Acédia. Por Boaventura de Sousa Santos

A pandemia está sendo uma vivência mais profunda na vida das pessoas e das sociedades do que se pode imaginar

No Sul21

Não conseguimos superar as condições de uma época, mas nunca tais condições nos anulam completamente. Impõe-se refletir profundamente sobre essas condições, sabendo que refletimos com elas. Em O Futuro Começa Agora: da Pandemia à Utopia (Edições 70, 2020), defendo que estamos a entrar num período de pandemia intermitente, ou seja, que a pandemia vai continuar a condicionar a nossa vida pessoal e social por muito tempo. Um ano depois de ter publicado o livro, tudo leva a crer que essa previsão, vaga como é, se vai confirmando. Vamos saindo da fase aguda da pandemia e entrando na sua fase crônica com sequelas difíceis de prever. Em que medida é que essa intermitência se vai refletir na vida pessoal e social dos humanos (para não falar dos seres vivos não humanos)? O impacto da pandemia será muito diverso e desigual nas diferentes sociedades e no interior de cada uma delas.

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Marxismos e cristianismos. Por Michael Löwy

Nota crítica sobre diversas publicações acerca da relação entre marxismo e cristianismo

Em A Terra é Redonda

Os primeiros socialistas do século XIX na Europa, seja Saint-Simon e seus seguidores, Cabet e os comunistas franceses, ou Wilhelm Weitling, o fundador da Liga dos Justos alemã, eram religiosos e reivindicavam uma herança cristã. Foi apenas com Marx e Engels que surgiu um socialismo não-religioso, ou mesmo ateu. O texto fundador desta inflexão é um artigo de Marx publicado em 1844 no Deutsch-franzözische Jahrbücher.

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Debate como arma negacionista

Por Marcelo Yamashita e Natalia Pasternak, na Revista Questão de Ciência

O aquecimento global antropogênico, aquele causado pela ação do ser humano, deve figurar entre os primeiros lugares na lista dos consensos científicos vigentes neste século. A despeito dos diversos estudos bem fundamentados, apresentados por cientistas sérios em revistas de alta qualidade, é impressionante que instituições renomadas ainda incorram no erro de estimular falsa controvérsia, e pior, falsa equivalência no debate público.

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Ecossocialismo. Por Michael Löwy

Em A Terra é Redonda

É imprescindível a emergência de uma civilização social e ecológica baseada numa nova estrutura energética e num conjunto de valores e estilos de vida pós-consumistas

Capitalismo e crise ecológica

A civilização capitalista contemporânea está em crise. A acumulação ilimitada de capital, a mercantilização de tudo, a exploração implacável do trabalho e da natureza e a catástrofe ecológica daí resultante comprometem as bases de um futuro sustentável, pondo em perigo, assim, a própria sobrevivência da espécie humana.

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Mia Couto: “Estamos à espera de que o Brasil regresse a essa plenitude que foi roubada”

Em conversa no BDF Entrevista, o escritor fala sobre o fechamento das fronteiras na África, seu novo livro e o Brasil

José Eduardo Bernardes, Brasil de Fato

Mia Couto se diz um mediador, alguém que “coloca em diálogo, os diversos mundos que existem em Moçambique”. Tem sido esta a sua tarefa há quase 30 anos, quando lançou Terra Sonâmbula, seu primeiro romance e um dos mais importantes da literatura africana.

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A lição dos hermanos – é preciso governar com gente na rua. Por Julian Rodrigues

É o povo na rua que muda a correlação de forças, bloqueia o golpismo e sustenta as mudanças

Em A Terra é Redonda

Nem mesmo o coraçãozinho mais gélido deixou de se enlevar ao ver aquela multidão na Plaza de Mayo celebrando a democracia e os direitos humanos. Um mega ato político convocado diretamente pelo presidente Alberto Fernández e por sua vice Cristina Kirchner.

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“Que o governo que desdenhou da ciência retorne aos porões da ignorância”

É o que deseja o professor Glauco Arbix ao fazer uma avaliação do que se passou com a ciência – e, por extensão, com o Brasil – no ano que está acabando

No Jornal da USP

Na visão do professor Glauco Arbix, a ciência no Brasil nada tem a comemorar em 2021. Para ele, os dois últimos anos foram os mais preocupantes que vivemos em todos os tempos, e não somente por conta da pandemia, “mas também pelas sombras geradas e pelos ataques que a gente observa contra a democracia, pelo aumento do desemprego e das desigualdades sociais, pelas injustiças raciais, pelo aumento do feminicídio e da violência contra a sociedade”. E o mais grave é o conhecimento que se tem de que, muitas vezes, esses ataques se originam dos próprios órgãos de governo. “Se a gente olhar para a educação, a ação deletéria do Ministério da Educação está na raiz do enorme retrocesso que vive todo o sistema de ensino no Brasil.”

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