Belo Monte: sem água

Por Lúcio Flávio Pinto, da Amazônia Real

Desde ontem (25), que foi o dia da eleição para Presidente da República, a Norte Energia vem mantendo a vazão de água do rio Xingu em 100 metros cúbicos por segundo, graças a autorização dada pelos órgãos do governo federal. Essa iniciativa autorizou a empresa a reduzir em dois terços o volume de água que passa pela Grande Volta do Xingu, impedindo os moradores de utilizar essa margem seca do rio. Esses 100 metros cúbicos, porém, nada significam para a geração, já que cada uma das 18 turbinas necessita de volume de água muito maior, 7.875 mil metros cúbicos por segundo, para atingir sua potência máxima, de 11 mil MW. A gigante do Xingu, portanto, está parada.

A Norte Energia, concessionária da usina, alega que a redução de vazão é “medida preventiva diante dos possíveis efeitos do fenômeno El Niño na região Norte. A vazão está sendo reduzida gradualmente de 300 m³/s para 100 m³/s. Essa medida não altera o volume de água destinado à Volta Grande do Xingu”, garantia que os moradores da região contestam, mostrando os trechos de seca na calha do rio. Mas a empresa informa que a iniciativa permanecerá em vigor até 30 de novembro, com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Durante todo o período da “operação excepcional”, a Norte Energia realizará “o monitoramento da qualidade da água, das condições dos igarapés, da navegação e da movimentação dos peixes, mantendo os órgãos reguladores informados sobre os resultados”.

Belo Monte é a maior usina hidrelétrica 100% brasileira e a quinta maior do mundo. Desde que entrou em operação, em maio de 2016 até o primeiro semestre deste ano, a usina gerou 264.934.035 MWh, energia suficiente para atender toda a demanda do país por cinco meses sem precisar recorrer a outras fontes. A hidrelétrica é responsável em média pelo atendimento de 5% da demanda do país e atua como bateria natural do sistema, ajudando na reserva nacional e em momentos de alta demanda de energia.

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