Big Pharma: um maremoto no Norte Global

Trump busca baratear preço dos medicamentos, por meio de incentivos para fábricas voltarem aos EUA. Em seguida, farmacêuticas com base na Europa impõem exigências perigosas para não abandonar continente. Por que essa disputa afetará o mundo inteiro?

por Gabriela Leite, em Outra Saúde

No dia 15 de abril, Donald Trump assinou mais uma de suas Ordens Executivas (OE), cujo objetivo declarado é ampliar esforços, já tentados em seu primeiro mandato, para reduzir os preços dos medicamentos prescritos. O título da OE (Presidente Donald J. Trump anuncia medidas para reduzir os preços de medicamentos prescritos) incorre em erro, na medida em que trata também de medicamentos isentos de prescrição. No meu ponto de vista, a medida parece não ir muito além de ser uma tentativa de reagir a uma anunciada queda de popularidade de seu governo. Ao longo de sua leitura, por vários motivos, nada sugere algo além dessa intenção. (mais…)

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Sociedade civil planeja ocupar as ruas e pressionar governos na COP30

Chance de protestar e fazer negociações avançarem eleva a expectativa por participação na Conferência do Clima em Belém

Por Isabel Seta | Edição: Giovana Girardi, Agência Pública

A sociedade civil do Brasil – país que costuma pontuar alto nos rankings de países que mais se preocupam com as mudanças climáticas e que gostariam de ver ações incisivas de seus governantes sobre o problema – acredita que é nas ruas onde estará a maior força da COP30, a Conferência do Clima da ONU, que vai ser realizada em Belém no fim do ano. (mais…)

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Acordo das Pandemias: os limites de seu texto final

A OMS anunciou um consenso e tudo indica que o tratado será adotado em maio. Ele será importante, mas não o acordo de que o mundo precisa: timidez das cláusulas, diluídas pelas grandes potências, poderá manter países em desenvolvimento vulneráveis

por Guilherme Arruda, em Outra Saúde

Na última quarta-feira (16/4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou em comunicado que, após mais de três anos de negociações, os países chegaram a um consenso quanto a uma proposta de texto para o Acordo das Pandemias. O anúncio precede em cerca de um mês a realização, em Genebra, da Assembleia Mundial da Saúde deste ano – onde espera-se que a redação final do tratado seja aprovada. (mais…)

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Grandes substituições. Por Luiz Marques

Forum 21

A historiadora e psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, em O eu soberano: ensaio sobre as derivas identitárias, aponta a hipertrofia egoica e a intoxicação narcísica em guinadas ideológicas que conduzem a um “novo conformismo da norma”. Qual os atenienses que veneravam o “navio de Teseu”, os timoneiros atuais de tanto trocar as peças gastas por outras não conseguem assegurar que se mantêm na mesma embarcação desde o princípio ao fim da jornada, com coerência filosófica. (mais…)

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Perry Anderson: O neoliberalismo, esse zumbi

Desde a crise de 2008, sistema nega a si mesmo e adota parte do que propugnam seus adversários – apenas para conservar-se vivo e manter sua essência. A causa crucial é falta de uma alternativa. Mas a História, às vezes, preenche esta lacuna…

Por Perry Anderson, na London Review of Books | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Passado um quarto deste século, “mudança de regime” tornou-se uma expressão canônica. Significa a derrubada em todo o mundo — normalmente, mas não apenas, pelos Estados Unidos — de governos que não são do agrado do Ocidente; empregando-se, para esse propósito, força militar, bloqueio econômico, erosão ideológica ou uma combinação de tudo isso. No entanto, originalmente o termo significava algo bem diferente: uma mudança generalizada no próprio Ocidente. Não a transformação súbita de um Estado-nação pela violência externa, mas a instalação gradual de uma nova ordem internacional em tempo de paz. (mais…)

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O nexo entre neofascismo e neoliberalismo e a criação sistemática de crises. Entrevista especial com Adriano Correia Silva

Enquanto o neofascismo esfacela estruturas estatais, o neoliberalismo as combate. Comportamento fomentado pelas redes sociais interdita debate público, engaja indivíduos atomizados a consumirem discursos pré-fabricados e opera via desresponsabilização

Por Márcia Junges, em IHU

“Na sociedade de massas, que ainda é a nossa, onde cada pessoa é levada a se ver apenas como uma peça dentro de uma engrenagem maior, é comum que haja uma separação profunda entre a personalidade individual e o papel que se exerce, como se o desempenho de funções como empregado ou servidor público estivesse isento dos juízos morais normalmente aplicáveis a outras áreas da vida. Além disso, muitas vezes a identidade pessoal se confunde totalmente com a função desempenhada, reduzindo o indivíduo à condição de um agente anônimo dentro de uma estrutura burocrática, esvaziando a riqueza e a complexidade de sua humanidade”, reflete Adriano Correia Silva em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Para o pesquisador,

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O ovo do pato: notas sobre ideologia no capitalismo decadente. Por Mauro Iasi

“Alguém ainda acredita que a sociedade capitalista é a sociedade da igualdade? Alguém ainda acredita na ideia positivista de progresso? Em que escaninho empoeirado foi parar a ideia de fraternidade? As bombas que caem em Gaza são para defender a liberdade e a democracia? No dia da libertação, quem foi liberto?”

Por Mauro Luis Iasi, no blog da Boitempo

“Quanto mais a forma normal de intercâmbio da sociedade e com isso, as condições da classe dominante desenvolvem  sua oposição  às forças produtivas progressistas, quanto mais cresce, em decorrência, a discórdia na própria classe dominante e entre ela e a classe dominada, é claro que tanto mais inautêntica se torna a consciência (…) e descamba para meras frases de efeito idealizadoras, para ilusão consciente, para hipocrisia proposital” 
— Marx e Engels, A ideologia alemã (mais…)

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