A palavra “intelectual” circulou na imprensa francesa para designar os apoiadores ao famoso texto (J’accuse!) que Émile Zola publicou em 13 de janeiro de 1898, no jornal L’Aurore, exigindo a revisão do processo judicial que condenou, injustamente, o capitão Alfred Dreyfus por espionagem. Na verdade, por ser judeu. A fonte da autoridade moral do escritor, e dos coletivos de apoio ao movimento, era o saber. O envolvimento em uma causa política inaugura a representação dos intelectuais. Jean-Paul Sartre foi o grande intelectual público do século 20. Pierre Bourdieu, por sua vez, refere l’ambiguïté de classe des intellectuels e a ligação com campos específicos do saber. (mais…)
conjuntura
Quem Somos? Por Cândido Grzybowski
No Blog Sentidos e Rumos
Normalmente, o 07 de Setembro é mais tomado como um feriado para se curtir do que uma data a celebrar. Provavelmente, toda a população, desde a em idade escolar até os mais idosos, sabe que o dia foi fixado no calendário como data da celebração da Independência do Brasil. Não fossem os desfiles militares nas principais cidades, provavelmente muita gente nem lembraria da data. O fato deste ano ser aniversário de 200 anos da Independência em relação a Portugal não acrescentou muita coisa. O destaque foi a bravata com dinheiro público do “imbrochável” presidente, candidato à reeleição. Algo tragicômico e ainda por cima com conivência explícita das Forças Armadas! (mais…)
Boaventura de Sousa Santos: derrota da nova Constituição no Chile é alerta para democratas de todo mundo
Sociólogo português associa campanha no Chile e atentado na Argentina a movimentação de setores da elites incomodados com avanços da democracia e do enfrentamento às desigualdades
Por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
O processo eleitoral que levou à rejeição da nova Constituição do Chile é exemplo extremo de manipulação da opinião pública para induzir seu voto. A avaliação é do jurista e sociólogo Boaventura de Sousa Santos, em artigo no site A Terra é Plana. Em seu texto, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra faz um alerta. Os instrumentos mobilizados para “intoxicar a opinião pública” chilena com falsidades merecem atenção dos democratas do mundo todo. “E muito especialmente dos latino-americanos”, ressalta, Boaventura. (mais…)
Duzentos anos. Por Valerio Arcary
Duzentos anos depois da independência ainda somos uma nação triste em busca de um destino.
“Até com a desgraça a gente se acostuma“
Sabedoria popular portuguesa
Duzentos anos depois da independência, o Brasil é uma nação triste. A imagem externa benigna do país, construída no pós-guerra e associada à alegria do samba e à apoteose do carnaval, à ginga e imaginação do futebol, à beleza das praias e florestas, à exuberância da Amazônia, mergulhou em declínio. (mais…)
Notas sobre a devastação do trabalho no Brasil atual e o bolsonarismo. Por Felipe Brito
Felipe Brito analisa como o bolsonarismo aprofundou a devastação do mercado de trabalho no Brasil, reforçando uma dinâmica estrutural de nossa formação social de base colonial, escravocrata e concentradora de renda.
O mercado de trabalho expõe um retrato assustador, mas fidedigno, da devastação em curso no país: o que prevalece é a superacumulação de uma massa de pessoas desempregadas, “desalentadas” (designação para quem nem está empregado(a) nem procurando emprego), subempregadas, uberizadas, “se virando” na informalidade etc. O mercado de trabalho expõe, também, a implementação deliberada de uma tecnologia de governança e de um projeto societário. Ao mesmo tempo, expressa a manifestação de um fator estrutural do modo de produção comandado pela mercadoria e o dinheiro (vigente, mais ou menos, desde a metade da década de 1970) – a crise econômica: fator estrutural que se manifesta com características próprias em uma formação social de base colonial, escravocrata, de predomínio de uma modernização concentradora de renda/riqueza e truculenta. (mais…)
A sensatez democrática. Por Tarso Genro
Para Jair Bolsonaro não há adversários, só há inimigos a serem abatidos pelas armas
Como um político que defende o justiçamento de suspeitos, o fuzilamento de “30 mil compatriotas”, o assassinato de um presidente pacífico e democrático, a tortura como método inquisitório, o fim a democracia política, que sustenta que o erro da ditadura não foi torturar, mas foi “não matar”, que explicita publicamente a sua admiração a Hitler e debocha da tortura sofrida por uma mulher digna – que estava sendo retirada da Presidência –, como este político foi covardemente naturalizado pelo “establishment” neoliberal e pelas grandes cadeias de comunicação, depois de ter cometido e repetido muitos crimes bárbaros e ainda ter feito uma consciente propaganda genocida contra a vacinação? (mais…)
