O samba se despede de sua madrinha

Beth Carvalho era uma mulher valente e irrompeu em um mundo pensado para os homens. Foi pioneira e parte do que ela considerou uma revolução feminista

Por María Martín e Felipe Betim, no El País

O sambista Zeca Pagodinho contava, em dezembro, que para ele era muito difícil ver sua “madrinha”, Beth Carvalho (Rio de Janeiro, 1946), prostrada em uma cama. Mas um dia, depois de uma gravação, decidiu ir visitá-la no hospital com um grupo de músicos. Carregados de cerveja, encheram o quarto de álcool e alegria e deram de presente a Beth sua penúltima roda de samba.

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Lei Rouanet e a cultura em demolição

Mexida nos incentivos culturais é tosca. Governo inviabiliza produções artísticas — entre elas, grupos experimentais e orquestras — e ameaça milhares de empregos, a pretexto de “combater marxismo cultural”

Por Célio Turino, em Outras Palavras

Não é algo atabalhoado, é projeto. Projeto de desmonte da cultura e das artes, é ataque à alma de um povo. Não me refiro especificamente à lei, que tem falhas e pontos a ser mudados e aperfeiçoados, mas ao sentido de demolição de todo um sistema de financiamento da Cultura. Percebendo que não tinha condições de acabar com a lei, pura e simplesmente, por medo e incapacidade para enfrentar o debate, o governo Bolsonaro toma as seguintes medidas:

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Premiado filme mineiro propõe outra forma de ver a questão indígena

por Paulo Henrique Silva, em Hoje em Dia

Em maio de 2018, a produção mineira “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” levou o Prêmio Especial do Júri da mostra “Un Certain Regard”, no Festival de Cannes, na França. Ao passarem pelo tapete vermelho, os diretores João Salaviza e Renée Nader Messora e os produtores Ricardo Alves Jr. e Thiago Corrêa exibiram cartazes pedindo a “demarcação já!” de terras indígenas.

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O risco à civilização e o surgimento do Homo stupidus stupidus. Por Rubens. R. R. Casara

Na Cult

Guerras, catástrofes e crises são cada vez mais necessárias ao capitalismo. A capacidade de produzir, acumular e circular valores a partir da desgraça e do infortúnio explica, em muito, o sucesso de um modelo que muitos acreditavam estar fadado a desaparecer a partir de suas contradições. O ato de destruir, para em seguida reconstruir, torna-se natural e, ao mesmo tempo, pode ser tido como fundamental à manutenção de uma estrutura em que até a dor e o sofrimento acabam transformados em mercadorias.

Não por acaso, hoje, vários retrocessos são percebidos em todo o mundo (não se pode, porém, descartar que o Brasil ocupe uma posição de destaque na dinâmica mundial como um laboratório em que se testa a mistura entre conservadorismo, ultra-autoritarismo e neoliberalismo). Voltar para evitar o fim, repetir e reconstruir para lucrar a qualquer custo, isso em um espiral infinito.

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Depois de 50 obras para crianças, Daniel Munduruku lança livro de reflexões

Do Estadão, em O Diário

Daniel Munduruku é uma pessoa do presente. Não planeja muito as coisas, vai aproveitando as oportunidades. Aprendeu isso com o avô, que dizia que é preciso olhar para o hoje como o grande presente da vida (e também que devia ser persistente como o rio, que não para diante das dificuldades). E tem dado tudo certo para este escritor nascido em Belém em 1964, criado em aldeia mundurucu até os 9 anos, que foi, como tantas outras crianças indígenas que cresceram na ditadura militar, estudar na cidade, que sofreu bullying, foi chamado de selvagem, quase virou padre, se formou em filosofia, fez doutorado em Educação, foi professor e, graças a seu olhar atento, se tornou escritor. O primeiro escritor indígena a publicar livros para crianças não indígenas.

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The Intercept Brasil: Como derrubamos duas páginas de ódio sem dar audiência para elas

Por Alexandre de Santi e Tatiana Dias, do TIB

Desde o atentado na escola de Suzano, temos discutido aqui no Intercept qual é a melhor maneira de abordar casos de disseminação de ódio, ameaças, suicídios e terrorismo. A gente já decidiu, por exemplo, que não vai dar os nomes e nem informações detalhadas sobre assassinos e os espaços que costumam incitar e aplaudir violência. O que eles querem é notoriedade – e nós não vamos contribuir para isso.

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A arte de envelhecer – e ensinar – dos povos verdadeiros

Escritora, a exemplo dos anciões indígenas, inicia nova missão: transmitir conhecimentos. Com experiência de 35 anos com povos originários, ela promove, com a presença de várias etnias, trocas de saberes em evento na capital paulista

por Inês Castilho, em Outras Palavras

A jornalista e escritora Angela Pappiani, 64 anos, dá início a sua jornada de anciã: começa a transmitir conhecimento. Essa é a missão das pessoas nessa fase da vida, segundo os povos originários do Brasil.

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