Pauta de costumes revela como guerra cultural é central para o radicalismo direitista. Entrevista especial com Ben Cowan

Em suas pesquisas, o professor analisa como a guerra cultural, que no Brasil entra com a ‘pauta de costumes’, é o primeiro conflito que os radicais conservadores de direita inscrevem para conquistar seus espaços na política

Por João Vitor Santos, no IHU


Atualmente, nem se ouve mais falar na chamada ‘pauta de costumes’, tida como uma das alas fortes do governo de Jair Bolsonaro. No meio desse turbilhão de crises, o atual presidente parece ter deixado esse grupo nos bastidores e tem tentado sobreviver politicamente se abraçando com o velho Centrão e tentando salvar o seu verniz liberal via – agora já mais combalido – Ministério da Economia. Mas não é porque não estão em tanta evidência que devem ser esquecidos. O professor norte-americano Ben Cowan tem se dedicado a estudar a extrema direita a partir da realidade brasileira, pois o que justamente chamou sua atenção é como a guerra cultural foi o primeiro conflito em que esses grupos se colocaram como forma de ganhar espaço. E, depois de olhar arquivos de escolas militares, viu como há por aqui um caso sui generis. “De fato, eu me surpreendi com o tamanho do interesse nos temas de moralidade e sexualidade mostrados pelos documentos da Escola Superior de Guerra – ESG”, destaca na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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“Será inevitável enfrentar desafios inauditos”. Artigo de Slavoj Žižek

“Evadirmos na cômoda modéstia de nossa finitude e nossa mortalidade não é uma opção, é uma falsa saída que conduz à catástrofe. Como seres genéricos, deveríamos aceitar nosso meio ambiente em toda a sua complexidade”, escreve Slavoj Žižek, escritor e filósofo esloveno, em artigo publicado por Contrainformación, 27-07-2021. A tradução é do Cepat. Eis o artigo.

No IHU

Os últimos dados deixam claro que, mesmo após a campanha de vacinação – muito desigual, por certo -, não poderemos relaxar e voltar à velha normalidade. Não só a pandemia não acabou – o número de infectados está aumentando novamente e nos aguardam novas quarentenas –, mas outras catástrofes se desenham no horizonte.

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As manifestações em Cuba

Luiz Bernardo Pericás analisa as manifestações em Cuba e reforça a necessidade de lutarmos pelo legado e pelos ideais da revolução.

Por Luiz Bernardo Pericás, no Blog da Boitempo

Os protestos em diferentes cidades cubanas, iniciados em San Antonio de los Baños no domingo passado, têm sido amplamente noticiados pela grande imprensa como um sinal de que o povo do país estaria, aparentemente, cansado de seu governo e que buscaria trocar o modelo socialista por outro supostamente mais “liberal” e “democrático”. Segundo essa narrativa, os problemas econômicos, agravados pela pandemia do novo coronavírus, teriam sido fundamentais para deflagrar as manifestações. É preciso, contudo, ter cautela neste momento para não ser influenciado pelos veículos da mídia estrangeira ou por informações provenientes de meios “alternativos” escusos, em geral, de grupos da internet locais, com intenso apoio dos Estados Unidos. 

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Exército: a serviço de quem?

O delírio autoritário e o “Inferno tão temido”

Por Tarso Genro, em A Terra é Redonda

A democracia liberal em crise no mundo – no Brasil que degrada de forma planejada o Estado Social – agora faz uma paródia de si mesma. Nesta degradação, a relação do fascismo societal, racista e escravocrata, com o escárnio da República promovido pelo Presidente Bolsonaro, chega ao momento da sua potência máxima. E este máximo – o inferno tão temido, como no conto de Onetti – ainda está incompleto. Não se sabe, ainda, se o nosso destino está tolhido pela última manifestação da Caserna ou se ele vai ser reaberto pelo que nos resta de vergonha republicana.

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Fora Já!

Uma eventual derrota dos setores mais reacionários da ordem em 2022 representaria um alívio momentâneo na guerra de classe movida pela burguesia contra os trabalhadores.

Por Plínio de Arruda Sampaio Jr., em A Terra é Redonda

Apesar dos excelentes serviços prestados por Jair M. Bolsonaro ao capital, a burguesia considera seriamente a possibilidade de descartá-lo. O absoluto descontrole da crise sanitária, a crescente insatisfação social e a péssima relação com a China e com os Estados Unidos, parceiros comerciais estratégicos, tornam-no cada dia mais disfuncional como chefe de Estado.

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Žižek: Boa sorte, Sr. Assange!

Eles acreditam que se simplesmente continuarem segurando Assange nessa condição de morto-vivo, aos poucos nós nos esqueceremos dele. É nosso dever provar que eles estão errados. 

No Blog da Boitempo

Neste dia 3 de julho, Julian Assange vai comemorar seu aniversário de cinquenta anos em uma cela prisional solitária, sem qualquer condenação, apenas esperando sua extradição. É uma suprema ironia que seu aniversário ocorra justamente um dia antes do 4 de julho, data em que os Estados Unidos celebram seu “Dia da Independência” – é como se o dia do nascimento de Assange estivesse aqui para nos lembrar dos aspectos sombrios não apenas da “terra dos livres”, mas da maioria das democracias ocidentais.

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Um novo princípio: “Navah”: Dar existência a coisas que não existem! Por Lenio Luiz Streck

Na Revista Consultor Jurídico

O professor de antropologia da UFRJ, Mauro Gonçalves, ao escrever brilhante introdução ao livro O Brasil no espectro de uma guerra híbrida, de Piero Leirner, conta que a palavra NAVAH, no hebraico do velho testamento, significa, em uma de suas acepções: “dar existência a coisas que não existem” (e faz interessante relação com a marca Havan, espécie de siglônimo que dá nome à famosa rede de lojas cujo proprietário parece ser expert em Navah). Gonçalves fala da guerra híbrida e relaciona com esse ponto: “dar existência a coisas que não existem”.

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