O faz de conta florestal. Por Lúcio Flávio Pinto

Por Lúcio Flávio Pinto, em Amazônia Real

Faltam 10 dias para o início da COP 30 em Belém. O clima de oba-oba e nheco-nheco dos passageiros da alegria vai crescer. Muitos dos mais consagrados representantes das explicações superficiais ou do pensamento banal ganharão destaque. A  intelligentsia colonial assumirá o centro do palco. Empresas cheias de “governança” se unirão a um governo que pretende se apresentar como personagem à altura dos desafios amazônicos, oferecendo ao distinto público estatísticas coloridas. (mais…)

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Por que Lula não assina a homologação de 70 terras indígenas?

Por Giovanny Vera, em Amazônia Real

Cuiabá (MT) – A cada dia de espera, o garimpo, o desmatamento e os invasores avançam sobre a Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, no Pará. Este é o drama de uma das 70 TIs, segundo levantamento mais recente organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que estão em estágio final de demarcação e aguardam apenas a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  A ausência da assinatura presidencial, última etapa do processo de homologação, mantém o território e seus guardiões vulneráveis, permitindo, segundo o cacique Juarez Munduruku, a “pressão incessante” de grileiros, madeireiros e exploradores ilegais de minério. (mais…)

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Movimentos e organizações sociais da América Latina e Caribe denunciam mercados de carbono frente a COP30

Documento é assinado por 55 movimentos e organizações de 14 países da América Latina e Caribe rejeitando os mercados de carbono e na defesa dos seus territórios

Da Página do MST

Em um manifesto contundente publicado às vésperas da COP30, 55 movimentos e organizações de 14 países da América Latina e Caribe se uniram para rejeitar os mercados de carbono e defender os seus territórios contra uma avalanche de projetos de compensação de carbono que está gerando danos em toda a região. (mais…)

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A COP da inconsequência

O Brasil não só perdeu a oportunidade de se estabelecer na vanguarda da agenda climática mundial, como parece sofrer de incurável inconsequência mercadológica

Por Carlos Augusto Pantoja Ramos e Nelson Ramos Bastos, em CPT

Certa vez, o sábio e filósofo Nego Bispo alertou sobre a necessidade de diferenciar entre agir de forma controversa e agir de maneira inconsequente. “Eu já fui controverso e faz parte, mas inconsequente, não!”, disse Bispo. Entendemos assim que se algumas vezes somos controversos e falhamos, faz parte de nossa caminhada analisar nossas atitudes, cujo processo de auto questionamento pode nos trazer aprendizado e evolução. No entanto, o que devemos evitar é agir de forma inconsequente, sem pensar nos efeitos danosos de nossas ações para com as pessoas e em relação à natureza. (mais…)

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A dor da cor: a maior chacina da democracia brasileira e o Rio de Janeiro

Como uma megaoperação legitima a morte, ou mais ainda, as vidas que não podem ser consideradas ou perdidas, se não forem primeiro, consideradas como vida

por Marcelo Campos, Patrick Cacicedo e Paulo César Ramos, em Le Monde Diplomatique Brasil

A cor da dor, que deu origem ao título deste texto, é um artigo científico de livre acesso publicado em 2017 em uma das revistas mais conceituadas da área da saúde, a revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz. A pesquisa analisa as iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil com foco nas influências da raça/cor no tocante à experiência de gestação e parto, sendo inédita a análise de abrangência nacional. Com base populacional representativa de todo o território brasileiro, com entrevistas e avaliação de prontuários, o estudo totalizou 23.894 mulheres. Em suma, o artigo identifica as inúmeras disparidades raciais no processo de atenção à gestação e ao parto evidenciando um gradiente de pior para melhor cuidado entre mulheres pretas, pardas e brancas. Dos resultados mais relevantes: i) há piores indicadores de atenção pré-natal e parto nas mulheres de cor preta e parda, em comparação às brancas; ii) mulheres pardas e pretas sofreram menos intervenções obstétricas no parto que as brancas; iii) mulheres pretas recebem menos anestesia local quando submetidas à episiotomia; e iv) há um menor uso de analgesia nas mulheres pretas. (mais…)

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O pacto racial contra a democracia. Por Edson Teles

No blog da Boitempo

Imagine acordar com o seu bairro sitiado por forças militares entrando nas casas e, assustado(a) e acuado(a), você ficar em algum canto de sua residência ouvindo tiros, bombas e gritos de pessoas sendo executadas. Imagine dezenas de corpos dilacerados e enfileirados enquanto familiares procuram seus entes desaparecidos, fazendo o reconhecimento da identidade e chorando nessa cena trágica. (mais…)

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A cabeça que falta. Por Luiz Eduardo Soares

Quem perderá tempo com a cabeça de Iago? Ela resta como a peça que falta no jogo de armar, o pedaço do corpo, da lógica e da história que ficou sobrando na política do governador. Os fascistas precisam desesperadamente de uma saída política, e eles a buscam na morte e no medo

Por Luiz Eduardo Soares, em Outras Palavras

(Complexo do Alemão e da Penha, 28 de outubro, 2025)

Uma cabeça pendurada na árvore. O corpo intacto. Só a cabeça, o fruto estranho. No Sul dos Estados Unidos, pendiam das árvores os negros enforcados pela KKK. No Alemão, só a cabeça de Iago, 19 anos, trabalhador. Ornamento preservado. Iago Rodrigues era trabalhador. Policiais mantiveram seu corpo intacto. Só queriam a cabeça. Troféu de guerra. Foram mais de 120, quem se lembrará de Iago? Era uma operação policial. Quem perderá tempo com a cabeça que faltava? Seu Robson viu outro rapaz levado ao beco, andando com dificuldade, apoiado no ombro do policial da Core. A caminhada seria curta. O policial deu alguns passos pra trás e fuzilou o número noventa e três, ou seria o oitenta e quatro? Quem vai se lembrar? Seu Robson cobrou a covardia. Pediram seus documentos, anotaram a placa e arrebentaram seu carro. O recado está escrito com spray na lataria. Alguém vai denunciar à polícia a polícia? Quem vai compilar os relatos do massacre, a memória do horror? (mais…)

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