Cimi divulga posicionamento do Seminário Nacional de Formação e alerta para ameaças à democracia e aos direitos indígenas

Documento denuncia a interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e convoca a sociedade a rejeitar, nas urnas, o projeto da extrema direita

Cimi

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) tornou público o posicionamento aprovado durante o seu Seminário Nacional de Formação, realizado de 14 a 17 de setembro, em Luziânia (GO). Em meio ao contexto eleitoral, a organização afirma que se viu impelida, por sua missão em defesa da vida, a se manifestar diante das graves ameaças à soberania e à democracia, da violência que se reproduz nos territórios e dos contínuos e orquestrados ataques aos direitos dos Povos Indígenas.

No documento, o Cimi analisa o cenário internacional e aponta que a disputa pela hegemonia global, marcada pelo declínio do império norte-americano diante do avanço da China, tem levado os EUA a avançar sobre nações soberanas consideradas estratégicas para os seus interesses. Segundo a entidade, essa ofensiva se dá por meio de guerras, sanções econômicas, sobretaxas a produtos importados e interferência direta em processos eleitorais, em total desrespeito aos tratados internacionais.

O Cimi denuncia que a política dos EUA representa grave risco à soberania nacional, inclusive com sanções a autoridades brasileiras, e interfere diretamente no processo eleitoral

A América Latina, afirma o texto, é considerada estratégica pelo governo norte-americano para o controle de riquezas naturais como as terras raras e o petróleo, além das relações comerciais com os países da região. Para garantir governos subservientes, os EUA se aliam e financiam forças políticas da extrema direita.

No caso brasileiro, o Cimi denuncia que a política dos EUA representa grave risco à soberania nacional, inclusive com sanções a autoridades brasileiras, e interfere diretamente no processo eleitoral, marcado por ataques à democracia e pela desestabilização das instituições, em continuidade à tentativa de golpe de Estado que teve seu ápice em 8 de janeiro de 2023.

Territórios indígenas no centro da disputa

O documento destaca que os territórios dos povos indígenas estão no centro dessa disputa. O ataque sistemático aos seus direitos, como a tese do marco temporal, o pagamento da terra nua e a retenção de posse dos invasores, somado às inúmeras proposituras no Congresso Nacional que afrontam a autonomia dos povos originários, faz parte da estratégia de disponibilizar as riquezas naturais dessas terras para a apropriação privada e a acumulação do capital, especialmente diante do interesse crescente na exploração mineral, incluindo as terras raras.

Como reflexo direto, o Cimi aponta a extrema violência que se reproduz nos territórios e atinge lideranças e comunidades indígenas em luta pela garantia de seus direitos, conforme demonstra o Relatório de Violência da entidade.

Apelo ao voto e reafirmação da luta

Diante desse cenário, o Cimi classifica as eleições gerais como cruciais para a garantia dos direitos fundamentais do povo brasileiro e para o futuro do país. A entidade conclamou a população a rejeitar, por meio do voto, os candidatos e as candidatas da extrema-direita para Presidente da República, Governador de Estado e para o Parlamento, bem como o seu projeto reacionário, entreguista, racista e autoritário, amparado em discursos de ódio e em mentiras difundidas maciçamente pelas redes sociais.

O posicionamento também reafirma a força da caminhada coletiva do movimento indígena. Ao ouvir e acolher as experiências de resistência, espiritualidade e luta trazidas pelos povos presentes ao seminário, o Cimi declarou que cada depoimento fortaleceu a memória ancestral e renovou a esperança na organização comunitária, demonstrando que, mesmo perante a opressão sistemática, os povos originários seguem de pé na defesa inegociável de seus direitos e de suas terras.

A entidade reafirmou todo o seu apoio à demarcação e à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e às suas estratégias de luta e resistência, e convocou toda a sociedade a se somar a esse esforço, na perspectiva de um Brasil plural, democrático e soberano.

Leia a carta na íntegra:

Posicionamento do Cimi — Seminário Nacional de Formação

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), por ocasião do seu Seminário Nacional de Formação, realizado de 14 a 17 de setembro, em Luziânia (GO), em meio ao contexto eleitoral, é impelido por sua missão em defesa da vida a se manifestar publicamente diante das graves ameaças à soberania e à democracia, frente à violência que se reproduz nos territórios e aos contínuos e orquestrados ataques aos direitos dos Povos Indígenas.

A hegemonia dos EUA, ameaçada pela China, levou a uma disputa pelo controle das riquezas estratégicas para a reprodução do capitalismo, gerando uma grave crise mundial que afeta a soberania dos países. O império norte-americano em declínio busca desesperadamente se manter, avançando sobre nações soberanas consideradas estratégicas para os seus interesses, utilizando-se do ataque direto por meio da guerra, de sanções econômicas, de sobretaxas aos produtos importados e da interferência nos processos eleitorais, em total desrespeito aos tratados internacionais.

Nessa disputa, a América Latina é considerada estratégica pelo governo dos EUA para o controle de suas riquezas naturais, como as terras raras e o petróleo, bem como das relações comerciais com os seus países. Aliam-se a isso as forças políticas da extrema-direita, para garantir governos subservientes.

No Brasil, a política dos EUA, além do grave risco que representa à soberania do país, inclusive com sanções a autoridades brasileiras, tem interferência direta no processo eleitoral, marcado por ataques à democracia com a desestabilização de suas instituições, em continuidade à tentativa de golpe de Estado que teve seu ápice em 08/01/2023.

Os territórios dos povos indígenas estão no centro dessa disputa. O sistemático ataque aos seus direitos, como a tese esdrúxula do marco temporal para consolidar o esbulho definitivo de suas terras, do pagamento da terra nua e da retenção de posse dos invasores, e as inúmeras proposituras no Congresso Nacional (vide plataforma Congresso Anti-indígena do Cimi) que afrontam a sua autonomia, fazem parte da estratégia de disponibilizar as riquezas naturais nelas existentes para a apropriação privada e a acumulação do capital, ainda mais diante do interesse crescente de exploração mineral, inclusive das terras raras.

O reflexo direto nos territórios são as situações de extrema violência que se reproduzem e atingem lideranças e comunidades indígenas em luta pela garantia dos seus direitos, como demonstra o Relatório de Violência do Cimi.

Neste contexto, as eleições gerais são cruciais para a garantia dos direitos fundamentais do povo brasileiro e para o futuro do país. É imprescindível rejeitar, por meio do voto, os candidatos e as candidatas da extrema-direita para Presidente da República, Governador de Estado e para o Parlamento, bem como o seu projeto reacionário, entreguista, racista e autoritário, amparado em discursos de ódio e de mentiras difundidas maciçamente pelas redes sociais.

Diante das graves violações e violências contra as suas vidas e territórios, explicitadas durante o seminário, o Cimi reafirma a força da caminhada coletiva ao ouvir e acolher as potentes experiências de resistência, espiritualidade e luta trazidas pelos povos indígenas presentes. Cada depoimento partilhado fortaleceu a memória ancestral e renovou a esperança na organização comunitária, demonstrando que, mesmo perante a opressão sistemática, os povos originários seguem de pé na defesa inegociável de seus direitos e de suas terras.

Reafirma igualmente todo o seu apoio à demarcação e à garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e às suas estratégias de luta e resistência, e convoca toda a sociedade a se somar a esse esforço, na perspectiva de um Brasil plural, democrático e soberano.

Luziânia, 17 de setembro de 2026

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