A nova Guerra Fria. Por Boaventura de Sousa Santos

A prevalência atual do poder cru traz consigo um péssimo presságio e um enorme desafio para a democracia liberal

Em A Terra é Redonda

A discrepância entre princípios e práticas é talvez a maior especificidade da modernidade ocidental. Qualquer que seja o tipo de relações de poder (capitalismo, colonialismo e patriarcado) e os campos do seu exercício (político, jurídico, econômico, social, religioso, cultural, interpessoal), a proclamação dos princípios e dos valores universais tende a estar em contradição com as práticas concretas do exercício do poder por parte de quem o detém. O que neste domínio é ainda mais específico da modernidade ocidental é o fato de essa contradição passar despercebida na opinião pública e ser mesmo considerada como não existente.

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Uma associação criminosa. Por Tarso Genro

Bolsonaro tem, atrás de si, um conjunto de “trincheiras e casamatas” no Estado, que afastam o cidadão comum da ação política e o fazem descrer de políticas tolerantes e inclusivas

Em A Terra é Redonda

Quando deixei de acreditar que um tipo como Bolsonaro jamais poderia ganhar uma eleição no Brasil democrático e passei a indicá-lo como uma “fascista em processo”, aprendi um pouco mais sobre as peculiaridades da história, como fonte de inspiração para analisar como ela, recorrentemente, se “afasta” das determinações da sua base material e passa a compor um universo muito mais rico e desafiador. Eu me perguntava “mas onde está o partido deste ensaio de fascista?”, até “dar de cara” com uma resposta de Bobbio a Maurizio Viroli, quando ambos debatiam sobre Berlusconi.

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Revolução democrática. Por Tarso Genro

Premissas para um país liberto do fascismo e com instituições que compatibilizem liberdade e reais possibilidades de igualdade

Em A Terra é Redonda

As complicadas relações entre “tática e ética”[1] no interior dos movimentos de esquerda originários da Revolução Francesa permanecem “quentes” até hoje e latentes, no atual cenário político nacional. O conjunto da esquerda no Brasil, ao integrar-se plenamente na legalidade, despiu-se da velha visão que entendia a adesão à democracia “burguesa” apenas como momento tático para, a seguir, apropriar-se do Estado através de caminhos fora da ordem. Esta posição funde – dentro de uma ética de esquerda – tática e estratégia, que se fundem num novo projeto democrático e republicano, para um país liberto do fascismo e com instituições que compatibilizem liberdade e reais possibilidades de igualdade.

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A movimentação cidadã

Considerações sobre a unidade democrático-republicana e o avanço bolsonarista

Por Tarso Gento, em A Terra é Redonda

Antinomia entre a cidadania e o neoliberalismo é uma constatação muito comum na teoria política democrática, tanto sob o ângulo das diversas variantes marxistas (Perry Anderson, por exemplo, no livro Zona de compromisso), como do positivismo analítico de corte republicano, de Norberto Bobbio (em Direitos e deveres da República), tema que constantemente se reatualiza em produções acadêmicas e em debates que explodem nas redes, entre os dirigentes políticos eminentes dos distintos partidos e grupos de esquerda com força política imediata. A movimentação cidadã no espaço democrático da sociedade industrial clássica sempre teve na sua base, de um lado, a classe operária organizada e, de outra, os pobres de “todo o gênero”, quando identificam a sua sorte futura em uma parte da sociedade organizada.

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Faltam imagens edificantes para escrever a história presente do Brasil. Entrevista especial com Jorge Ferreira

Diferentemente de outros momentos históricos, hoje “não há projeto econômico ou social para o país”, lamenta o historiador

Por Patricia Fachin, no IHU

Se fosse começar a reunir elementos para contar a história presente do Brasil, o historiador Jorge Ferreira confessa: “Não tenho imagens edificantes para a escrita da história de nossa época”. Segundo ele, apesar de o Brasil ter vivido momentos políticos difíceis, como o suicídio do presidente Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros e duas décadas de ditadura militar, hoje “vivemos um momento muito difícil na história da sociedade brasileira”. Ele explica: “Pela primeira vez, a extrema direita assumiu o governo do país. Durante a ditadura militar, havia um governo autoritário, cujo poder estava com as Forças Armadas e a administração a cargo de tecnocratas civis. Atualmente vivemos um período em que se mantiveram, pelo menos formalmente, as instituições da democracia-liberal, mas conjugada a um projeto de destruição” do tecido social.

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