Em suas pesquisas, o professor analisa como a guerra cultural, que no Brasil entra com a ‘pauta de costumes’, é o primeiro conflito que os radicais conservadores de direita inscrevem para conquistar seus espaços na política
Por João Vitor Santos, no IHU
Atualmente, nem se ouve mais falar na chamada ‘pauta de costumes’, tida como uma das alas fortes do governo de Jair Bolsonaro. No meio desse turbilhão de crises, o atual presidente parece ter deixado esse grupo nos bastidores e tem tentado sobreviver politicamente se abraçando com o velho Centrão e tentando salvar o seu verniz liberal via – agora já mais combalido – Ministério da Economia. Mas não é porque não estão em tanta evidência que devem ser esquecidos. O professor norte-americano Ben Cowan tem se dedicado a estudar a extrema direita a partir da realidade brasileira, pois o que justamente chamou sua atenção é como a guerra cultural foi o primeiro conflito em que esses grupos se colocaram como forma de ganhar espaço. E, depois de olhar arquivos de escolas militares, viu como há por aqui um caso sui generis. “De fato, eu me surpreendi com o tamanho do interesse nos temas de moralidade e sexualidade mostrados pelos documentos da Escola Superior de Guerra – ESG”, destaca na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
