Experiências do Núcleo de Tecnologia do MST mostram: dados não são “ativos”, mas fruto de relações sociais complexas. Protegê-los não é apenas mitigação de riscos, mas uma forma de promover direitos coletivos, com consentimento claro e transparência em todo o processo
Por Alexandre Costa Barbosa, em Outras Palavras
A sociedade está cada vez mais convencida de que o capitalismo é uma força natural e que o modo de produção voltado para a acumulação atende às necessidades sociais. A prosperidade individual é vista como resultado direto do trabalho duro, enquanto a contradição entre capital e trabalho é tratada como uma invenção ideológica. Esse senso comum retrata bilionários como seres humanos geniais, cujos intelectos e iniciativas geram emprego e prosperidade, como visionários que libertam a humanidade do atraso. Ao estigma da pobreza, junta-se a ideia de fracasso, sob o peso da responsabilidade individual. Os bilionários da tecnologia, por sua vez, construíram a imagem de visionários que libertam a humanidade do atraso. A desigualdade, portanto, seria o resultado desejável de um processo algumas vezes referido, timidamente ou não, pelo conceito funesto de evolução. (mais…)
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