Estou sob censura: reportagem sobre Willer Tomaz é retirada do ar após decisão judicial. Por Paulo Motoryn

Juíza do TJDFT impõe alterações no título e em informações factuais da investigação jornalística que tiram sentido da matéria; medida será contestada na Justiça.

No Noites Húngaras

Uma reportagem publicada em parceria da newsletter Noites Húngaras com o site ICL Notícias, em 23 de setembro de 2026, sobre relações empresariais envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, foi retirada do ar após decisão da 15ª Vara Cível de Brasília.

A Justiça não determinou a retirada, mas impôs alterações nos títulos e em informações factuais da investigação jornalística que deixam a matéria sem sentido. Por esse motivo, a newsletter Noites Húngaras e o ICL Notícias tomaram a decisão editorial de retirar as reportagens do ar. Estamos contestando judicialmente a decisão.

A investigação jornalística, fundamentada em documentos públicos, registros empresariais e apuração em campo, assinada por mim e pela repórter Alice Maciel, examinou a participação de Lídia Maria Figueiredo Mazelli em sociedades e suas conexões com negócios relacionados ao advogado. A matéria teve ampla repercussão no debate eleitoral.

A ação judicial foi apresentada por Lídia, que questionou a divulgação de referências à sua trajetória profissional e informações sobre seu papel nas empresas investigadas.

Embora tenha rejeitado o pedido de retirada integral da reportagem e do vídeo, a Justiça determinou a supressão de informações, além de alterações que desfiguram o teor original da reportagem.

A imposição judicial de mudanças em uma investigação jornalística factualmente correta, produzida com rigor e baseada em documentos, representa, na prática, a censura e uma interferência grave na autonomia editorial e na liberdade de imprensa.

A decisão será contestada por meio de recurso judicial, com o objetivo de preservar a integridade da reportagem e o direito da sociedade à informação.

A retirada temporária da reportagem por parte do ICL Notícias e da newsletter Noites Húngaras não representa reconhecimento de erro jornalístico, mas uma medida adotada diante de uma ordem judicial descabida acompanhada de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento. A expectativa é que a reportagem possa ser restabelecida integralmente após a revisão da decisão.

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Neste caso em específico, conto com o amparo jurídico do ICL Notícias, a quem agradeço profundamente pelo apoio e pelo compromisso com a defesa do jornalismo independente. Essa proteção é fundamental para enfrentar uma ação que considero uma tentativa de interferência judicial em uma investigação de interesse público.

Mas esta não é a única ação judicial que enfrento em razão do meu trabalho. Há outros processos, ameaças e tentativas de intimidação que exigem recursos e preparação.

Por isso, preciso do apoio dos leitores para construir um fundo próprio de defesa jurídica, garantir minha independência e estar preparado para continuar investigando e publicando em 2027. Apoiar a newsletter é também ajudar a assegurar que o custo de fazer jornalismo não se transforme em um instrumento de silenciamento.

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