Parecer técnico aborda ofício das raizeiras e raizeiros do Cerrado em processo de reconhecimento pelo Iphan

Por Bernardo Camara, da Coordenação de Saúde e Ambiente/VPAAPS

No dia 8 de junho, a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) disponibilizou parecer técnico relacionado ao processo de reconhecimento do ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O documento foi encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde desde 2009 há uma solicitação por este registro a partir de uma iniciativa da Articulação Pacari, rede socioambiental formada por organizações comunitárias e pessoas que praticam a medicina tradicional através do uso sustentável da biodiversidade do bioma Cerrado.

As raizeiras e raizeiros são mulheres e homens que detêm conhecimentos tradicionais sobre a identificação, o manejo sustentável e a transformação de espécies vegetais do Cerrado em remédios caseiros, voltados ao cuidado com a saúde das comunidades. Atravessando gerações, esses saberes são transmitidos principalmente pela oralidade e por meio de vivências comunitárias, e têm raízes históricas nas matrizes de conhecimento indígenas, africanas e luso-brasileiras.

O ofício das raizeiras e raizeiros é uma prática ancestral de importância cultural e ambiental. As detentoras e detentores desse ofício sustentam redes comunitárias de cuidado e contribuem simultaneamente para a defesa do território, da biodiversidade e da promoção da saúde, integrando dimensões terapêuticas, espirituais, educacionais e de preservação ambiental.

O ofício das raizeiras e raizeiros está presente em territórios rurais, quilombolas, indígenas, periurbanos e urbanos situados na área de abrangência do Cerrado. Ocupando aproximadamente 2 milhões de km² e correspondendo a cerca de 23% do território nacional, o bioma estende-se pelos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Distrito Federal e porções de outros estados.

O documento aponta a importância desses saberes para o enfrentamento das crises ecológica, climática e sanitária que o mundo atravessa atualmente, além da relevância dos conhecimentos tradicionais para a compreensão das relações entre território, cuidado e conservação ambiental.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Diogo Rocha.

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