Mil e um dias de genocídio e 1.022 bebês mortos por Israel na Faixa de Gaza

Apesar do chamado cessar-fogo, a situação em Gaza permanece crítica. A dependência de recursos externos é absoluta e 98% das terras agrícolas foram perdidas

por El Salto, em IHU

O dia 3 de julho marcou os 1.000 dias desde o início do genocídio israelense em Gaza. Durante esse período, 223.000 toneladas de explosivos foram lançadas sobre a Faixa de Gaza — mais de três vezes a quantidade lançada sobre BerlimDresden e Londres juntas durante a Segunda Guerra Mundial. 73.066 pessoas foram mortas em ataques das Forças Armadas de Israel (IDF), e estima-se que outras 10.000 estejam soterradas sob os escombros.

Entre as mais de 73.000 pessoas mortas, estão 21.500 crianças, das quais 1.022 eram bebês na época de suas mortes, segundo dados do Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza. Estima-se que 44.500 crianças tenham ficado feridas durante esses mil dias de genocídio e 60.000 perderam um ou ambos os pais. No total, 2.700 famílias palestinas foram dizimadas, “completamente apagadas do registro civil”, como lamenta o governo da Faixa de Gaza.

Mais de 11 mil crianças em Gaza sofreram o que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) chamou de “ferimentos que mudam vidas”, incluindo até 4 mil amputações, muitas delas realizadas sem anestesia, segundo informações da Common Dreams.

Na semana passada, o Escritório Central de Estatísticas da Palestina publicou uma avaliação da catástrofe causada por Israel em Gaza, com base em sua avaliação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Entre as conclusões, está o fato de que, até 2025, 98,5% das terras agrícolas já haviam sido destruídas ou tornadas inacessíveis. O relatório enfatiza que as terras agrícolas foram transformadas em áreas áridas e incultiváveis, agravando a fome que foi oficialmente declarada há um ano.

Estimativas indicam que, no segundo semestre deste ano, 101 mil crianças menores de cinco anos sofrerão de desnutrição aguda devido ao acesso limitado à ajuda humanitária — Israel continua violando o acordo de cessar-fogo em relação ao acesso de caminhões — e à destruição do setor agrícola. O bloqueio da ajuda humanitária também significa falta de materiais de reconstrução, condenando centenas de milhares de pessoas a continuarem vivendo em tendas, situação que exacerbou a disseminação de doenças. Dados mostram 2,1 milhões de casos de doenças infecciosas entre quase dois milhões de deslocados internos.

O relatório destaca que Gaza perdeu “qualquer modo de vida sustentável” e, portanto, depende em todos os aspectos de sua economia da ajuda de países terceiros, ONGs e da sociedade civil. A campanha de extermínio israelense apagou 20 anos de progresso.

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