Vinicius Carvalho, OTSS/Fiocruz
O Centro Histórico de Paraty (RJ) será palco, nos dias 27 e 28 de abril, de um debate urgente para a saúde pública brasileira: o Seminário Saúde e Bem Viver de Povos e Comunidades Tradicionais. O encontro integra a 4ª Caravana do Bem Viver e representa um esforço coletivo para repensar o Sistema Único de Saúde (SUS) sob a ótica da interculturalidade e do direito ao território.
Idealizado pela Fiocruz, por meio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), o seminário reúne lideranças indígenas, quilombolas e caiçaras, além de gestores, conselhos de saúde e pesquisadores vinculados ao SUS. O objetivo é claro: construir caminhos para uma atenção à saúde que respeite as especificidades de quem vive e protege a Mata Atlântica.
“A saúde nos remete a uma dimensão de construção coletiva: só é possível construí-la de forma conjunta. Não podemos delegar essa responsabilidade a um único setor, esperando que a vida das pessoas melhore, ou que o SUS funcione melhor, sem abordar as questões de promoção e prevenção da saúde a partir dos territórios”, explica o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel.
Governança e emergência Climática
A abertura do seminário, na manhã do dia 27 de abril, abordará a governança territorial e a emergência climática. Em um cenário de mudanças ambientais drásticas, a mesa discutirá como a articulação entre os saberes tradicionais e o poder público pode criar estratégias de resiliência.
Posteriormente, a mesa Políticas de Equidade, Território e Organização do Cuidado no SUS destaca a implementação de práticas que garantam o acesso e a qualidade da saúde para todos, considerando as particularidades locais. Para finalizar o primeiro dia, serão realizadas as oficinas em grupo, com duas opções: Tecnologias Ancestrais, Sociais e Digitais para a Governança Territorial e Municipalização das Políticas de Equidade em Saúde, proporcionando espaços para aprofundamento e troca de experiências práticas.
Tecnologia, agroecologia e saberes de cura
O segundo dia, 28 de abril, apresentará a mesa AdaptaSUS, Clima, Saúde e Território, explorando as estratégias de adaptação do SUS frente aos impactos climáticos e a relação intrínseca entre clima, saúde e território. Na sequência, as oficinas em grupo continuarão, oferecendo a oficina Governança Territorial e Redução de Riscos e Desastres, e a oficina Monitoramento Biocultural, Saneamento Ambiental, Água e Saúde, que aprofundarão temas cruciais para a resiliência das comunidades.
No período da tarde, novas oficinas em grupo serão realizadas: a oficina Vigilância em Saúde, Doenças Emergentes e Mudanças Ambientais, e a oficina Saúde e Agroecologia, abordando a prevenção de doenças e a promoção da saúde através de práticas sustentáveis.
O seminário culminará em uma Plenária Final, na qual será apresentada uma síntese coletiva das discussões. O documento servirá como um guia para orientar ações, cooperações e políticas públicas futuras, reafirmando o compromisso de instituições como o MS e a Fiocruz com a territorialização da saúde.
Caravanas do Bem Viver
A realização do seminário integra a programação mais ampla da 4ª Caravana do Bem Viver, iniciativa da Fiocruz e do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) por meio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), que articula ações de mobilização, formação e incidência política nos territórios.
Em Paraty, a Caravana reúne atividades abertas ao público e ações institucionais voltadas ao fortalecimento de políticas públicas, à valorização dos saberes tradicionais e à defesa dos direitos de povos indígenas, quilombolas e caiçaras. Mais do que uma agenda de eventos, a Caravana se afirma como uma estratégia de aproximação entre instituições, movimentos sociais e comunidades, conectando saúde, cultura, educação, território e sustentabilidade em um dos contextos sociobiodiversos mais importantes do país.




