Trabalho flexível, lazer flexível: Netflix e o desejo “on demand”

Por Anna Kornbluh, no Blog da Boitempo

O fluxo é primordial para a distribuidora Netflix, cuja breve história resume as profundas mudanças na circulação de vídeo a partir da década de 1990 que passaram a ser mudanças em sua produção. Revolucionando a circulação de vídeo ao contornar a locadora física, que, por sua vez, tinha revolucionado o consumo da imagem em movimento, a Netflix foi fundada em 1998 como uma locadora de DVDs por e-mail com um catálogo de 925 títulos — basicamente todos os filmes em DVD existentes na época, visto que esse mídia existia há apenas três anos. O auge do DVD foi em 2011, quando a Netflix entregou discos para 14 milhões de assinantes através do serviço postal dos Estados Unidos; depois disso, em 2012, a Netflix passou de distribuidora de conteúdo para produtora de conteúdo, estreando sua série original Lilyhammer, seguida, em 2013, pelo sucesso estrondoso House of Cards1. Esse mesmo ano foi o divisor de águas em que a renda de anúncios na televisão foi eclipsada pela renda de assinaturas de provedores de TV a cabo e streaming2. Nesses seus quase catorze anos de juventude, a companhia cresceu rapidamente de um modelo “pague por disco” para um modelo de assinatura que oferecia consumo virtualmente ilimitado para seus 203 milhões de usuários — convertendo-se na maior empresa de mídia digital do mundo, no nível de corporações tradicionais como AT&T, que, em contraste, é uma senescente de 136 anos de idade. (mais…)

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O legado de uma década perdida. Por Renato Janine Ribeiro

A esquerda é inteiramente representativa do senso comum de nossa sociedade – tudo de bom que acontece, e tudo de ruim, é só do Presidente

No A Terra é Redonda

1.

Não sou um fã das instituições, quero dizer: não considero que a chave para a democracia esteja nelas. Na verdade, há duas vertentes para se pensar a política moderna – uma é a da ação, outra a da instituição. Desenvolvi este tema em meu livro A sociedade contra o social, de 2000, resumo-o rapidamente aqui. (mais…)

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Como o racismo se reflete na violência policial no Brasil

Caso de homem negro amarrado e arrastado por policiais militares em São Paulo evidencia não só o racismo estrutural nas instituições, como a falta de vontade política para enfrentar o problema, afirmam especialistas.

Por Fábio Corrêa, na DW

No último dia 5 de junho, um vídeo gravado por uma testemunha revelou cenas chocantes em que um homem negro, amarrado com uma corda pelos pés e pelas mãos, é arrastado por policiais militares após ser acusado de roubar duas caixas de bombons em um supermercado de São Paulo. As imagens foram divulgadas pelo padre Julio Lancelotti e trouxeram novamente à tona o debate sobre a violência nas abordagens policiais que atinge a população negra e periférica em todo o Brasil. (mais…)

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O panóptico das delícias. Por Eugênio Bucci

A prisão ideal de Jeremy Bentham triunfou, isso porque os detentos não estão lá contra a vontade, mas por desejo, por prazer, por gozo e por paixão

No A Terra é Redonda

Em 1785, o filósofo inglês Jeremy Bentham inventou o que lhe parecia ser a prisão ideal. Dentro dela, caberiam centenas ou milhares de pessoas encarceradas, e todas seriam vigiadas durante as 24 horas do dia, em cada movimento mínimo que fizessem. Na outra ponta, a dos carcereiros vigilantes, um número mínimo de funcionários daria conta do recado. Seria uma casa de detenção eficiente e de baixo custo, imaginou o criador da ética utilitarista. (mais…)

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Raiva e narcisismo alimentam poder das redes sociais, diz especialista alemão

Por Daniel Hopenhayn, especial para a BBC News Mundo

“O crescimento da digitalização sempre foi exponencial, mas a pandemia acelerou esse processo com esteroides”, afirma Martin Hilbert, pesquisador alemão da Universidade da Califórnia-Davis, nos Estados Unidos, e autor do primeiro estudo que calculou quanta informação existe no mundo.

Conhecido também por ter alertado sobre a coleta de dados da consultoria Cambridge Analytica durante a campanha eleitoral de Donald Trump um ano antes de estourar o escândalo, Hilbert tem acompanhado de perto os efeitos digitais do coronavírus.

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Zizek vê a distopia mais desumana de Elon Musk

Ao propor romper a fronteira entre o fluxo de pensamento e a realidade, o Neuralink expõe um projeto desumano. Sua tecnologia implica eliminar, em nome do conforto, uma distância psíquica sem a qual não há autonomia possível

Por Slavoj Žižek, no Outras Palavras

No final de agosto, Elon Musk apresentou, numa entrevista coletiva em Los Angeles, a primeira prova viva do sucesso de seu projeto Neuralink. Exibiu o que era, em suas palavras, “um porco saudável e feliz”, com um implante que tornou seus processos mentais legíveis por um computador. Fico curioso por saber como ele descobriu que o porco estava feliz…

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Pesquisa aponta 62,6% das cidades brasileiras como ‘desertos de notícias’

Nesses locais, os moradores têm acesso à cobertura nacional, mas sem foco no poder público local

Por Folhapress, em O Tempo

O Atlas da Notícia, levantamento anual de jornalismo local no país, afirma que 3.487 municípios brasileiros, 62,6% do total, são hoje “desertos de notícias”. Não têm um veículo sequer, seja jornal, site ou emissora de rádio e TV com programação propriamente jornalística. A cobertura que seus moradores recebem se restringe ao noticiário dos órgãos nacionais, sem foco no que faz o poder público local – que passa por eleição no ano que vem.

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