando que esse modelo pode estar presente na produção de alimentos saudáveis nas comunidades rurais. Segundo ela, a construção da Economia Solidária se estabelece como uma estratégia de organização coletiva que fortalece a produção e o trabalho desenvolvido pelas famílias.
Um exemplo dessa organização pode ser encontrado no Centro de Educação e Apoio à Mulher e ao Idoso (CEAMI), presente na Tenda da Economia Popular e Solidária Paul Singer, na 25ª Feira da Reforma Agrária na Praça dos Martírios, no Centro de Maceió.
Segundo Ana Karine, integrante do coletivo de Economia Solidária apoiado pelo CEAMI, o grupo surgiu a partir de atividades que as mulheres já desenvolviam individualmente como a produção de brincos, toalhas e peças de crochê,e passou a ser organizado de forma coletiva com o apoio da entidade.
Com o apoio do CEAMI esse grupo se tornou uma alternativa de desenvolvimento e geração de renda. O crochê e as outras formas de artesanato, nesse contexto, são utilizados como uma forma dé estimular a autonomia econômica das participantes.
Além das ações relacionadas à economia solidária, o CEAMI atua em diferentes áreas de apoio à comunidade, desenvolvendo atividades de assistência social, cultura e interação social, além de ações voltadas à população idosa. A entidade também foi diretamente afetada pelo caso da Braskem em Maceió, relacionado à exploração de sal-gema, que provocou impactos no território e levou à necessidade de mudança de sua sede.
Participam ainda do espaço da Tenda Paul Singer seis empreendimentos de economia solidária e popular que atuam nas mais diversas formas de organização e produção e que desenvolvem parcerias com o MST no último período.
A presença desses empreendimentos fortalecem ainda mais a relação campo e cidade a partir da produção, cooperação e ações comunitárias na perspectiva da geração de emprego e renda.
Para Nicole Mafra, uma das voluntárias que atua na edição de 2026 da Feira, o espaço também vai além da comercialização, funcionando como um ponto de encontro entre diferentes setores, incluindo manifestações artísticas.
Nessa relação, a Feira da Reforma Agrária articula produção, geração de renda, alimentação, cultura e organização coletiva, aproximando a comunidade de iniciativas baseadas na agricultura familiar e na economia solidária.
A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas.
Editado por: Vítor Peruch




