Sentidos e Rumos
Esta é a questão fundamental para a cidadania decidir dentro de duas semanas. O problema é que ainda não temos de todo assegurada, no seio da sociedade civil, a hegemonia da própria ideia de que a democracia, como o modo de viver, divergir e lutar politicamente, é um valor estratégico comum a garantir para enfrentar nossos problemas em busca de justiça ecossocial e bem viver. Qualquer analista sabe que muita gente nossa conterrânea avalia ainda que o problema é a democracia em si, devido aos seus ideais e direitos de maior igualdade e liberdade para todos, sem discriminações. Trata-se de classes e setores que avaliam ser a própria democracia a causa maior dos seus problemas materiais, valores e crenças, que os leva a apostarem em soluções até autoritárias. O apoio ao golpe parlamentar de 2016, a eleição de 2018 de um defensor da ditadura militar, que, como governante, “ abriu as porteiras e deixou a boiada passar” sobre direitos e conquistas de políticas de combate às desigualdades ecossociais, até sobre vidas humanas, mostram que o câncer destrutivo da democracia tem raízes profundas na classe dominante e entre amplos setores intermediários. Ou seja, em nosso país, a batalha pela democracia em si, com soberania cidadã e popular, não foi vencida de forma duradoura. Ainda temos que lutar contra heranças estruturais, como o racismo, o patriarcalismo e a violência, profundamente enraizados entre nós. Temos uma atribulada história de país, com autoritarismos e exclusões sociais, baseada na colonização internalizada e subsidiária dos mercados globais, que muda para nada mudar nas estruturas econômicas, sociais e de poder dos donos de tudo. Desafio e tanto! Continue lendo “Reconquistar Potência Democrática. Por Cândido Grzybowski”