Extrema-direita brasileira quer colocar em xeque o Estado democrático de direito e a soberania nacional. Entrevista especial com Argus Romero Abreu de Morais

A extrema-brasileira “condensa três momentos históricos marcantes nos últimos cem anos”: movimentos totalitários dos anos 1930, com participação religiosa e civil; centralidade ideológica do militarismo na organização social, como na década de 1960; e aprofundamento na neoliberalização desde a crise de 2008, diz professor da UFMS

Por: Patricia Fachin, em IHU

Desde o fim da ditadura militar, não foram poucos os teóricos que problematizaram o desenvolvimento do Brasil e a dependência latino-americana para com os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, propondo alternativas à superação deste quadro. Menos de quatro décadas depois, contudo, o que se observa é uma “tentativa de retomada do passado pelas extremas-direitas”, adverte Argus Romero Abreu de Morais na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Os países do Sul Global, pontua o entrevistado, “parecem convergir com os projetos (re)colonizadores dos países do Norte Global, opondo-se justamente a projetos que possam promover a autonomia nacional, regional e a reconfiguração da ordem global a partir dos seus interesses nacionais”. (mais…)

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Anistia: Como lema da esquerda foi pego por bolsonaristas e virou mote no 7 de setembro

Foco dos atos deste domingo é o perdão a quem invadiu Brasília em 8 de janeiro e réus por tentativa de golpe

Por Amanda Audi | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

A palavra “anistia” sempre soou familiar à esquerda brasileira. Foi bandeira das campanhas pela volta de exilados e pela libertação de presos políticos da ditadura militar – entre eles, Leonel Brizola, que foi governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, e Herbert José de Sousa (Betinho), “o irmão do Henfil” da música O bêbado e o equilibrista, que virou um hino da época. O movimento exigia uma “anistia ampla, geral e irrestrita” que veio em 1979, mas em termos diferentes dos esperados: além de beneficiar vítimas, também absolveu agentes do Estado que cometeram crimes e até hoje deixam dinheiro público a herdeiras. (mais…)

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Dois bandeirões. Por Hugo Souza

Quarenta anos depois da imagem histórica da multidão se protegendo da chuva debaixo de uma enorme bandeira do Brasil, em Brasília, no dia da eleição de Tancredo, vimos o que vimos na Avenida Paulista.

No Come Ananás

“Acabou o ciclo autoritário: Tancredo é o primeiro presidente civil e de oposição desde 1964”, estampou a Folha de S.Paulo em manchete no dia 16 de janeiro de 1985, dia seguinte à eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

O dia da eleição de Tancredo Neves produziu uma imagem histórica na frente do Congresso: uma multidão eufórica se protegendo da chuva sob uma enorme, gigantesca bandeira do Brasil. Naquele 16 de janeiro, a imagem saiu na capa do Estadão com a legenda: “a bandeira, um abrigo”. “País explode em alegria verde-amarela”, dizia a capa do Globo. (mais…)

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Nos cultos, Malafaia usa Bíblia para transformar investigação em provação divina

Apontado como orientador de Bolsonaro pela Procuradoria, pastor usa passagens para se defender — e contra-atacar

Por Carol Castro, Rafael Custódio | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Passavam das 10 da manhã, quando o pastor Silas Malafaia subiu ao púlpito para dar uma bronca em seus fiéis. Suas “ovelhas”, como ele se refere aos membros da igreja, precisavam trazer mais pessoas para o culto – não bastava estarem ali, se não convertessem conhecidos. A reclamação tinha motivo: naquele domingo ensolarado de 31 de agosto deste ano, sobravam cadeiras na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), na Penha, zona norte do Rio, com capacidade para seis mil pessoas. A parte superior estava praticamente vazia. (mais…)

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Para que Soberania não seja slogan vazio

Em palavras, a resistência do governo Lula a Trump é valorosa. Mas na política de comércio externo, e na ausência de planejamento, o Brasil segue prisioneiro de dogmas neoliberais arcaicos, reprimarizado e submisso a acordos colonialistas

Por Paulo Nogueira Batista Jr e Manoel Casado, em Outras Palavras

Trump enterrou a arquitetura comercial internacional que os Estados Unidos criaram. Foi sem cerimônia. A velha ordem liberal teve um enterro de indigente. (mais…)

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Tem um governador no meio do caminho da USP. Por Eugênio Bucci

A lista tríplice da USP segue para as mãos de um Executivo que desdenha da democracia e da cultura. O risco iminente é que a violência simbólica de sua gestão invada o território do pensamento livre e crítico

Em A Terra é Redonda

1.

Neste segundo semestre, a Universidade de São Paulo (USP) vai escolher quem ficará à frente da reitoria pelos próximos quatro anos. É a “eleição reitoral”, como se diz no jargão acadêmico. Estamos falando da designação do dirigente da maior e mais ativa universidade do Brasil, frequentemente apontada nos rankings internacionais como uma das cem melhores do mundo. (mais…)

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