Fiocruz Mata Atlântica promove 6ª Festa Carioca das Sementes Agroecológicas pelo Dia Mundial da Alimentação

Na Agência Fiocruz de Notícias (AFN)

A Fiocruz Mata Atlântica (FMA) promoveu a 6ª Festa Carioca das Sementes Agroecológicas. Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, o evento faz parte do calendário da Semana da Alimentação Carioca do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Município do Rio de Janeiro (Consea Rio).

Com a temática Mulheres na agricultura: saberes que alimentam, a iniciativa reconhece e valoriza o papel fundamental das mulheres na guarda, multiplicação, transmissão e cuidado das sementes e dos saberes que sustentam a agrobiodiversidade. O evento tem a parceria de toda cadeia da agricultura familiar do Rio de Janeiro, representada pelas instituições Rede Carioca de Agricultura Urbana (CAU), ASPTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Instituto Municipal de Assistência Social Museu Bispo do Rosário, Fundação Angélica Goulart, Capina, Permalab, Coletivo Martha Trindade, Centro de Integração Serra da Misericórdia -CEM, Associação Agricultores Orgânicos da Vargem Grande, Associação Amigos Feira Campo Grande e Coletivo Tudo Numa Coisa Só. 

“O tema da edição deste ano nos convida a reconhecer uma história que nem sempre recebeu a visibilidade e o reconhecimento merecidos. A história das mulheres que plantam, cultivam, selecionam e guardam sementes. As quais conhecem os ciclos da natureza, preservam práticas tradicionais e transmitem seus conhecimentos de geração em geração. As mulheres são protagonistas fundamentais na construção da agroecologia. Seu trabalho vai muito além do cultivo da terra, elas organizam redes de troca, solidariedade, afeto e contribuem decisivamente para garantir alimentos saudáveis às nossas mesas. Não existe soberania alimentar sem a participação ativa e valorizada das mulheres. São elas que, em muitos territórios, mantêm vivas variedades tradicionais de plantas, compartilham experiências de cultivo e fortalecem práticas de produção que respeitam a terra e seus ciclos, e fazem esse trabalho muitas vezes carregando vidas em seus ventres”, disse a coordenadora-adjunta da Fiocruz Mata Atlântica, Andrea Vanini, na roda de conversa de abertura do evento.

Para Andrea, “valorizar este protagonismo também significa garantir às mulheres o direito à terra, ao acesso aos recursos e às políticas públicas, à autonomia econômica e à participação nas decisões que envolvem a produção de alimentos e o futuro dos territórios. Não basta reconhecer a importância do trabalho das mulheres: é necessário assegurar condições para que elas possam realizá-lo com dignidade, autonomia, reconhecimento e saúde. Quando falamos de agroecologia, falamos de uma forma de produzir alimentos que respeita a natureza, valoriza os conhecimentos dos povos tradicionais e originários e comunidades e busca construir relações mais justas entre as pessoas e o ambiente”.

A abertura do evento teve também fala de Julio Mendes, do Consea Rio, que ressaltou a parceria da como parte do calendário de atividades e ações da Semana de Alimentação Carioca, que ocorre na cidade do Rio de Janeiro há 16 anos e que há 6 celebra o Dia Mundial da Alimentação com a Festa Carioca das Sementes Agroecológicas:  “O Consea-Rio apoia esta ação, pois está em consonância com a missão do Conselho, que tem como premissa o compromisso com ações voltadas para a promoção da Segurança Alimentar e Nutricional e do Direito Humano à Alimentação Adequada”.

Ainda na abertura, Bernardete Montezano, representando a Rede CAU, falou que “semente é vida. Dar sequência a essa vida através do plantio, do conhecimento ancestral, da valorização das processadoras do território, da troca das sementes crioulas é uma pauta essencial para segurança e soberania alimentar”.

A Festa Carioca das Sementes Agroecológicas é uma ação voltada para o compartilhamento das sementes produzidas pelas agriculturas e agricultores urbanos, periurbanas guardiães da agrobiodiversidade, principalmente do entorno da Floresta da Pedra Branca e Serra da Misericórdia. As sementes de troca são em sua maior quantidade sementes de abóbora, pimentas, milho (amarelo, branco, pipoca), fava, diversas variedades de feijão (preto, guandu, caupi, xodó, vagem), quiabo, tomate, além de ramas de aipim, batata doce e plantas medicinais.

Para Claudemar Mattos, do Escritório Técnico de Agroecologia, Segurança, Soberania Alimentar e Economia Solidária da Fiocruz Mata Atlântica, “ao reconhecermos que os territórios cariocas são vulneráveis aos efeitos das emergências climáticas, torna-se necessário e urgente planejar e promover ações capazes de antecipar e reduzir tragédias e perdas em nossa agrobiodiversidade, o objetivo é garantir que os sistemas alimentares sejam capazes de se adaptar aos desafios de hoje e de amanhã, como as mudanças climáticas e o crescimento populacional, sem deixar ninguém para trás. A troca das sementes agroecológicas faz parte das estratégias desenvolvidas pela FMA por meio da proposta da Casa Mãe de Sementes, que está estruturalmente instalada no Laboratório de Sementes em parceria com o Escritório Técnico de Conservação e Gestão da Restauração Ecológica, que visa armazenar, guardar e distribuir sementes agroecológicas, do Coletivo de Sementes Urbanas Carioca, mantendo suas qualidades genéticas, físicas, sanitárias e germinativas. Tem como finalidade o fortalecimento e apoio aos guardiões e guardiães de sementes agroecológicas por meio de encontros, intercâmbios e trocas de saberes. A atuação se dá não só na perspetiva da semente em si, mas de promoção da saúde, soberania alimentar e nutricional por meio de assessoria sociotécnica em rede de parcerias para a agricultura urbana carioca, incluindo compostagem, tecnologias sociais de saneamento, mercados locais, e incidência em políticas públicas”, concluiu.

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