Sem peixe nem tapioca: mudança na alimentação ameaça cultura e saúde de ribeirinhos da Amazônia

Tese da USP mostra como fatores ambientais e sociais estão promovendo o “nutricídio” da cultura alimentar de comunidades tradicionais no Pará

por Maria Eduarda Oliveira*, no Jornal da USP

Comunidades ribeirinhas da Amazônia localizadas na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, estão trocando alimentos tradicionais por produtos industrializados, aumentando risco de doenças graves e perda de qualidade de vida, como mostra um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP. A pesquisa, que tem como autora a bioantropóloga Mariana Inglez, foi premiada na categoria Inclusão Social e Cultural e Redução das Desigualdades da 14ª edição do Prêmio Tese Destaque USP.

(mais…)

Ler Mais

Domingo na Vila da Barca

Com mais de 5 mil habitantes, a maior comunidade ribeirinha urbana e de palafitas do país, em Belém, denuncia exclusão, o racismo ambiental e luta por moradia digna às vésperas da COP30

Por Cristina Serra, em Amazônia Real

Belém (PA)  Na padaria Deus Proverá, encontrei-me para um café com a educadora popular Suane Barreirinhas, 37 anos, cidadã e liderança da Vila da Barca. Comunidade centenária do bairro do Telégrafo, a Vila da Barca é conhecida pelas palafitas fincadas sobre as águas da Baía do Guajará, que banha Belém. Era domingo de céu azul e Suane me convidou para um passeio pelas ruas de tábuas que conhece tão bem. Ela é cria daquele chão e daquelas águas, que vão e vêm, ao sabor das marés. “Aqui, eu me geolocalizo”, me disse, ao explicar sua conexão com o território que a formou. (mais…)

Ler Mais

A Amazônia que resiste

Jornadas Anarquistas Anti-COP30 propõem alternativas libertárias à crise climática

Por Ismael Machado, em Amazônia Real

(Belém) – Entre os dias 10 e 21 de novembro, Belém se torna palco de uma experiência política e cultural incomum no Brasil: as Jornadas Anarquistas Anti-COP30, promovidas pelo Centro de Cultura Libertária da Amazônia (CCLA). No mesmo território onde governos e corporações se preparam para debater a “sustentabilidade” global sob o olhar do mercado, o CCLA ergue uma contraposição radical, ou seja, um espaço de reflexão, convivência e ação direta que questiona as próprias bases do sistema responsável pelo colapso ambiental. (mais…)

Ler Mais

BR-319: a lição sombria da aprovação do petróleo na foz do Amazonas

Como as pressões políticas influencia na autorização de licenciamentos ambientais de empreendimentos na Amazônia, como a exploração de petróleo na foz do Amazonas e na BR-319, e quais as consequências ambientais?

Por Philip Martin Fearnside, em Amazônia Real

Em 20 de outubro, o IBAMA aprovou a licença para o primeiro poço “de pesquisa” de petróleo na foz do rio Amazonas, contradizendo não apenas as conclusões de especialistas externos (por exemplo, [1-3], mas também os pareceres formais da própria equipe técnica do IBAMA [4, 5]. A recente “simulação” de resposta a um derramamento de petróleo, que apresentou resultado negativo e exigiu diversas medidas corretivas, além de uma segunda “simulação” [6], apenas serviu para acelerar a aprovação. As lições a serem aprendidas com esse histórico recente são altamente relevantes para a aprovação pendente do projeto de reconstrução da rodovia BR-319. (mais…)

Ler Mais

“Lula está entregando a Amazônia para os países ricos”, diz Alessandra Munduruku

Uma das maiores lideranças femininas da Amazônia criticou as contradições do presidente, em visita a comunidades dos rios Tapajós e Arapiuns. Ela denunciou a privatização dos rios para beneficiar o agro. Já o povo Tupinambá afirma que foi excluído da agenda

Por Nicoly Ambrosio, em Amazônia Real

Manaus (AM) A liderança indígena Alessandra Korap Munduruku criticou duramente a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (2) às comunidades indígenas e ribeirinhas de Santarém (PA), na região do Baixo Rio Tapajós. A poucos dias do início da COP30, em Belém, ela classificou a presença do presidente como “incoerente” diante do Decreto nº 12.600, de 28 de agosto, que incluiu as hidrovias dos rios Tapajós e Tocantins-Araguaia, no Pará, e Madeira, no Amazonas e Rondônia, no Programa Nacional de Desestatização (PND). O projeto promete entregar mais de 3 mil quilômetros de trechos navegáveis dos rios amazônicos para a iniciativa privada e atende aos interesses do agronegócio e de outros setores econômicos. (mais…)

Ler Mais

Nota pública conjunta em defesa do Povo Mura e da Amazônia: repúdio à aliança de instituições públicas, liderada por UEA e IFAM, com o Projeto Potássio Autazes

As organizações indígenas abaixo-assinados vêm a público denunciar e repudiar a postura de descaso deliberado e má-fé institucional das Reitorias da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)[1], que, mesmo após serem formalmente alertadas sobre as graves ilegalidades do Projeto Potássio Autazes, optaram por reafirmar e celebrar sua parceria com a empresa Potássio do Brasil. (mais…)

Ler Mais

Juventudes de Manaus discutem justiça climática e COP30

No evento “Manaus decide o clima”, as juventudes amazônidas de Manaus (AM) cobraram soluções para a crise climática nas periferias

Por Nicoly Ambrosio, em Amazônia Real

Manaus (AM) – Quem vai pagar a conta da crise climática? Norteadas por esse questionamento, as juventudes periféricas de Manaus se reuniram para discutir sobre a COP30 e seu impacto na realidade amazonense. Na quinta-feira (23), o evento “Manaus decide o clima”, encabeçado pela organização Palmares Lab, abordou a justiça climática e as propostas de soluções pensadas a partir da Amazônia urbana para mitigar a crise climática. (mais…)

Ler Mais