CONAQ denuncia racismo ambiental e alerta para impactos das queimadas sobre quilombos do Amazonas

Em nota pública, entidade denuncia impactos dos incêndios sobre territórios quilombolas e cobra atendimento de saúde, punição aos responsáveis e titulação dos quilombos

Tapajós de Fato

Uma emergência de saúde pública avança sobre o estado do Amazonas. A estiagem severa e a propagação criminosa de queimadas e incêndios florestais cobrem a região com uma densa cortina de fumaça que está adoecendo populações inteiras, denuncia a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Em posicionamento público, a entidade denunciou o cenário como uma manifestação direta do racismo ambiental.

De acordo com a CONAQ, uma densa cortina de fumaça atinge a capital e o interior do estado, com impactos sobre a saúde de crianças, idosos e famílias inteiras. De acordo com a entidade, a situação tem sobrecarregado postos de saúde e unidades hospitalares com casos de insuficiência respiratória, asfixia e inflamações severas. 

“É inadmissível que aqueles que historicamente preservam a biodiversidade sejam agora os primeiros a pagar com o próprio fôlego as consequências da degradação ecológica e da omissão governamental”, afirma a nota.

Queimadas ameaçam territórios quilombolas

O fogo e a fumaça ameaçam comunidades tradicionais em diferentes regiões do estado. Segundo a CONAQ, na Bacia do Rio Andirá e no município de Barreirinha, as comunidades de Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Ituquara, Boa Fé, Trindade e Santa Fé sofrem com as chamas na vegetação seca e ficam ilhadas e encurraladas pela fumaça acumulada sobre os rios, que piora as condições de vida nos territórios. 

Em Itacoatiara, no Quilombo Sagrado Coração de Jesus do Lago de Serpa, a CONAQ relata incêndios que consomem milhares de hectares e ameaçam territórios vizinhos, como o Rio Urubu e a Terra Indígena Paraná do Arauató. O problema se alastra até os centros urbanos: no Quilombo do Barranco de São Benedito, em Manaus, assim como em comunidades de Parintins e ramais de Rio Preto da Eva, a entidade relata que moradores vivem um confinamento involuntário em casas devido a piora da qualidade do ar.

Titulação e proteção dos territórios

A CONAQ lembra que as comunidades quilombolas e os povos indígenas atuam há décadas na proteção da floresta e da biodiversidade. Segundo a organização, a ausência de regularização fundiária abre espaço para a grilagem, o crime ambiental e as queimadas, deixando as terras vulneráveis. A entidade enfatiza sua posição: “não existe justiça climática sem demarcação indígena e sem quilombo titulado!”.

CONAQ cobra atendimento emergencial e punição aos responsáveis

Embora reconheça a relevância dos esforços emergenciais e das ações de combate  realizadas pelas forças federais em solo e no espaço aéreo, a CONAQ exige das autoridades municipais, estaduais e federais atendimento emergencial de saúde às comunidades afetadas, fiscalização rigorosa e punição dos responsáveis pelos incêndios, além de celeridade na titulação definitiva dos territórios quilombolas.

Ao final da carta, a organização reafirma o compromisso com a defesa da vida e da dignidade das comunidades tradicionais:

 “Aos nossos irmãos e irmãs quilombolas, indígenas, ribeirinhos e a toda a população amazonense, expressamos nosso abraço fraterno, nossa força ancestral e nosso compromisso inabalável de seguir denunciando essa tragédia e lutando pelo direito elementar de respirar e existir em nossos territórios”

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