‘Aceita! Aceita a democracia!’ Por Hugo Souza

Sobre a violência policial e não policial contra eleitores de Lula após a retumbante vitória da democracia justamente contra a barbárie.

No Come Ananás

“Fuzilar a petralhada”. Lembra? Foi o que disse Jair Bolsonaro em 2018, num palanque, em campanha eleitoral. Até hoje, ficou por isso mesmo. “Não dá para pegar uma metralhadora, não?”. Lembra? Foi o que disse o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, em 2021, sugerindo o que fazer com a deputada petista Natália Bonavides. Até hoje, ficou por isso mesmo.

Fuzilar, metralhar. Por que não, então, enfocar, atropelar? Na noite deste domingo, 25, a polícia do nepo baby Carlos Massa Ratinho Júnior, ressentida com a derrota do nepo baby Flavio Nantes Bolsonaro, atacou ferozmente, com mata-leões, e prendeu uma eleitora de Lula em Guarapuava, no centro-sul do Paraná. A vítima, Renata Kempf, é pesquisadora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

O Centro Acadêmico do curso de Serviço Social da Unicentro emitiu nesta segunda-feira, 26, uma nota de repúdio à violência policial e em defesa dos direitos democráticos:

“O que deveria ser um momento de celebração popular foi marcado pela repressão policial, com a utilização de bombas de efeito moral, spray de pimenta e denúncias de agressões físicas, culminando na prisão da pesquisadora Renata Kempf, em circunstâncias que exigem esclarecimento e rigorosa apuração.”

“Renata é integrante do Núcleo de Pesquisa Joana de Andrade: Tabankas, Quilombos e Terreiros, doutora pelo PPGMADE e pesquisadora de reconhecida trajetória acadêmica. Sua tese, orientada pela Profa. Dra. Carolina dos Anjos de Borba, recebeu o reconhecimento de melhor tese na área de Ciências Ambientais na 18ª edição do Prêmio CAPES de Tese (2023).”

Corta para Florianópolis, onde também na noite deste domingo um policial militar atropelou de propósito um motociclista que comemorava a vitória de Lula. A viatura da PM Rodoviária de Santa Catarina que atravessou o canteiro central da SC-403 e atingiu o rapaz em cheio é um SUV 4×4, mas o governador bolsonarista do estado, Jorginho Mello, já andou dizendo que “se a polícia me pedir um tanque de guerra, eu vou autorizar”.

Quando o governo Lula instituiu o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, o governador bolsonarista reeleito de Santa Catarina apareceu nas redes sociais empunhando um taco de beisebol e dizendo, ameaçador: “tá bom então, pode deixar”.

Nas redes sociais, são muitas as imagens de violência policial ou de bolsonaristas “civis” contra eleitores de Lula registradas neste domingo em muitos lugares do país, principalmente à noite, após a vitória da democracia exatamente, precisamente, justamente contra a barbárie.

Em Muqui, no sul do Espírito Santo, policiais militares atacaram eleitores de Lula no centro da cidade com bombas e tiros de granada de gás. Nem os gritos de “tem crianças, tem criança!” aplacaram a sanha da “força auxiliar”. Auxiliar de quem? Em última análise, auxiliar de quem?

Presidente do Psol local, Ériton Berçaco estava na festa da vitória de Lula no centro de Muqui e filmou o ataque policial. No vídeo, ele questiona os PMs: “Você estão a mando de quem aqui? Quem é o comandante?”. E apela, ao berros e em vão, para que os PMs parassem de fazer aquilo:

“É a democracia! Aceita! Aceita a democracia!”

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