Apib divulga programação da maior mobilização indígena do país, que ocorre de 5 a 11 de abril, com marchas, plenárias e pressão sobre o Congresso e o governo federal; Confira a programação
Por Tapajós de Fato
O “Abril Indígena” começa com a realização de mais uma edição do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, principal mobilização de povos indígenas do país, que acontece entre os dias 5 e 11 de abril, em Brasília (DF), no Eixo Cultural Ibero-Americano, antiga Funarte.
Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, a atividade é organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e chega à sua 22ª edição, reunindo lideranças de todas as regiões do país para denunciar violações de direitos, defender territórios e incidir sobre decisões políticas. .
O ATL ocorre em um cenário de disputa política em torno dos direitos indígenas, com críticas a propostas em tramitação no Congresso Nacional e cobrança por demarcação de terras.
O ano de 2026 iniciou com grandes reivindicações indígenas. No Pará, povos do Baixo Tapajós, em Santarém, ocuparam a sede da empresa norte-americana Cargill por mais de um mês e alcançaram a revogação do decreto presidencial que previa a privatização de rios amazônicos.
Indígenas do Baixo Tapajós, articulados pelo Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA), como o povo Tupinambá e outros devem sair de Santarém para o acampamento em Brasília. Estudantes indígenas da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFPA) mobilizados pelo Diretório Acadêmico Indígena também estão a caminho da capital federal.
A programação está organizada em cinco eixos políticos: “A Resposta Somos Nós”; “Nosso Futuro Não Está à Venda”; “Nossa Luta Pela Vida”; “Terra Demarcada, Brasil Soberano e Democracia Garantida”; e “Diga ao Povo que Avance”.
Confira os principais destaques:
6 de abril
A abertura da programação será com a plenária “Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas”, que debate as violências cometidas contra esses povos durante a ditadura militar. A atividade é organizada pelo “Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas”, que propõe a criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade.
7 de abril
O dia será marcado pela marcha “Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”, que deve reunir milhares de indígenas em Brasília. A ato denuncia medidas consideradas anti-indígenas em tramitação no Congresso Nacional, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48, conhecida como Marco Temporal, além de projetos que ameaçam as demarcações de terras e ampliam a exploração econômica em territórios indígenas.
8 de abril
A plenária “Do território tradicional ao cenário global: o movimento indígena brasileiro na luta socioambiental” destaca a atuação internacional dos povos indígenas. Estão previstos encontros com embaixadas e comunicadores indígenas da Guatemala e do Brasil.
9 de abril
A plenária “Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós”, aborda as eleições de 2026 e a ampliação da presença indígena nos espaços de poder. No mesmo dia, ocorre a marcha “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”, que cobra a homologação de territórios indígenas pelo governo federal.
10 de abril
O acampamento se encerra com a plenária final e a leitura do documento político, que reúne as principais reivindicações do movimento indígena.
Os dias 5 e 11 de abril são destinados à chegada e retorno das delegações aos territórios.
Além das atividades, a Apib também lançou uma campanha de arrecadação para viabilizar a mobilização. As doações podem ser feitas pelo site da organização.




