11 anos do crime de Mariana: atingidos realizam jornada por soberania, reparação e direitos

Mobilização em Minas Gerais reúne atingidos de diferentes regiões e prevê agendas com o Governo Federal, instituições de Justiça e representantes do governo estadual eleito para cobrar reparação integral

por Amanna Brito / MAB

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, provocou um dos maiores crimes socioambientais da história do Brasil. A lama de rejeitos destruiu comunidades, tirou vidas, atingiu territórios de Mariana (MG) e percorreu a Bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo e Sul da Bahia, comprometendo o meio ambiente, as atividades econômicas e as condições de vida de milhares de pessoas.

Onze anos depois, a luta por reparação integral, direitos e reconhecimento das pessoas atingidas continua. Para marcar a data, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza, de 4 e 6 de novembro, a Jornada dos Atingidos e Atingidas da Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais, com o lema “Povo em luta por soberania, reparação e direitos!”.

A jornada combina atividades de memória, diálogo com comunidades e mobilização política. A programação inclui a entrega de mudas nativas, homenagem às vítimas e à memória do crime em Bento Rodrigues, reuniões com representantes do Governo Federal e uma mobilização estadual para cobrar o cumprimento dos compromissos de reparação.

O processo de reparação exige participação popular, transparência e garantia de direitos. Nesse sentido, os atingidos mobilizados irão entregar documentos para a equipe de transição do governador eleito em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), apresentando demandas e pautando responsabilidades do futuro governador no Novo Acordo Rio Doce. Além de reafirmar a cobrança pela atuação do Governo Federal, que será fundamental para acompanhar e assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos com atenção às reivindicações das comunidades atingidas. Para o MAB, a organização popular e a mobilização permanente são essenciais para que a reparação avance e responda às necessidades de quem convive há 11 anos com as consequências do crime.

A jornada terá como foco a luta por reparação integral na Bacia do Rio Doce e contará também com a participação de atingidos e atingidas de outras regiões de Minas Gerais, incluindo a Bacia do Rio Paraopeba, além de comunidades atingidas de Itatiaiuçu e Congonhas. A presença dessas comunidades reforça a solidariedade e o apoio à luta dos atingidos do Rio Doce, que seguem mobilizados para cobrar a continuidade do processo de reparação e a garantia de seus direitos.

Programação

4 de novembro, quarta-feira

7h às 10h: Entrega de mudas nativas personalizadas para usuários da MG-262, na Escola Família Agrícola Paulo Freire, comunidade de Boa Cama, em Acaiaca (MG).

5 de novembro, quinta-feira

9h: Evento “11 anos da morte do Rio Doce”, em Governador Valadares (MG).

10h: Ato de homenagem e memória em Bento Rodrigues de origem, em Mariana (MG).

18h: Reunião com a presença do Governo Federal na Comunidade Quilombola Vila Santa Efigênia, em Mariana (MG).

19h: Reunião com juventude e grupo de Hip Hop, no bairro Santo Antônio, em Mariana (MG)

19h: Solenidade sobre a reparação no Rio Doce, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, em parceria com a vereadora Luiza Dulci (PT).

6 de novembro, sexta-feira

9h: Encontro “Atingidos e atingidas na Bacia do Rio Doce: 11 anos de luta por soberania, reparação e direitos!”, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte.

14h: Caminhada pela soberania, reparação integral e direitos, em Belo Horizonte.

Onze anos após o rompimento da barragem de Fundão, a mensagem das comunidades permanece: a reparação integral é um direito, e a luta continua até que os compromissos sejam cumpridos e os direitos das pessoas atingidas sejam garantidos.

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