Lucia Alberta Baré é anunciada como nova presidenta da Funai

Fundação Nacional dos Povos Indígenas

A nova presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Baré, foi anunciada na solenidade de transmissão do cargo de ministro de Estado dos Povos Indígenas. O evento aconteceu hoje, terça-feira (31), na sede do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), e anunciou ainda o novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

O nome de Lucia Alberta Baré para a presidência da Funai reforça a continuidade no processo de fortalecimento da gestão indígena à frente das políticas públicas voltadas aos povos indígenas, em alinhamento com as diretrizes do governo federal para ampliação da participação indígena nos espaços de decisão.

“É um momento de dar continuidade ao protagonismo, autonomia e fortalecimento das ações para os povos indígenas. Estamos reforçando a nossa presença em espaços de decisão e caminhando junto com os povos indígenas e suas organizações, faremos todo o trabalho na Funai de forma dialogada e participativa”, enfatizou Lucia Alberta Baré.

A nomeação da nova presidenta ainda será publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Durante o evento, a ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara destacou os avanços recentes da política indigenista e o caráter coletivo da gestão.

“Esse é um trabalho coletivo e ancestral. Somos resultado de uma longa história e de um conhecimento que vem sendo aprimorado ao longo das gerações. Avançamos na recomposição do orçamento, fortalecemos a Funai com novos servidores, incluindo vagas destinadas a indígenas, instituímos a carreira indigenista e regulamentamos o poder de polícia da Funai. Ampliamos a presença indígena nos espaços de decisão”, ressaltou.

Ao assumir o cargo, o ministro Eloy Terena ressaltou a importância do investimento contínuo em políticas públicas e na formação de lideranças indígenas.

“Esse olhar estratégico foi trazido de forma exemplar pela ministra Sônia Guajajara, e quero agradecer por toda a sua contribuição ao movimento indígena. Sou fruto do investimento coletivo, da política pública e do próprio movimento indígena. Isso mostra que precisamos continuar investindo, para que mais indígenas possam acessar a formação e chegar aos espaços de tomada de decisão, como no MPI e na Funai”, disse.

O importante líder indígena e cacique Roani Metuktire destacou a necessidade de fortalecer cada vez mais as organizações indígenas. “O eu quero é que a gente mantenha nossa identidade viva. Precisamos continuar lutando para garantir a importância da nossa cultura e da nossa língua. Devemos lutar juntos, sempre”, finalizou.

Participaram ainda da cerimônia representantes do Ministério da Igualdade Racial, da Câmara dos Deputados, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), a presidenta substituta da Funai, Mislene Mendes, além de diretores da Funai, Janete Carvalho, da Proteção Territorial (DPT), Pagu Rodrigues, dos Direitos Humanos e Políticas Sociais (DHPS) e Manoel Prado, da Demarcação de Terras Indígenas (Didem).

Lucia Alberta Baré

A trajetória de Lucia Alberta Baré é marcada pela convergência entre formação acadêmica, atuação no serviço público e compromisso histórico com a defesa dos direitos dos povos indígenas.

Indígena do povo Baré, nascida na região do Alto Rio Negro (AM), ela ocupa, desde janeiro de 2023, a Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), área estratégica para a gestão dos territórios e a implementação de políticas socioambientais.

A nova presidenta também é servidora pública efetiva da Funai, aprovada no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), desde junho de 2025.

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e mestre em Educação pela mesma instituição, Lucia Alberta Baré construiu sua carreira a partir de experiências diretamente vinculadas à realidade dos povos indígenas da Amazônia. Sua atuação inicial esteve ligada à educação escolar indígena, incluindo a produção de materiais didáticos em línguas indígenas e a formação de professores em contextos interculturais.

Formação e atuação na educação indígena

Antes de assumir funções de direção na Funai, Lucia Alberta Baré atuou por oito anos na Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira (AM), onde participou de processos estruturantes da política de educação indígena.

Posteriormente, integrou o Instituto Socioambiental, onde trabalhou por cerca de oito anos apoiando projetos educacionais e iniciativas de fortalecimento cultural junto aos povos do Alto Rio Negro.

No âmbito federal, também exerceu funções no Ministério da Educação (MEC), com destaque para a coordenação de políticas voltadas à educação escolar indígena e à formação de professores indígenas em licenciatura intercultural. Nesse período, participou da organização de conferências nacionais e da articulação com estados e municípios para a construção de políticas educacionais alinhadas às especificidades dos povos indígenas.

Experiência institucional e atuação indigenista
Lucia Alberta Baré possui ampla experiência no serviço público e na formulação de políticas indigenistas. Entre 2012 e 2016, atuou como assessora da Presidência da Funai, contribuindo para iniciativas estruturantes, como a realização da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista, que mobilizou milhares de participantes e consolidou propostas para o setor.

Também teve atuação no Legislativo federal, na Câmara dos Deputados, na gestão da ex-deputada, Joenia Wapichana, experiência que ampliou sua articulação institucional e sua compreensão sobre o processo de construção de políticas públicas.

Gestão ambiental e protagonismo indígena
À frente da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta Baré tem defendido o fortalecimento da presença indígena nos processos decisórios e a integração de conhecimentos tradicionais na formulação de políticas públicas. Sua atuação está diretamente relacionada à implementação de instrumentos como a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Pngati) e ao aprimoramento da gestão socioambiental nos territórios.

Em sua atuação institucional, destaca a necessidade de participação ativa dos povos indígenas em todas as etapas das políticas públicas, como condição para sua efetividade e legitimidade. Também tem enfatizado o papel estratégico dos territórios indígenas na conservação ambiental e na proteção da biodiversidade, inclusive em espaços internacionais de debate.

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