Estado articula espaço temporário para receber parte do acervo, que passará por tratamento técnico e preservação
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Após atuação do Ministério Público Federal (MPF), o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) concluiu, na última quarta-feira (12), mais uma etapa do recolhimento da documentação histórica que estava sob a guarda da Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol), no prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Rua dos Inválidos, destinada ao acervo do Arquivo Público.
Como o Aperj, neste momento, não dispõe de capacidade para receber a totalidade do acervo, o governo do Rio de Janeiro também estuda encontrar um novo imóvel para a guarda temporária da documentação.
Paralelamente, continuam em andamento as tratativas para definir a destinação provisória de parte da documentação, que passará por tratamento técnico antes da transferência definitiva ao Arquivo Público. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) manifestaram interesse em receber uma parcela do acervo para realizar o trabalho especializado.
Em parceria com o Aperj, a UniRio elaborou um projeto para o tratamento do acervo.
Memória nacional – Em maio de 2026, moradores da vizinhança do antigo IML do Rio de Janeiro registraram imagens de documentos e outros materiais sendo descartados pelas janelas do prédio. As cenas geraram forte repercussão entre pesquisadores, movimentos de memória e direitos humanos e instituições públicas preocupadas com a preservação do patrimônio documental brasileiro.
O antigo IML abriga um dos mais relevantes conjuntos documentais sob guarda do estado do Rio de Janeiro. O acervo reúne aproximadamente 440 mil itens iconográficos e quase 3 mil metros lineares de documentos produzidos pela Polícia Civil entre as décadas de 1930 e 1960. Parte desse material pode conter informações sobre desaparecidos políticos e violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar.




