O julgamento e a radicalização democrática. Por Edson Teles

Por Edson Teles*, no blog da Boitempo

O julgamento do ex-presidente Bolsonaro e da sua tropa golpista está a configurar-se como um grande evento político, jurídico e institucional do Estado de Direito no país. Dos oito réus, cinco são oficiais militares (um da Marinha e quatro do Exército); outro deles, o ex-presidente, já esteve nos quartéis; e dos dois civis restantes, um comandou a agência de espionagem do Estado. Trata-se, sem dúvida, de um dos maiores acontecimentos políticos da democracia no pós-ditadura, com um impacto histórico no contexto brasileiro e, inclusive, mundial. Uma espécie de vitrine para as democracias liberais do século XXI. (mais…)

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Jair já se foi. Agora só resta o bolsonarismo

Às vésperas do julgamento de Bolsonaro, a briga de quem o sucederá. De Michelle, Eduardo e Tarcísio de Freitas aos mais “centristas” Zema e Caiado, quem transita mais entre evangélicos, militares e o “olavismo”? E em que nomes como Nikolas Ferreira e Malafaia podem influir

Por Marcos Farias, em Outras Palavras

O bolsonarismo vive… sem Bolsonaro

Tanto Nikolas quanto Eduardo Bolsonaro querem ver Jair Bolsonaro preso, o quanto antes. Sim, parece duro. Mas faz sentido. Explico. (mais…)

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Bolsonaro está no banco dos réus por tentativa de golpe em um julgamento essencial para a democracia global. Por Bernardo Gutiérrez

O julgamento, que começa nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal, pode resultar em até 43 anos de prisão para o ex-presidente brasileiro e prejudicar ainda mais as relações diplomáticas com os Estados Unidos.

por Bernardo Gutiérrez*, em El Diario / IHU

Drones com câmeras térmicas para detectar movimentos suspeitos, cães farejadores, detectores de metais e um controle rígido da Polícia Militar nunca antes visto no Brasil durante um julgamento. A sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, invadida por fanáticos bolsonaristas em 8 de janeiro de 2023, sedia desde terça-feira o julgamento mais aguardado da história do país sul-americano. O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete colaboradores, considerados pela Procuradoria-Geral da República como núcleo duro, são acusados ​​de formação de organização criminosa, tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes. (mais…)

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Brasil serve como laboratório de retaliações e de intervenções jurídicas para os EUA. Entrevista especial com Paulo Niccoli Ramirez

“Países que não estiverem alinhados com os Estados Unidos deverão sofrer não só retaliações econômicas, mas também retaliações ao Judiciário, Executivo, Congresso, aos corpos políticos, e inclusive uma eventual intervenção militar”, diz o cientista político

IHU

“As sanções a Alexandre de Moraes e a outros membros do Supremo Tribunal Federal – STF é a indicação de que há uma tentativa explícita de intervenção norte-americana nos processos políticos brasileiros, o que demonstra também uma intervenção sobre a soberania nacional”, afirma Paulo Niccoli Ramirez, na entrevista a seguir, concedida por telefone ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Segundo ele, o Brasil não estava entre as nações que despertavam o interesse dos EUA, mas com a eleição de Trump e a possível prisão do ex-presidente Bolsonaro, começaram a surgir justificativas de intervenção no país, baseadas no argumento de que o ministro do STF está cerceando a liberdade de expressão nas redes sociais. Por trás dessa narrativa, diz o entrevistado, “o que existe, sim, é um interesse econômico das big techs em ganhar recursos financeiros através de notícias falsas. Esse é um ponto muito pouco debatido. Fake news dá dinheiro para as big techs e para os influenciadores. Essa fonte de renda, que é tão lucrativa e abastece a rede internacional da extrema-direita, tem como sua fonte as redes sociais”. (mais…)

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À beira do colapso? A falência dos modelos atuais de pesquisa e pós-graduação

Por Érico Andrade*, no blog da Boitempo

O sistema de pós-graduação no Brasil conheceu um avanço raro em poucas décadas. Para dar um exemplo, basta dizer que em 2023 a pós-graduação stricto sensu superou a marca de 350 mil matrículas. O crescimento da produção científica no Brasil e o incremento na formação de pessoas com mestrado e doutorado é notável. Segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação, temos ainda um número deficitário de doutores quando comparado a outros países, mas com um esforço descomunal da comunidade acadêmica estamos equalizando esse quadro. Contudo, esse crescimento, por um lado, não foi acompanhado de melhores condições de trabalho, e por outro, foi objeto de uma maior ingerência dos órgãos de controle sobre a vida universitária. Ou seja, o aumento significativo na produção científica não teve como contrapartida um aumento do investimento em ciência que pudesse desonerar o pesquisador de ser um administrador, contador e expert em prestação de contas de projetos. Ademais, os órgãos de controle passaram a comportar cada vez mais exigências — todas elas quase kafkianas. Nos programas de pós-graduação, as secretarias (quando existe secretaria) parecem abarrotadas de trabalho, porque os sistemas das universidades para monitoramento da vida acadêmica estão cada vez mais complexos. Para alguns deles, aliás, é preciso até um tutorial de uso! (mais…)

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A reforma administrativa tá chegando. E agora? Por Sérgio Botton Barcellos

O debate sobre a reforma administrativa (PEC 32/2020) que estava em voga, em um período histórico mais recente, entre os anos de 2019 e 2022, voltou com força em 2025, por meio de um grupo de trabalho (GT) no Congresso que avança com baixa clareza, diálogo público restrito e indefinições sobre vínculos, estabilidade e carreiras. Conforme noticiado amplamente na mídia no dia 25 de agosto é anunciado que a reforma administrativa entra na pauta prioritária da Câmara, afirma Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados. Ou seja, é reforçado o status central dessa agenda política no Congresso e sinaliza um avanço pressionado, mesmo diante das diversas críticas na atual conjuntura vivida no Brasil, o que agrava os riscos de avanços legislativos de caráter austero e tecnobutrocrático, apressados e feitos sem a discussão apropriada e igualitária com todos os atores envolvidos. (mais…)

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