O fim da Europa Ocidental? Por Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos analisa a situação da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial, passando pelo desenvolvimento da social-democracia até a destruição dos pilares que a sustentam.

No Blog da Boitempo

O que até há pouco chamávamos Europa Ocidental era o conjunto de países que, no final da Segunda Guerra Mundial, ficaram sob a influência dos EUA, para cá da “Cortina de Ferro”, como então se designava a linha que separava os países capitalistas e os países socialistas, estes sob a influência da União Soviética. A Alemanha ficou dividida em duas, a Oriental e a Ocidental, separadas pelo Muro de Berlim. As duas Alemanhas eram os países mais industrializados dos dois blocos. Logo que terminou a guerra, instalou-se a competição entre os dois sistemas políticos e econômicos vigentes na Europa. A primeira tarefa era a reconstrução, pois a Europa estava arrasada. No lado ocidental, sob a tutela dos EUA, o Plano Marshall (1948-1951) foi um vasto plano de recuperação da Europa, com avultados recursos financeiros, metade dos quais reservados à Inglaterra.

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A inconveniente complexidade. Por Boaventura de Sousa Santos

A guerra da Ucrânia trouxe a erosão quase total entre fatos e manipulação das emoções e percepções, entre hipóteses ou conjecturas e verdades inatacáveis

Em A Terra é Redonda

No eixo comunicacional do Atlântico Norte vivemos uma guerra de informação sem precedentes. Conheci-a nos EUA durante dois períodos. No primeiro, durante a guerra do Vietnã que vivi no seu momento de crise final (1969-1971); culminaria com a publicação dos Pentagon Papers em 1971. O segundo momento foi a guerra do Iraque, a partir de 2003, e a saga das armas de destruição massiva, um embuste político de que viriam a resultar muitos crimes de guerra. Mas na Europa nunca tinha assistido a este tipo de guerra de informação, pelo menos com a magnitude atual. Caracteriza-se pela erosão quase total entre fatos e manipulação das emoções e percepções, entre hipóteses ou conjecturas e verdades inatacáveis.

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A periferização do mundo e o ecossistema das esquerdas no Brasil. Entrevista especial com Edemilson Paraná e Gabriel Tupinambá

Os pesquisadores refletem sobre os impasses e desafios da prática política das esquerdas no mundo contemporâneo

Por: João Vitor Santos, em IHU

Na atual conjuntura social, em que crescem as incertezas acerca do futuro e aumentam as desigualdades sociais e a pobreza, “não é possível falar das tarefas e desafios das esquerdas contemporâneas sem nos voltarmos para a correlação disso com as transformações socioeconômicas que definem nossa situação (aquilo que chamamos de ‘condição periférica’ ou ‘periferização do mundo’) porque a atual profusão de esquerdas diferentes reproduz dinâmicas e tendências características do terreno social periférico no qual estamos inseridos hoje”, adverte o sociólogo Edemilson Paraná.

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“Putin queimou o navio, não tem volta”, diz Nasser

Para o professor Reginaldo Nasser, do departamento de Relações Internacionais da PUC-SP, Rússia não voltará atrás na invasão da Ucrânia e guerra deve se prolongar

Por Marina Amaral, A Pública

Hoje a guerra da Ucrânia completa um mês sem nenhuma possibilidade de rápido desfecho, na visão de um dos maiores especialistas brasileiros em relações internacionais. “O Putin queimou o navio, não tem volta. O que ele vai fazer agora? Pedir desculpas?”, diz o livre docente, pesquisador e professor do Departamento de Relações Internacionais da PUC-SP, que chefiou por anos, Reginaldo Nasser.

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É preciso deter a violência dos EUA

No Tutameia

“Nós apoiamos um lado ou outro em função do quê? Vamos apoiar a autocracia? Não é isso que está em jogo. Não é o regime russo que está em jogo. O que está em jogo é o domínio do mundo. E há uma potência sanguinária que quer manter o domínio. Ela só vai conseguir manter à custa de muito sangue. Nós precisamos deter essa violência de Washington. Se não detivermos, não haverá limite. Esse é o critério de posicionamento. A esquerda está desorientada. Mas a verdade vai se impor. A mesma coisa aconteceu em 1913-1914. A esquerda ficou desorientada. A guerra estonteia”.

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