Para vencer as eleições, apontar para o futuro

Há dois projetos antagônicos em disputa. Do lado de Lula está a possibilidade de construir um país livre, com políticas sociais robustas, preservação ambiental e fortalecimento do SUS. É hora de apostar no protagonismo popular como fator de construção da política

Por Túlio Batista Franco, em Outra Saúde

O Brasil iniciou esta semana sob o impacto do resultado eleitoral. Embora tenha levado a definição para o 2º turno das eleições, com Flávio Bolsonaro à frente do Lula, o quadro eleitoral é instável, e o país se encontra em franca disputa, com desfecho previsto para 25 de outubro. Na disputa do 2º turno há um terreno fértil para o crescimento da candidatura de Lula. As abstenções chegaram a 21% dos eleitores, em torno de 33 milhões de pessoas. Além disso, existe espaço para disputar os 8% de votos dados aos outros candidatos derrotados no 1º turno. A possibilidade real de crescimento de votos é o primeiro fator a ser analisado como favorável à construção de uma vitória para Lula.

A “calcificação política” atual obstrui a fala e escuta entre as pessoas, interdita o debate político, criando uma impenetrável surdez das pessoas a outras posições para além da sua pequena bolha de relações. A campanha é um momento importante para iluminar o caminho de construção progressiva e progressista do país. Eventuais críticas ao governo devem ser feitas primeiro por nós, como forma de mostrar o entendimento do problema, dando oportunidade de um diálogo franco e propositivo com a população.

Desta forma se constrói vínculo e confiança, elementos importantes para a conquista do voto, apoio eleitoral e compartilhamento do ativismo político. Nossas propostas devem aparecer à população como projetos, viáveis, compreensíveis para as comunidades nos territórios. Construir o bem viver, compartilhar soluções e apostar no protagonismo popular como fator de construção da política.

Projetos antagônicos estão em disputa e isso precisa ficar muito claro, na forma de uma comunicação que seja afetiva e efetiva. Entender as nuances da vida cotidiana e buscar trazer as propostas diferentes para seus impactos no trabalho e na vida é fundamental. Jair Bolsonaro, quando presidente, usou o medo como técnica de governo, práticas de intimidação, perseguição a reitores e universidades, estrangulamento financeiros da cultura, ciência e tecnologia, desfinanciamento do SUS, destruição ambiental, queimadas na Amazônia e Pantanal. Esse projeto tenta voltar agora com seu filho Flávio Bolsonaro. Ele aponta para o anarcocapitalismo, a forma radical de uma sociedade absurdamente governada pelas grandes corporações econômicas. Sem o Estado, a população economicamente desfavorecida será entregue à própria sorte, desamparada das políticas públicas que são capazes de alavancar melhores posições sociais.

Do outro lado, está a possibilidade de construir um país livre, com políticas sociais robustas, preservação ambiental, queda nos índices de desmatamento, proteção e cuidado com o povo, fortalecimento do SUS, para a proteção e cuidado, além de um compromisso inabalável com a democracia e soberania nacional.

O projeto de futuro é o que gera esperança, age como uma força propulsora que põe as pessoas em movimento, com energia suficiente para transpor obstáculos e alegria para lutar, e apostar no novo radical. É fundamental passar uma imagem de futuro promissor, na continuidade das políticas atuais de proteção à população e, por outro lado, desconstruir a performance de “bom moço” que o Flávio Bolsonaro tenta imprimir durante a campanha. Revelar sua face radicalmente corrupta, especialmente cruel com as pessoas é fundamental.

É hora de iluminar o projeto democrático e popular do governo Lula, e cada um e cada uma difundir as propostas que são claramente comprometidas com uma perspectiva nova para a sociedade brasileira. Enfatizar as ideias centrais que marcam os governos do Lula, a distribuição de renda, redução da jornada de trabalho, fim da escala 6 x 1, aumento real dos salários, redução dos juros, carreira para os trabalhadores do SUS e uso dos recursos do petróleo e das terras raras para investir em tecnologia e infraestrutura voltadas ao desenvolvimento e, prioritariamente, em saúde e educação.

É fundamental fazer uma campanha ousada nas redes sociais, esse espaço versátil e que ganhou enorme potência comunicativa na atualidade, lugar onde hoje se disputa a narrativa da vida e da política. As redes sociais, aplicativos de mensagens e todos os dispositivos de interação entre as pessoas, ganharam a intimidade de todas as pessoas, lugar onde interagem e formam opinião. É preciso dominar essa tecnologia e a forma de se comunicar por ela, politizando esse meio e usando-o a favor da disputa do projeto político. Seguimos com serenidade e firmeza, é hora de conversarmos com indecisos e combater a desinformação.

Nos encontramos na vitória dia 25 de outubro.

Maricá, 6 de outubro de 2026

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

um × 2 =