Por Comunicação CPT Araguaia-Tocantins
Diante de entraves fundiários e da paralisação do processo administrativo de implementação do assentamento junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o P.A. Reginaldo Lima, localizado no município de Barra do Ouro (TO), demonstra que sua principal força continua sendo a organização coletiva. No dia 15 de março de 2026, as famílias se reuniram na sede da associação para realizar a assembleia de eleição da nova diretoria e do conselho fiscal, reafirmando o compromisso com a continuidade da luta pela terra e permanência no território.
A assembleia ocorreu em um contexto marcado por incertezas. Embora o assentamento tenha sido oficialmente criado em abril de 2024, com previsão de assentar 46 famílias, o processo segue sem avanços desde o segundo semestre de 2025, quando surgiu a informação da existência de um suposto título particular de propriedade sobre a área, situação que está sob averiguação do INCRA.
O P.A. Reginaldo Lima tem origem na ocupação realizada em maio de 2012, quando aproximadamente 34 famílias sem-terra das regiões de Araguaína e Barra do Ouro (TO) ocuparam a Fazenda Serrinha, Terra Pública da União, e autodemarcaram seus lotes. A resistência dessas famílias resultou, finalmente, na criação do assentamento em 2024. No entanto, o processo encontra-se atualmente paralisado e sem informações concretas sobre os próximos encaminhamentos por parte do INCRA.
Ainda assim, a comunidade não se imobiliza. A eleição da nova diretoria simboliza que a organização interna está ativa, fortalecendo os vínculos coletivos e a capacidade de enfrentamento diante das dificuldades. A presença significativa das famílias e o compromisso assumido pelas novas lideranças reforçam que, mesmo diante da ausência de respostas institucionais, a comunidade segue construindo seu próprio caminho em busca de vida digna e bem viver.
Um dos destaques da nova composição é a eleição de Diandra Oliveira Lima para a vice-presidência da associação. Jovem liderança camponesa, Diandra, de 18 anos de idade, carrega em sua trajetória a própria história da comunidade, desde a infância, sua vida é pautada na luta pela terra e pela defesa dos territórios cerradeiros. Sua atuação se dá em múltiplas frentes: organizativa, formativa, política e na comunicação popular, contribuindo na luta camponesa no norte do Tocantins.
Ao longo dos anos, a comunidade também se fortaleceu por meio da participação efetiva na Articulação Camponesa de Luta pela Terra e Defesa dos Territórios no Tocantins e com o acompanhamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Regional Araguaia-Tocantins, que tem contribuído com processos de formação, organização e defesa de direitos.
A assembleia de março de 2026 reafirma, portanto, que, mesmo diante da insegurança fundiária e da morosidade institucional, o P.A. Reginaldo Lima segue organizado e em movimento, reivindicando respostas e agilidade no processo, a comunidade pede urgência na divisão dos lotes e a entrega dos Contratos de Concessão de Uso (CCUs) às famílias selecionadas para o assentamento.
A força da comunidade está em sua capacidade de resistir coletivamente, formar novas lideranças e manter o compromisso com o presente e o futuro no território. Por isso, em meio às incertezas atuais, a mensagem que ecoou nessa assembleia é clara: a luta continua e segue cada vez mais enraizada.




