Em entrevista exclusiva à SUMAÚMA, a parentíssima Célia Xakriabá conta como a poética se tornará borduna no parlamento – e como a pequena, mas forte bancada do cocar, vai enfrentar a poderosa bancada ruralista
por LETÍCIA LEITE, em Sumaúma
Célia Xakriabá é uma conhecida criadora de palavras. E quem cria palavras faz o parto de mundos. É com essa potência que, aos 33 anos, ela entrará no Congresso brasileiro como uma das mais jovens parlamentares indígenas do planeta. Eleita deputada federal pelo PSOL de Minas Gerais com 101.154 mil votos, Célia é uma indígena do Cerrado. Desde menina luta ao lado não apenas dos povos indígenas, mas também das outras populações tradicionais do bioma que já foi 50% destruído, apesar de ser o berço das águas do Brasil. Não há nomes mais poéticos do que o das comunidades do Cerrado: além de quilombolas e indígenas, camponeses e pescadores artesanais, há quebradeiras de coco-babaçu, raizeiras, geraizeiras, fecho de pasto, apanhadoras de flores sempre-vivas, benzedeiras, retireiras, vazanteiras, veredeiros, vacarianos, catingueiros, entre outras. Cada uma dessas comunidades é um mundo conectado com todos os outros. E todas essas comunidades-mundos estão ameaçadas de extinção, tanto quanto o ecossistema ao qual pertencem e que está sendo arrasado pelo agronegócio predatório e por grandes corporações transnacionais. Em setembro de 2022, o Tribunal Permanente dos Povos condenou o Estado brasileiro por ecocídio do Cerrado e genocídio de seus povos. Continue lendo “Célia Xakriabá: ‘O Congresso não vai mais ser cinza, ele vai ter a nossa cor: jenipapo e urucum’”