Chacina do Rio: Qual a resposta das esquerdas? Por Luiz Eduardo Soares

O banho de sangue nas favelas cariocas é exemplar na disputa por seu significado na luta política. Ouvir as maiorias é imperativo – mas não se deve abdicar de liderar, pedagogicamente, o repúdio radical a atos execráveis contra a vida: o massacre é inaceitável

Por Luiz Eduardo Soares, em Outras Palavras

No massacre do dia 28 de outubro, no Rio de Janeiro, foram mortas 121 pessoas -a contagem pode aumentar-, muitas delas com a extravagância de quem não se limita a matar: manifesta o desejo de comentar o assassinato, acrescentando ao crime um superlativo e uma assinatura, produzindo excesso de significação (decapitação, mutilação, esfaqueamento, desmembramento) que, paradoxalmente, anula o significado objetivo e utilitário da prática homicida, redefinindo o gesto como um movimento além do ato, destinado a comunicar outro sentido, não contido na cena “operacional”. Mais uma vez, compulsão à repetição como “política de segurança”, em escala crescente: está em jogo, novamente, o endereçamento da abjeção social -para que lado olhar, onde  identificar a fonte do mal e do medo, mobilizando quais afetos? É aí que se instala, e intensifica, o racismo. Há um locus privilegiado, um território. O racismo é uma geografia, uma geopolítica urbana -viva Milton Santos! A operação policial não visava prover segurança, mas qualificar a insegurança. (mais…)

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Novembro negro: e novamente precisamos falar de racismo ambiental e necropolítica

por Paulo Roberto R. Soares, em Brasil de Fato

Novembro. Novembro Negro, mês da consciência negra. E como todos os anos, neste país atravessado pela colonialidade e alicerçado no racismo estrutural, temos que dar as mesmas explicações: por que um “Novembro Negro”? Por que um “Dia Nacional da Consciência Negra”, num país com maioria da população preta, parda e negra? (Um parêntese: os Estados Unidos têm um feriado nacional no aniversário de Martin Luther King – MLK Day. Neste caso, “o que é bom para os Estados Unidos [não] é bom para o Brasil”?) Seguimos… (mais…)

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Em escalada de conflito por terra no MS, governo teme suicídio coletivo de Guarani-Kaiowá

Missão do governo federal tenta mediar conflito e evitar tragédia em área reivindicada por indígenas e cercada por fazendas no Mato Grosso do Sul; organizações relatam violência policial e ataques químicos de agrotóxicos contra Guarani-Kaiowá

por Daniel Camargos, em Repórter Brasil

O ALERTA de um possível suicídio coletivo em uma comunidade Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, levou o governo federal a intervir em um dos conflitos fundiários mais antigos e violentos do país. Os indígenas reivindicam a área ocupada (“retomada”) Guyraroká, no município de Caarapó, também cobiçada por produtores rurais. (mais…)

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MPF quer mapeamento de cemitérios clandestinos no Rio de Janeiro para cumprir decisão internacional

Recomendação emitida pelo órgão pede que Estado brasileiro forme grupo interinstitucional em 30 dias e conclua o levantamento em até seis meses

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro (PRDC/RJ), expediu recomendação pedindo que o Estado brasileiro adote medidas urgentes para mapear cemitérios clandestinos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O documento é assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo. (mais…)

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Jacqueline Muniz pede proteção após ameaças por criticar operação que deixou 121 mortos no Rio

Antropóloga especialista em segurança pública, foi alvo de ataques e perseguição após criticar a Operação Contenção

por Ricardo Villa Verde, em Agenda do Poder

A professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, pediu para ingressar no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos, após sofrer uma série de ameaças e ataques virtuais. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. (mais…)

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Massacre no Rio de Janeiro: “O Estado, nessa concepção, só existe para matar”. Entrevista com Michel Gherman

A Operação Contenção altera a função do Estado, que “se faz ausente em suas obrigações civis, mas demonstra-se presente unicamente em termos de repressão e morte nas favelas e comunidades”, avalia o professor

Por: Thiago Gama | Edição: Cristina Guerini, em IHU

O que a política de segurança pública do Rio de Janeiro e a guerra em Gaza têm em comum? O fio condutor, na análise do professor Michel Gherman, é uma gramática ideológica comum da extrema-direita global: a primazia da segurança sobre os demais valores humanos, a desumanização do inimigo e a crença de que a solução é sempre militar, nunca política. (mais…)

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Comissão desmente que haja proposta para compra de terras no MS, aponta falta de consenso e cita GTT criado nesta segunda (3)

Em nota, a CNEVC respondeu à declaração de representante do MPI, publicada pelo Correio do Estado, onde a compra de terras seria uma atribuição do GTT interministerial

A Comissão Nacional de Enfrentamento da Violência no Campo (CNEVC), em nota divulgada neste sábado (1), frisou que em “nenhum momento” a comitiva de ministérios e instituições da sociedade civil, que esteve em Mato Grosso do Sul entre os dias 27 e 31 de outubro, e a qual liderou, discutiu a “compra de terras (…) como solução a que chegará o grupo” após visitas às retomadas da Terra Indígena (TI) Guyraroká e do tekoha Passo Piraju, localizado na TI Dourados-Amambaipeguá III. (mais…)

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