Sobre os recentes desenvolvimentos na Ucrânia. Por David Harvey

O que acontece na Ucrânia é, em muitos aspectos, o resultado dos vários processos envolvidos na dissolução do chamado “comunismo real” e do regime soviético

Em A Terra é Redonda

A eclosão de uma guerra total após a invasão russa da Ucrânia marca um ponto de inflexão dramático na ordem mundial. E como tal, não deve ser ignorado pelos geógrafos reunidos hoje (ainda, infelizmente, através do Zoom) em nossa reunião anual. Portanto, proponho as seguintes observações não-especialistas como base para discussão.

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A hipocrisia ocidental nas guerras. Por Ronan Burtenshaw

Os líderes ocidentais estão condenando a invasão na Ucrânia, mas eles próprios são profundamente cúmplices neste conflito – e em outros pelo mundo, como o que está ocorrendo agora mesmo no Iêmen. Precisamos de um movimento que possa se opor à guerra em todos os lugares.

Por Ronan Burtenshaw*, na Jacobin

Não há força mais destrutiva na sociedade humana do que a guerra. A cada dia e a cada quilômetro que avança, rasga o tecido social ao redor da vida. As escolas fecham, os transportes param, as ruas ficam vazias, e essa é a respiração profunda antes do mergulho. Quando a onda chega, traz consigo o medo como poucos de nós que não vivem em zonas de guerra podem realmente entender: os sons das bombas, as imagens de destruição em lugares a próximos de sua casa, depois a visão de sangue e ferimentos e morte. No final das contas, a guerra é isso: matança organizada.

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Nancy Fraser encara o capitalismo canibal

Em seu próximo livro, filósofa feminista sugere: enfrentar sistema, em sua fase mais brutal, exige atualizar o marxismo e rever as concepções de trabalho produtivo. Recriação de sujeitos coletivos, proposta pelo populismo de esquerda, é caminho

Por Martin Mosquera, na Jacobin Latinoamericana / Outras Palavras

Em seus últimos trabalhos, Fraser defende uma síntese entre o prático e o teórico, a fim de evitar o desastre iminente que ela chama, em seu próximo livro, de “capitalismo canibal”: a visão de que o capitalismo, ao invadir todas as esferas da vida, pode destruir suas próprias condições de sobrevivência – e, mais importante, as nossas.

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Ucrânia: enfrentamento local, razões globais. Por Gilberto Maringoni

Qualquer análise sobre a explosiva cena no Leste europeu que não leve em conta a expansão da OTAN não pode ser levada a sério.

No Blog da Boitempo

1. Movimento arriscado

Vladimir Putin realizou movimento de altíssimo risco na madrugada de 24 de fevereiro, ao comandar um ataque militar unilateral à Ucrânia. Numa situação defensiva, aposta na força. Embora o porta-voz do Departamento de Defesa russo alegasse, no mesmo dia, que a “operação especial” em defesa das regiões de Donetsk e Lugansk não lançaria ataques contra a população civil, a mídia internacional não se cansa de mostrar cenas de habitantes de Kiev e de outras cidades em desespero. É provável que Moscou vença rapidamente o contencioso, dada sua imensa superioridade militar. No entanto, diante da opinião pública global, o presidente russo colhe desgaste, reprovação e isolamento. Tornou-se o bandido da hora, num enfrentamento no qual não há bons e maus.

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Ao som dos tambores da guerra, erguem-se as cortinas do mundo pós-pandemia. Por Jamil Chade

No UOL

Nos círculos diplomáticos internacionais, não restam dúvidas: estamos diante de uma tentativa deliberada de redefinição da ordem mundial. Ao reconhecer um suposto novo país dentro do território da Ucrânia e ensaiar uma invasão sem precedentes, em pleno século 21, a Rússia rasga a Carta das Nações Unidas, enterra os princípios da segurança coletiva na Europa, coloca a Otan em um dilema existencial e, no fundo, abre as cortinas para a inauguração do mundo pós-pandemia.

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A crise da Ucrânia e o acordo entre Rússia e China

Tudo indica que o avanço desta nova “era multicivilizacional” já não tem como ser revertido, nem há mais como devolver o sistema mundial à sua situação anterior, de completa supremacia eurocêntrica. E mesmo que o eixo do sistema mundial ainda não tenha se deslocado inteiramente para a Ásia, o certo é que já se estabeleceu um novo “balanço de poder” que deslocou a hegemonia anterior, do projeto universal e do “expansionismo catequético” da tradição greco-romana e judaico-cristã.

Por José Luis Fiori, no Blog da Boitempo

“Já não existe mais um único ‘critério ético’, tampouco existe mais um único juiz com poder para arbitrar todos os conflitos internacionais, com base na sua própria ‘tábua de valores’. E já não é mais possível expulsar os ‘novos pecadores’ do ‘paraíso’ inventado pelos europeus, como aconteceu com os lendários Adão e Eva. Como essa supremacia acabou, talvez seja possível, ou mesmo necessário, que o Ocidente aprenda a respeitar e conviver de forma pacífica com a ‘verdade’ e com os ‘valores’ de outras civilizações.”
José Luis Fiori, O mito do pecado original, o ceticismo ético e o desafio da paz (Editora Vozes, 2021, p. 464)

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Portugal – o colapso da geringonça. Por Boaventura de Sousa Santos

A vitória do PS e a derrota da esquerda à esquerda nas eleições portuguesas

Em A Terra é Redonda

Em Portugal, a esquerda à esquerda é constituída pelos partidos à esquerda do Partido Socialista (PS), ou seja, o Partido Comunista (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE). Nas eleições de 30 de Janeiro de 2022, o PS ganhou as eleições com maioria absoluta. Portugal será a partir de agora o único país europeu com um governo de maioria absoluta de um partido de esquerda, o Partido Socialista.

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