Tudo indica que o avanço desta nova “era multicivilizacional” já não tem como ser revertido, nem há mais como devolver o sistema mundial à sua situação anterior, de completa supremacia eurocêntrica. E mesmo que o eixo do sistema mundial ainda não tenha se deslocado inteiramente para a Ásia, o certo é que já se estabeleceu um novo “balanço de poder” que deslocou a hegemonia anterior, do projeto universal e do “expansionismo catequético” da tradição greco-romana e judaico-cristã.
Por José Luis Fiori, no Blog da Boitempo
“Já não existe mais um único ‘critério ético’, tampouco existe mais um único juiz com poder para arbitrar todos os conflitos internacionais, com base na sua própria ‘tábua de valores’. E já não é mais possível expulsar os ‘novos pecadores’ do ‘paraíso’ inventado pelos europeus, como aconteceu com os lendários Adão e Eva. Como essa supremacia acabou, talvez seja possível, ou mesmo necessário, que o Ocidente aprenda a respeitar e conviver de forma pacífica com a ‘verdade’ e com os ‘valores’ de outras civilizações.”
José Luis Fiori, O mito do pecado original, o ceticismo ético e o desafio da paz (Editora Vozes, 2021, p. 464)
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