Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, degradação ambiental, pandemias, resistência aos antimicrobianos, riscos na segurança dos alimentos e insegurança alimentar são faces da mesma crise sistêmica global, profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista dominante. A implementação de estratégias baseadas na abordagem Uma Só Saúde torna-se essencial para enfrentar os desafios contemporâneos de forma mais efetiva, promovendo uma visão sistêmica que integra as dimensões da saúde humana, animal, vegetal e ambiental
David Soeiro Barbosa, Christina Pettan-Brewer, Rodrigo Angerami, Fernando Nogueira de Souza e Marcos Boulos, Le Monde Diplomatique Brasil
Quando a pandemia de COVID-19 nos impactou com consequências catastróficas, ficou ainda mais evidente que nossa abordagem fragmentada da saúde havia falhado sob diversas perspectivas, como na detecção precoce, na adoção de medidas de controle oportunas e na capacidade de resposta ágil e efetiva. Igualmente, na fragilidade da coordenação e compartilhamento de dados, na interrupção de outros serviços essenciais e na disseminação massiva de desinformação. Esta situação reafirmou a urgência da incorporação de uma visão integrada compreendendo saúde humana, animal, vegetal e ambiental, entendendo que neste último deve-se considerar um sistema socioecológico complexo que engloba elementos bióticos e abióticos interconectados, fundamentais para a sustentabilidade da vida e da saúde. Não há “Uma Só Saúde”, também conhecida como “Saúde Única”, sem compreender que a crise sistêmica global, incluindo a relação das mudanças climáticas, degradação ambiental, ameaças na biodiversidade e a ocorrência de emergências de saúde pública, como as epidemias e pandemias, estão profundamente interconectadas com o modelo econômico capitalista. (mais…)
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