“Lula está entregando a Amazônia para os países ricos”, diz Alessandra Munduruku

Uma das maiores lideranças femininas da Amazônia criticou as contradições do presidente, em visita a comunidades dos rios Tapajós e Arapiuns. Ela denunciou a privatização dos rios para beneficiar o agro. Já o povo Tupinambá afirma que foi excluído da agenda

Por Nicoly Ambrosio, em Amazônia Real

Manaus (AM) A liderança indígena Alessandra Korap Munduruku criticou duramente a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (2) às comunidades indígenas e ribeirinhas de Santarém (PA), na região do Baixo Rio Tapajós. A poucos dias do início da COP30, em Belém, ela classificou a presença do presidente como “incoerente” diante do Decreto nº 12.600, de 28 de agosto, que incluiu as hidrovias dos rios Tapajós e Tocantins-Araguaia, no Pará, e Madeira, no Amazonas e Rondônia, no Programa Nacional de Desestatização (PND). O projeto promete entregar mais de 3 mil quilômetros de trechos navegáveis dos rios amazônicos para a iniciativa privada e atende aos interesses do agronegócio e de outros setores econômicos. (mais…)

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Nota pública conjunta em defesa do Povo Mura e da Amazônia: repúdio à aliança de instituições públicas, liderada por UEA e IFAM, com o Projeto Potássio Autazes

As organizações indígenas abaixo-assinados vêm a público denunciar e repudiar a postura de descaso deliberado e má-fé institucional das Reitorias da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)[1], que, mesmo após serem formalmente alertadas sobre as graves ilegalidades do Projeto Potássio Autazes, optaram por reafirmar e celebrar sua parceria com a empresa Potássio do Brasil. (mais…)

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Juventudes de Manaus discutem justiça climática e COP30

No evento “Manaus decide o clima”, as juventudes amazônidas de Manaus (AM) cobraram soluções para a crise climática nas periferias

Por Nicoly Ambrosio, em Amazônia Real

Manaus (AM) – Quem vai pagar a conta da crise climática? Norteadas por esse questionamento, as juventudes periféricas de Manaus se reuniram para discutir sobre a COP30 e seu impacto na realidade amazonense. Na quinta-feira (23), o evento “Manaus decide o clima”, encabeçado pela organização Palmares Lab, abordou a justiça climática e as propostas de soluções pensadas a partir da Amazônia urbana para mitigar a crise climática. (mais…)

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A Avaliação Ambiental Estratégica da BR-319: 3 – o colapso da Floresta Amazônica e a responsabilidade dos participantes

Desmatamento e crise climática têm risco de agravamento devido a ações antrópicas na floresta, especialmente na área da BR-319 e em ramais do entorno. Segundo especialistas, a área já está perdendo capacidade de resiliência para se recuperar de secas.

Por Philip M. Fearnside, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Aurora Yanai, Rosimeire Araújo Silva, Beatriz Figueiredo Cabral, Flora Magdaline Benitez Romero e Leonardo G. Ziccardi, em Amazônia Real

O papel da BR-319 na promoção do colapso da Floresta Amazônica

A floresta a ser aberta à entrada do desmatamento por causa da reconstrução da BR-319 está em risco de colapso devido às mudanças climáticas em curso [1], e esse risco seria substancialmente aumentado pelos impactos antropogênicos diretos esperados da BR-319 e das estradas secundárias associadas. Toda a área ao longo da BR-319 e a maior parte da região de Trans-Purus estariam em risco de colapso até 2050, de acordo com o estudo publicado na Nature por Bernardo Flores e colaboradores [2]. A área já está perdendo resiliência para se recuperar de secas [3]. Esta área também tem um lençol freático raso, onde as árvores são mais sensíveis a secas severas devido a “raízes rasas e características de intolerância à seca” [4]. Espera-se que secas severas como as de 2023 e 2024 se tornem mais frequentes com o contínuo aumento do aquecimento global [5]. O risco de colapso seria agravado pelos impactos esperados da abertura dessas áreas aos desmatadores, com a formação de padrões de desmatamento em “espinha de peixe” que resultam em efeitos de borda, reduzindo a biomassa e aumentando o risco de incêndio [6-9]. A disseminação da ocupação humana não tradicional aumenta consideravelmente o número de pontos de iniciação de incêndios, tanto em áreas recentemente derrubadas quanto, posteriormente, para manter as pastagens livres de plantas invasoras lenhosas (por exemplo, [10]. (mais…)

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Petróleo na Amazônia: o que está em questão. Por Paulo Kliass

Num mundo ainda carbonocêntrico, país tem soberania, e exploração é tema delicado. Só a Petrobras deveria ser autorizada a promovê-la, cercando-se de cuidado e supervisão máximos. Porém, a autorização do Ibama, às vésperas da COP, traz desgastes…

Em Outras Palavras

A proximidade da realização da COP30 em Belém do Pará tem colocado algumas dificuldades para ser realizado um debate mais sereno e mais racional a respeito de quais seriam as posições mais adequadas para o Brasil adotar em relação à exploração do potencial petrolífero da chamada Margem Equatorial da foz do Rio Amazonas. A sensibilidade elevada em razão deste importante encontro das Nações Unidas introduz alguns ingredientes na salada geral em que se transformou a temática da sustentabilidade. (mais…)

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Não há espaço para mais petróleo na Amazônia

Autorização para perfurar poço exploratório na foz do Amazonas representa a ganância financeira, não soberania. É também um ato de desrespeito aos povos indígenas e ribeirinhos que vivem e dependem das águas e da biodiversidade. Luene Karipuna escreve sobre os impactos do projeto no seu povo

Por Luene Karipuna, em Amazônia Real

Há lugares no mundo que não deveriam ser tocados pela ganância. Lugares que guardam a chama da vida, a memória da Terra e o futuro de todos nós. O meu território, no centro da Amazônia, é um deles. Ainda assim, em nome de um suposto progresso que serve a poucos, o governo brasileiro abre caminho para perfurar o coração do maior bioma tropical do planeta — e chama isso de desenvolvimento. (mais…)

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Às vésperas da COP 30, REPAM relança a Campanha Amazoniza-te, em defesa da vida da floresta e de seus povos

Iniciativa articula igrejas, povos tradicionais, movimentos sociais, artistas, cientistas e comunicadores; retomada reforça urgência climática, protagonismo dos territórios e missão da Igreja em saída

Por REPAM Brasil / CPT

A REPAM-Brasil retomou a campanha Amazoniza-te, um chamado público à consciência, à mobilização e à ação concreta em defesa da Amazônia e de seus povos. Lançada originalmente em 2020, em plena pandemia, a iniciativa nasceu da escuta dos territórios diante do avanço do desmatamento, das queimadas, da mineração predatória, das grilagens e do desmonte de políticas de proteção. Agora, às vésperas da COP30, volta como programa permanente para somar incidência, formação e comunicação numa agenda comum que une fé, ciência e direitos humanos. (mais…)

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