UFPE abre sindicância e aciona MPF e PF para apurar ameaças a alunos e professores

Carta ameaça os corpos docente e discente da instituição por motivações políticas, de orientação sexual e étnica; universidade repudiou os insultos

Por Louise Queiroga, em O Globo

Uma lista com nomes de professores e estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), contendo ameaças de que serão “banidos” em razão de suas visões políticas, orientação sexual ou etnia, viralizou nas redes sociais após ser deixada no diretório acadêmico do curso de História nesta semana. A instituição anunciou, nesta quarta-feira, que abriu uma sindicância e acionou o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) para apurar o caso.

A maioria dos alvos das ofensas, feitas num formato de carta, é vinculada aos cursos de História e Sociologia. Com o título “Doutrinadores e alunos que serão banidos do CFCH”, os autores usaram termos pejorativos para se dirigir aos profissionais, considerados “comunistas”.

A universidade repudiou os insultos feitos aos corpos docente e discente do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH). A Reitoria decidiu abrir sindicância interna após realizar uma reunião na manhã desta quarta-feira, além de fazer um comunicado oficial ao MPF e à PF “para que os fatos sejam devidamente apurados”.

“A UFPE não admite, sob qualquer hipótese, que a violência ameace as liberdades de cátedra e individuais. A Universidade defende a academia como o espaço para o pluralismo de ideias”, afirmou a instituição em nota. “Denúncias de casos como esses podem ser encaminhadas para a Ouvidoria-Geral da UFPE, por meio do site da Universidade”.

Os autores da carta escreveram ainda que um dos professores representa uma “ameaça à moral e aos bons costumes cristãos” e seus orientandos são “um exército de viados, travecos, feminazis, prostitutas e todos os tipos de degenerados que atentam contra a família”, além de serem “propagadores da ideologia de gênero”.

Outro professor foi acusado de fazer “apologia ao uso de drogas, junto a seus orientandos esquerdistas”. Membro do Departamento de Sociologia, ele se manifestou em seu perfil do Facebook, dizendo que “providências legais estão sendo tomadas” e que esse tipo de ataque é uma forma de ofender aqueles que defendem “a cidadania brasileira, a autonomia da universidade pública, as liberdades civis e a democracia”.

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