No UOL
O que era apenas uma desconfiança, agora ficou escancarado. A Meta está atuando para beneficiar a campanha de Flavio Bolsonaro e prejudicar a de Lula. As Big Tech têm interesse nas eleições brasileiras, como sabemos. Elas querem um mercado desregulado dentro do qual possam agir livremente colocando em prática o modelo de negócios com o qual mais lucram, destruindo a vida de crianças e das demais pessoas. Lula aponta para mais regulação; Flavio promete absoluta desregulação. Não é difícil saber ao lado de quem as grandes empresas de tecnologia estão.
Enquanto isso, no TSE, o ministro Kassio Nunes, a cada dia mais citado no caso Master, parece agir como cabo eleitoral de Flavio dado que todas as suas decisões acabam favorecendo Bolsonaro e censurando a campanha de Lula.
Em boa parte da chamada grande mídia, os projetos delirantes de Flavio, como um corte orçamentário de 200 bilhões, são tratados como se flertassem com algum tipo de coerência e lógica, coisas que uma análise superficial de dez minutos seria capaz de enterrar bem enterrada. Mas quem se importa? Se Flavio diz, vamos apenas divulgar como se possível fosse cortar sem acabar com todos os programas sociais.
As mentiras de Flavio Bolsonaro não são tratadas como mentiras. Sua ligação com a milícia é eclipsada. Sua participação em orgias é lida como atitude da ordem do privado. Sua relação íntima e comprovada com o pastor que quer acabar com Nossa Senhora de Aparecida é chamada de fake news. Os milhões que ele pediu a Vorcaro parecem não importar, assim como suas mais de 100 comunicações reveladas (até aqui) com o banqueiro-golpista.
O jogo eleitoral está comprometido, infectado. Flavio tem a seu lado absolutamente tudo. Tem o interesse do capital privado, tem a simpatia de intelectuais que o tratam como um candidato legítimo e escondem suas mazelas, tem a inteligência do exército mais poderoso do mundo, o estadunidense, e tem as decisões injustificáveis da presidência do TSE.
Do lado de cá, temos uns aos outros. Temos nosso entusiasmo, nossos sonhos democráticos, nossa consciência de que a ação coletiva pode explodir os limites do que achávamos ser capazes de fazer. Mesmo nas piores condições, mesmo contra inimigos aparentemente invencíveis, é a união em torno do sonho por liberdade aquilo que realiza o que parecia impossível.
Eles têm exércitos e demais poderes, incluindo o capital. Nós temos uns aos outros e a força do que vem dessa aliança. Nós temos a capacidade de delirar, de festejar, de ocupar o espaço das ruas, de dialogar com indecisos em nome de votos, de sonhar com uma sociedade mais justa e livre. Não existe no mundo força maior do que essa que vem da dinâmica da associação orgânica de pessoas. Sempre foi assim que o mundo mudou.
Não desistiremos. Faltam dez dias. Dez dias de luta, de rua, de ação. Essa é a batalha do século até aqui; é a luta para reativarmos o futuro. Não há outra que não essa.




