Produção aborda relatos sobre ocultação e incineração de corpos de desaparecidos políticos durante a ditadura em Campos dos Goytacazes; investigação conduzida pelo MPF resultou em condenação em primeira instância
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
O documentário Usina Cambayba, que aborda relatos sobre a ocultação e a incineração de corpos de desaparecidos políticos durante a ditadura brasileira na Usina Cambayba, será exibido na sede do Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, no dia 15 de setembro, às 10h.
Após a exibição, será realizada uma mesa de debate mediada pelo procurador da República Julio Araújo, com a participação do documentarista Marcelo Fonseca, da juíza federal Maria Isadora Frizão e do historiador Lucas Pedretti, além de autoridades e representantes de coletivos voltados à memória, verdade, justiça, reparação e democracia.
Condenação — A exibição no Ministério Público Federal estabelece relação direta com uma das principais fontes documentais utilizadas na produção do filme.
Usina Cambayba utiliza como fontes documentos públicos, pesquisas acadêmicas, registros da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal para reconstruir acontecimentos relacionados à repressão política no estado do Rio de Janeiro.
Entre os episódios abordados estão as declarações do ex-agente do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Cláudio Guerra, que afirmou ter participado do transporte e da incineração de corpos de opositores políticos na Usina Cambayba, em Campos dos Goytacazes (RJ).
Segundo esses relatos, os corpos de 12 desaparecidos políticos teriam sido levados ao local e incinerados como parte de uma operação destinada à ocultação dos cadáveres e à eliminação de vestígios.
As declarações foram objeto de investigação do Ministério Público Federal. O procedimento resultou em denúncia contra Cláudio Guerra e, em 2023, em sua condenação, em primeira instância, a sete anos de prisão por ocultação de cadáveres. A sentença foi premiada em concurso nacional do Conselho Nacional de Justiça. A decisão, porém, foi reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2a região, sob o argumento de que haveria prescrição.
Responsabilização — A trajetória judicial do caso também evidencia um dos principais impasses da justiça de transição brasileira: a responsabilização criminal por graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura.
A discussão está inserida em uma controvérsia jurídica mais ampla sobre o tratamento dado pelo sistema de justiça brasileiro aos crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura.
Repressão — Partindo da Usina Cambayba, em Campos dos Goytacazes, o documentário estabelece conexões com outros espaços associados à repressão política no estado do Rio de Janeiro. Entre eles estão a Casa da Morte, em Petrópolis, centro clandestino utilizado por agentes da repressão, e o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, no Rio de Janeiro.
Ao reconstruir esse percurso, a produção procura compreender não apenas o desaparecimento das vítimas, mas também as estruturas e relações que possibilitaram a perseguição, a tortura, o assassinato e a ocultação de opositores políticos durante a ditadura.
Serviço:
Exibição: documentário Usina Cambayba
Data: 15 de setembro de 2026
Horário: 10h
Local: Ministério Público Federal – Rio de Janeiro




