Tarifa Zero para derrotar o bolsonarismo novamente

Assim como o fim da escala 6×1, a Tarifa Zero é uma pauta extremamente popular aprovada por 81% da população brasileira. Em 2022, o transporte gratuito na eleição foi crucial à vitória e agora pode garantir a virada que Lula precisa se o candidato incorporar a proposta em seu plano de governo – apontando para uma melhoria concreta de futuro para o povo.

Por Movimento Passe Livre, na Jacobin

Temos, há duas décadas, uma opinião óbvia mas pouco ouvida. Acreditamos que a tarifa zero no transporte coletivo é ferramenta de combate à extrema-direita e de construção do poder popular. Neste segundo turno eleitoral e no horizonte das lutas, esta bandeira precisa de muito destaque. Ela pode reverter a catástrofe da eleição da extrema-direita. A Tarifa Zero precisa estar em todos programas eleitorais, pautas de greve, manifestações estudantis, cardápios de almoço e janta.

Surgida das ruas e temida por quem se quer dono das cidades: 81% da população brasileira aprova a Tarifa Zero no Transporte Público. A luta que construímos e o martírio que vivemos cotidianamente no transporte coletivo não nos deixa esquecer: é a melhora da vidas das pessoas que se desdobra em vitórias políticas. Assim como sua pauta irmã, o fim da Escala 6 x 1, não há dúvida de que a gratuidade universal no transporte tem um poder enorme de mudar a realidade. Nas eleições e, ainda mais importante, além delas.

A urgência da Tarifa Zero se faz presente em cada ônibus e vagão lotado, em cada luta contra aumentos no preço de passagens, nas horas perdidas longe da família na condução ou a espera dela, em veículos sucateados, no dinheiro que sai da mesa de casa para o bolso do empresário de ônibus. Mas essa mesma urgência saiu de cena nos programas eleitorais dos candidatos à presidência.

Que uma pauta tão importante para a nossa dignidade tenha sido mais uma vez ignorada impressiona ainda mais depois do efeito que sua implementação no processo eleitoral passado. A nossa luta garantiu transporte grátis em 152 municípios brasileiros. No primeiro e segundo turno de 2022, em outras centenas de cidades, contribuiu para reduzir a abstenção eleitoral.

A luta eleitoral não é e nunca foi o caminho que o Movimento Passe Livre trilha. Mas a Tarifa Zero, pauta que surge da necessidade concreta de quem faz as cidades funcionarem, foi capaz de entrar nas instituições e contribuir inclusive para assegurar uma vitória eleitoral, em um momento no qual os bloqueios da Polícia Rodoviária Federal tentavam impedir que eleitores chegassem às urnas. Se em 2022 o Estado reconheceu que o direito ao voto é negado pela existência de tarifa, quantos outros direitos não são negados no dia a dia pela catraca? Quantas consultas médicas foram perdidas por conta do preço da passagem? Quantos estudantes abandonaram os estudos? Quantas famílias deixaram de se ver?

A Tarifa Zero é um direito meio: garante que estudantes sigam frequentando as escolas; que mulheres não gastem ainda mais dinheiro entre os múltiplos deslocamentos entre jornadas; que o povo preto não esteja impedido por uma catraca para chegar ao Posto de Saúde; que a cultura produzida na cidade possa de fato ser vivida; que o dinheiro que ia enriquecer empresário passe para a vendinha da esquina. Tem mais de 20 anos que dizemos isso. Quem sabe agora, ainda que talvez pelos motivos errados, vocês tenham coragem de escutar?

Se ainda não ficou claro, dizemos mais uma vez: a Tarifa Zero, que foi relegada a segundo plano na construção das propostas eleitorais da esquerda, deve ser assumida de peito aberto. Isso ajudará a derrotar a extrema-direita nesta última seara de urnas e a fortalecer as lutas nas ruas. Este segundo elemento é ainda mais relevante.

Por uma vida sem catracas!

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