Guerra de Israel levou a retrocesso de 77 anos no desenvolvimento humano em Gaza, diz ONU

Relatório aponta que serão necessários R$ 355 bilhões ao longo da próxima década para reconstruir território palestino; mais de 72 mil pessoas foram mortas

Por Tatiana Carlotti, no Opera Mundi

Um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Europeia e do Banco Mundial revela que a Faixa de Gaza sofreu um retrocesso de 77 anos em seu desenvolvimento humano em decorrência de dois anos de ofensiva militar israelense no território palestino.

Intitulado “Avaliação Rápida de Danos e Necessidades na Faixa de Gaza“, o documento afirma que “a escalada do conflito nos últimos dois anos teve um impacto humanitário catastrófico” e informa que “toda a população da Faixa de Gaza está sofrendo impactos significativos, diretos e de longo prazo em sua saúde física, estabilidade econômica e bem-estar psicossocial”.

O relatório afirma que 72.560 palestinos foram mortos e 172.317 feridos em Gaza, ponderando que há muitos corpos sob os escombros, o que tende a aumentar esses números. Quase 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, muitas repetidamente, e mais de 1,2 milhão de palestinos em Gaza, cerca de 60% da população, perderam suas casas.

O relatório prevê que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) deverá cair para 0,339, o nível mais baixo desde o início das medições. Mais de 40% das gestantes e lactantes estão gravemente desnutridas e dois terços sofrem de anemia, enquanto praticamente 100% das crianças necessitam de apoio psicossocial e de saúde mental.

Reconstrução

Segundo o estudo serão necessários US$ 71,4 bilhões (R$ 355 bilhões) ao longo da próxima década para reconstruir o território palestino e restabelecer condições mínimas na região. Desse total, US$ 26,3 bilhões devem ser mobilizados de forma imediata, nos próximos 18 meses, para restaurar serviços essenciais, reconstruir infraestrutura crítica e impulsionar a recuperação econômica.

O levantamento aponta que os danos à infraestrutura física somam US$ 35,2 bilhões (R$175 bilhões), enquanto as perdas econômicas e sociais chegam a US$ 22,7 bilhões (R$ 112 bilhões) adicionais. O setor habitacional foi o mais afetado: 371.888 unidades foram destruídas ou danificadas, exigindo investimentos estimados em US$ 16,2 bilhões (R$ 80,6 bilhões).

Entre as prioridades de financiamento estão a recuperação da agricultura e dos sistemas alimentares, com necessidade de US$ 10,5 bilhões (R$ 52,2 bilhões); o setor de saúde, que demanda US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões); e comércio e indústria, com US$ 9 bilhões (R$ 45 bilhões).

O impacto social é igualmente severo. Mais da metade dos hospitais está fora de operação e quase todas as escolas foram destruídas. A economia local colapsou, com retração de 84%, e apenas 9,3% da população mantém algum tipo de emprego.

A destruição acumulada gerou aproximadamente 68 milhões de toneladas de escombros, cuja remoção é considerada condição essencial para a retomada de serviços básicos como abastecimento de água, saneamento e higiene.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezessete − 3 =